Mostrando postagens com marcador Consumo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Consumo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Hipossuficiência nas relações jurídicas é coisa do passado

Há um termo no mundo jurídico, que norteia diversas legislações e jurisprudências, que se chama hipossuficiência. Ele nada mais é que um termo desatualizado em seus propósitos, e que ainda não foi reconsiderado por muitos juristas atuais em inúmeras situações de conflito.

A hipossuficiência é a denominação que se dá à parte fraca de alguma relação, aquela que depende de outra direta ou indiretamente, onde seu poder de argumentação ou sua vontade de fato pouco vale perante a parte forte, a que detém o controle da situação.

A Lei Maria da Penha, que protege a mulher vítima de abusos, violência e opressão no ambiente doméstico e familiar, é um exemplo da clara importância de se considerar a hipossuficiência da mulher perante o próprio marido, que a sustenta, oferece moradia e possui maior força física para controlá-la, ao invés de respeitá-la.

Porém, há inúmeras situações onde a hipossuficiência já não é mais um termo a ser considerado como verdade absoluta em diversos tipos de situações onde, outrora, tinha sim o seu fundamento.

Vejam bem os amigos o que significa um mercado capitalista, onde a livre concorrência torna o comerciante e o industrial obrigados a respeitar e oferecer o seu melhor ao consumidor, sob o risco de sucumbir diante de uma concorrência mais ética e estruturada. Em um cenário competitivo, o poder de fiscalização e de escolher onde e como comprar pertence ao consumidor, outrora chamado de hipossuficiente por não ter opções de escolha.

Hoje o consumidor se dá ao luxo de emitir seus comentários em rede nacional através das redes sociais sobre aquilo que ele julga tratar-se de um mau atendimento, criando uma perda considerável na credibilidade de um comerciante ou industrial diante de um fato que pode bem ser mera mentira. A Coca Cola é vítima freqüente desse tipo de ato, onde a parte reconhecida como hipossuficiente fala e escreve o que bem entende sobre seus produtos sem risco de punição, através da garantia constitucional da livre expressão.

O consumidor, em um mercado concorrencial, necessita sim dos órgãos de proteção para apoiá-lo, sem custo, na solução de conflitos na esfera de consumo, e nada mais do que isso, ressarcindo-o de eventual prejuízo material através de uma conciliação entre as partes. O que a lei chama de “danos morais” está se transformando em uma indústria de indenizações totalmente infundada e tendenciosa, onde a mera reparação do dano propriamente dito não parece ser suficiente, devendo também o comerciante ressarcir a vítima por algo imensurável. O dano moral, que deveria considerar o constrangimento público, prejuízo profissional ou qualquer outro dano de fato considerado relevante, passou a ganhar força e oferecer indenizações à parte hipossuficiente pela mera justificativa de ser essa chamada simplesmente de “hipossuficiente”.

O mesmo ocorre na esfera trabalhista, onde a parte hipossuficiente já foi subjugada pelos empregadores em situação de grande crise e desemprego. Hoje, perante o desenvolvimento da legislação trabalhista e o aquecimento econômico, o que se percebe não é o desemprego, mas o desinteresse do trabalhador em qualificar-se para ocupar as vagas de emprego disponíveis. Quem precisa do trabalhador, do seu empenho, qualificação e comprometimento com o negócio é o empregador. Pois através do trabalhador qualificado é que se mantém a excelência nas relações comerciais a fim de não lesar o consumidor lá na frente. No momento atual, na área trabalhista observa-se uma inversão de valores, onde o aparato legal para proteger o trabalhador sob a égide filosofal da hipossuficiência, ultrapassa sua necessidade de proteção e transforma o trabalhador em um usurpador dos direitos alheios, promovendo abusos, ameaças indiretas ao negócio do empregador e um certo conforto no ambiente profissional, como aquele de alguém apadrinhado por uma entidade mais forte e influente.

Tudo isso serve como reflexão para aqueles operadores do direito que não têm nenhuma noção do que se passa no ambiente de trabalho da maioria das empresas, salvo enquadrar a CLT ou o Código de Defesa do Consumidor ao depoimento destes que se dizem vítimas, mas que no seu dia a dia movimentam a indústria das indenizações resguardados pela frase mais estúpida criada por algum filósofo do direito: quem almeja o lucro, deve arcar com os prejuízos. Nesse contexto, é o mesmo que dizer: se você for um empreendedor, esteja pronto para aceitar que, perante o Direito, você já nasceu condenado.

Vamos focar esforços para falar de hipossuficiência quando tratarmos de abusos ou negligência em serviços essenciais e muitas vezes exclusivos, tais como hospital público, energia elétrica, serviço de água e esgoto, estradas de rodagem e pedágio, transporte coletivo, etc. Daí sim a hipossuficiência fará todo o sentido, pois o consumidor não tem opção de escolha e é obrigado a contratar o que tem. E na área trabalhista, sejamos mais críticos e menos protecionistas, pois princípios do direito como a primazia da realidade, por exemplo, simplesmente colocam por terra qualquer possibilidade de se promover a administração de recursos humanos de uma empresa séria...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Decisão de compra: o que leva o consumidor à escolha definitiva de um produto

Muito tem se estudado ao longo dos anos sobre quais aspectos interferem na mente das pessoas em uma decisão de compra. Em 1898, por exemplo, Elias St. Elmo Lewis desenvolveu o funil de vendas. Há nesse funil 4 etapas no processo que sempre foram parte integrante de qualquer planejamento de marketing: conhecimento, interesse, desejo e ação, onde em Conhecimento uma pessoa toma consciência do produto, seja através da publicidade ou da recomendação de um amigo; em Interesse, depois de ter tido conhecimento do produto ou serviço e determinar a sua relevância, a pessoa expressa seu interesse; em Desejo há uma progressão exponencial do interesse, onde pessoa passa de um “seria bom ter isso” para o “preciso disso”; e em Ação a pessoa coloca o desejo em ação e faz uma decisão de compra.

Atualmente, segundo minhas observações, tenho notado que não há como estabelecer uma regra generalista sobre o que leva as pessoas a decidirem uma compra, e sim um conjunto de argumentos que são divididos em maior ou menor proporção conforme o produto que está a venda.

Assim, minha tabela de argumentos para a decisão de uma compra transita nos seguintes sentimentos das pessoas:

1 - Necessidade: você compra algo porque realmente precisa daquilo por motivos orgânicos;
2 - Prazer: você compra algo, ou opta por um determinado produto, porque ele te dá prazer, seja através do sabor, conforto, cheiro, etc;
3 - Status: você compra algo, ou decide por determinada marca ou modelo, porque aquilo te faz sentir-se melhor, orgulhoso consigo mesmo;
4 - Inveja: você compra algo, mesmo que não necessite daquilo, para provocar inveja em seus amigos e vizinhos.

Assim, o ato da compra é incrivelmente variável segundo algumas diferenças sociais, culturais, econômicas e individuais, e essa é a beleza do marketing: montar o quebra-cabeça para decidir como obter mais sucesso nas vendas de determinado produto, em determinado lugar para um público específico e com sentimentos distintos.

Daí em diante basta identificar qual público e de que regiões é potencialmente consumidor do seu produto (segundo seus sentimentos projetados para aquele produto),  quais são os veículos de comunicação mais indicados para se chegar a esse público e qual o estilo de mensagem é mais impactante a ele.

Some a isso uma análise de sustentabilidade das vendas, ou seja, por quanto tempo a população local será capaz de comprar e recomprar seus produtos e, ajustando-se essas peças mediante uma análise fria e racional, só me resta dizer a você: BOAS VENDAS!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Disney dá exemplo para o consumo responsável

A Walt Disney Co. acaba de dar um grande passo rumo ao consumo responsável, restringindo a publicidade em seus canais de entretenimento de produtos considerados não-saudáveis ao público infantil.

Segundo matéria publicada no AdNews, no dia 5 de junho a Walt Disney Co. anunciou que não irá mais aceitar patrocínios, nem oferecer espaço publicitário para alimentos que não se encaixam nos padrões dos canais da empresa. O conteúdo veiculado na Disney Channel, Disney XD, ABC Saturday-morning cartoons, rádios para crianças e sites será restrito.

A indústria estipulou regras que foram aceitas por 16 empresas participantes, tais como McDonald's, Kraft Foods, General MIlls, Coca-Cola, PepsiCo e Kellogg. Todas elas elogiaram a atitude da Disney e disseram que iriam se comprometer mais.

A Kraft Foods afirmou que não veicula propagandas de alimentos para crianças com menos de 12 anos. No entanto, a Capri Sun (suquinho de caixinha) foi a escolhida para exemplificar o tipo de produto que não poderia mais ser apresentado pela Disney, por não se encaixar no padrão exigido pela empresa. 

O programa da indústria estipulou regras para dez categorias diferentes, enquanto a Disney definiu um padrão a ser seguido por 17 categorias. A empresa mostra-se um pouco mais rígida em relação ao que é aceito e ao que tem de ser mudado. Por exemplo, no quesito café da manhã, os cereais matinais não podem ultrapassar 130 calorias por porção, enquanto as regras da indústria estipulam uma porção contendo no máximo 150 calorias.

É importante que empresas com o poder de influência exercido junto ao público infantil, como é o caso da Disney, despertem para essa realidade, pois o fomento ao consumismo infantil, somado à má qualidade nutricional de certos alimentos destinados a esse público, pode ser prejudicial à saúde da criança e ao bolso da família, além de criar hábitos impensados e a cultura da compra impulsiva mediante o estímulo de imagens e apelos sugestivos dos personagens.

sábado, 10 de março de 2012

Instituto Alana e o combate ao consumo infantil de cerveja

Publicidade é coisa séria, principalmente quando proporciona estímulo para mudanças comportamentais com impacto negativo na sociedade. E nesse contexto algumas entidades ou organizações não-governamentais têm lutado com as poucas armas de que dispõem para que o motor capitalista não supere a responsabilidade social.

Quero citar aqui o trabalho do Instituto Alana e sua missão. Desde 2005, o Projeto Criança e Consumo desenvolve atividades que despertam a consciência crítica da sociedade brasileira a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes. Debater e apontar meios que minimizam os impactos negativos causados pelos investimentos maciços na mercantilização da infância e da juventude, tais como o consumismo, a erotização precoce, a incidência alarmante de obesidade infantil, a violência na juventude, o materialismo excessivo, o desgaste das relações sociais, dentre outros, faz parte do conjunto de ações pioneiras do Projeto que busca, como uma de suas metas, a proibição legal e expressa de toda e qualquer comunicação mercadológica dirigida à criança no Brasil. (leia mais aqui)

No que se refere à publicidade de bebidas com alto teor alcoólico, ela é regulamentada pela Lei nº 9.294/1996 e só pode ser veiculada pelas emissoras de rádio e TV entre 21h e 6h. No entanto, o Art. 1º, Parágrafo único, diz que "Consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac".

Diante disso, o Instituto Alana realizou uma ação dirigida à personalidades artísticas de nosso país como  Adriane Galisteu, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Dani Bananinha, Bento Ribeiro, Hélio de La Peña, Leandro Hassum, Malvino Salvador, Márcio Garcia e Ricardo Tozzi , as quais receberam cartas, por meio do Projeto Criança e Consumo, que alertavam sobre o que pode significar emprestar seus nomes a uma marca de cerveja.

"São todas personalidades do cenário nacional e que recentemente apareceram em campanhas de cerveja. Questionamos o fato de estarem nas propagandas porque temos uma discussão muito séria com a questão do horário em que elas são veiculadas", conta ao Adnews a advogada e coordenadora-geral do Criança e Consumo, Isabella Henriques.

Não é uma guerra do Alana contra a divulgação das cervejas, apenas um trabalho de conscientização. "Nosso ponto é que essa publicidade pode ir ao ar a qualquer hora do dia. E o peso de uma celebridade é muito grande na hora de influenciar as escolhas de uma criança", diz Isabella, que explica: "Talvez essas celebridades nem conheçam os detalhes da legislação e emprestam todo o prestigio que têm à publicidade de cerveja."

A propósito, você já viu algo mais insensato do que utilizar um jogador de futebol ou qualquer outro atleta como garoto propaganda de cerveja?! Crianças imitam o corte de cabelo, o tipo de boné, querem comprar as mesmas roupas e sapatos dos atletas... não é de se imaginar que vendo seu ídolo promovendo uma cerveja sintam também vontade de experimenta-la e consumi-la? Já que os fabricantes não estão nem aí para o impacto social, os atletas poderiam ser mais seletivos e responsáveis com os contratos que fecham. Destaco mais uma vez o super craque do futsal e inigualável Falcão (www.falcao12.com), que gerencia como poucos sua carreira de sucesso e sua imagem.

Um dos parágrafos da carta dirigida aos artistas eu quero citar aqui para seu conhecimento: "Vale lembrar que a cerveja representa mais de 70% de todo o volume de álcool consumido no país, além de ser a primeira bebida a ser consumida pelo jovem. Segundo dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), 42% das crianças brasileiras com idade entre 10 e 12 anos já consumiram bebida alcoólica e 10% da população com idade entre 12 e 17 anos preenchem critérios para ser classificada como dependente do álcool." (leia o conteúdo da carta na íntegra aqui)

Com esse post quero dedicar meu apoio à causa defendida pelo Instituto Alana e convidar meus amigos leitores a apoiá-la e difundi-la também. Lembrem-se sempre de observar como é que seus artistas preferidos se comportam diante da sociedade, que influência eles exercem sobre nossos filhos e se utilizam de forma responsável ou mercenária sua imagem admirada por tantos fãs.

Vejam nesse link as campanhas e animações produzidas pelo Instituto Alana sobre álcool, erotização, obesidade, etc, e aproveitem para divulgá-las nas escolas e para seus filhos.

O combate às drogas

Quero aproveitar que estou no tema relacionado ao vício adquirido já na infância e adolescência e destacar a contribuição positiva da Rede Record nesse assunto. A novela Vidas em Jogo está passando em sua trama o caso de um personagem jovem que, frustrado com sua carreira como jogador de futebol, atirou-se no mundo das drogas e experimentou o crak.

A trama mostra abertamente no que transformou-se o rapaz imaturo e o que a droga provoca em seu corpo e sua mente, além de apresentar todo o drama da família na dura realidade de um ente viciado que não consegue mais dominar sua própria vontade.


A mídia tem condições de ilustrar essa situação e influenciar positivamente seus expectadores. Basta querer...

.........................

Visite a Livraria Cultura e dê um vale presente a quem você ama!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Uma Barbie careca melhoraria a autoestima de uma criança doente?!


Esse é um post que demorei um pouco para escrever porque estava ainda digerindo a ideia a respeito de um assunto tão complexo. O fato é que há um apelo popular rolando nas redes sociais para que a Mattel produza uma boneca Barbie careca.

A ideia é que a boneca ajude crianças a lidar com a perda de cabelo provocada pelo tratamento contra o câncer ou por alguma outra doença, como a alopécia e a tricotilomania. Os pais de crianças com câncer, que iniciaram a campanha, acreditam que a iniciativa pode aumentar a autoestima de seus filhos doentes (ou que veem seus parentes doentes), pois, ver um símbolo da beleza careca, faria com que se sentissem também bonitos e mais incluídos na sociedade.

Em outras palavras, minha análise a essa questão é mais simples do que a confecção da nova boneca faz parecer: a Mattel produz bonecas de acordo com aquilo que a opinião popular valoriza: mulheres de físico escultural, esbeltas, de pele clara, cabelos longos e bem sucedidas. 

Por isso não existem Barbies de classe média, existem poucas mulatas, poucas japonesas, nenhuma indígena ou de ascendência inca (como as sul-americanas do oeste), nenhuma com Síndrome de Down, nenhuma de estatura média, nenhuma obesa e nenhuma de peito caído, ou pelo menos com o aspecto de uma pessoa normal, mãe de três filhos, pois a Ana Hickmann é exceção...

Mas voltando ao assunto dessa boneca, acho triste um pai comprar uma Barbie careca, quando seu maior desejo de fato é ver a filha recuperar-se de um quadro tão amargo. O mesmo eu diria de um pai cuja filha sofre com a obesidade, e que inclusive muitas delas sofrem com esse complexo na escola. Tudo o que uma criança obesa deseja ser é "bonita" igual à Barbie original ou igual à todas as demais crianças magricelas à sua volta. Quem vai querer uma Barbie gorda em uma sociedade que a chamam (mesmo que indiretamente) pejorativamente de GORDA!!

A solução para esse assunto, que em sua essência é o momento complexo de alguém estar com um aspecto diferente daquilo que chamam de "normal", é simplesmente que a mídia pare de valorizar padrões estéticos fazendo com que todos os que não se assemelhem a esse padrão sintam-se feios ou diferentes.

Quem não se lembra daquela novela onde a cena mais comentada foi a Carolina Dieckmann raspando a cabeça para iniciar seu tratamento de câncer? Aquela cena traria conforto a alguma criança na mesma situação? A direção da Globo só pensou no impacto dramático e na interpretação da atriz naquele momento, mas não imaginou o quanto aquilo doeu no coração de tantas famílias.

E cabe aqui mais uma crítica à emissora e ao Sr. Pedro Bial e seus comentários sobre o shape das beldades do BBB. A insatisfação com o próprio corpo e a não aceitação de si mesmo na forma como estamos é o preço que todos nós pagamos por dar valor aos veículos de comunicação de maior audiência desse Brasil, onde a casca vale mais que o conteúdo. 

O dia que o conteúdo tiver mais valor do que o aspecto exterior pouca gente se importará com quem está careca, gordo, banguela ou com a perna torta. Antes de produzirem uma Barbie careca acho que deveriam produzir uma Barbie inteligente, que passasse menos tempo desfilando e mais tempo estudando. E quem sabe assim a mídia pare de mostrar pessoas de corpo escultural nas novelas e passe a mostrar pessoas reais, em atividades reais e com sentimentos reais, independente de seu peso, altura ou largura.

Por isso não vejo em quê uma Barbie careca ajudaria a aliviar a dor de crianças com câncer. Ali vale mais o apoio dos pais em fazê-las sentir-se bem a vontade, conviver e divertir-se com elas como crianças normais e principalmente fazê-las sentir-se felizes em seu dia a dia, fugindo daqueles que preocupam-se demais com a beleza e aproximando-se dos que falam mais sobre a felicidade.

sábado, 20 de agosto de 2011

Isso sim surpreendeu o cliente!!

Você já deve ter lido em revistas de negócios ou palestras sobre empreendedorismo algo que não sai da boca dos profissionais: "você tem que surpreender o cliente!"

Hoje eu li uma história que mostra bem claramente o que isso significa. Peter Shankman havia passado por um dia bem agitado por conta de seu trabalho. Acordou cedo para pegar um voo e participar de um almoço de negócios, sabendo que só voltaria para casa tarde, por volta das 21h.

Então resolveu usar o microblog para aquilo que todos fazem: reclamar. "É como quando tuitamos ‘querido inverno, por favor, pare, amor Peter’, ou algo similar", conta ele. A frase em questão, entretanto, era a seguinte: "Ei, @Mortons [a Morton’s Steakhouse] – vocês podem me encontrar no aeroporto de Newark com um entregador quando eu aterrissar em duas horas? Obrigado."

Acontece que a Morton’s prestou atenção ao pedido e resolveu fazer a entrega. Duas horas depois, quando Shankman chegou, foi até o motorista – "como fiz centenas de vezes antes" – e se surpreendeu. Ao lado do homem que guiaria seu carro havia outro, de smoking, com uma sacola do restaurante.

"Vamos entender: eu estava brincando. Eu não tinha absolutamente nenhuma expectativa sobre nada daquele tweet", afirma Shankman. No post em que conta a história, ele põe a reputação de sua carreira em jogo para afirmar que nada foi combinado, a Morton’s é que viu ali uma oportunidade de premiar um cliente. E conseguiu, de quebra, publicidade espontânea, pois Shankman tem mais de 100 mil seguidores no Twitter.

O voo durou 2h30min e o restaurante mais próximo da marca fica a 38 quilômetros de distância do aeroporto em que ele desembarcaria. Então o entregador viajou por cerca de meia hora com um bife de 700 gramas, uma porção de camarões, batatas, pão, dois guardanapos e talheres.

Isso sim é oportunismo!! Isso sim é surpreender o cliente...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Coral de Galinhas passou do ponto...

Acho que estou virando um velho gagá e rabugento, pois começo a questionar coisas que nem deveria dar importância, como esse novo comercial do Guaraná Antarctica com o coral de galinhas (assista aqui).

Está no meu institnto avaliar, questionar e criticar o que vejo no mundo dos negócios, e por isso falarei sem dó do comercial do guaraná: achei PÉSSIMO!

Mesmo você discordando de mim e dizendo que achou "engraçadinho" eu digo o mesmo para você, pois também achei engraçadinho. Porém, sob o aspecto mercadológico, foi um desperdício de esforços.

Analisando friamente, me responda qual foi o apelo de vendas desse comercial? O comercial cujo tema é: "é mais fácil fazer galinhas cantarem do que descobrir a fórmula do refrigerante" não leva nada de relevante a ninguém.

Saber que há 2 guardiões cuidando da fórmula do guaraná te ajudará a decidir pela compra desse produto no ponto de venda? Será que o consumidor ficou mais curioso em conhecer o guaraná depois desse apelo?

Eu digo que propaganda deve estimular algo em alguém, e esse comercial não agregou absolutamente nada para a marca ou para o produto.

Acho que está havendo um desvio de foco entre o que é uma campanha CRIATIVA e o que é uma campanha PRODUTIVA. O comercial se não for produtivo não gera negócios, não chama vendas, não cria vínculos, desejos ou anseios no consumidor. E com isso não proporciona os resultados desejados pelo anunciante, aquele que espera ganhar dinheiro com o investimento.

Essa foi apenas mais um trabalho fraco de mídia do Guaraná Antarctica, cuja qualidade não consegue ser bem representada por suas criações publicitárias.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

E a Devassa foi devastada pela própria campanha...

Tal qual eu havia previsto, a segunda fase da campanha da cerveja Devassa estrelada por Sandy não vingou... (reveja a postagem nesse link) Apesar do alto impacto proporcionado pela mídia indireta, onde pessoas como eu assistiram aos vídeos da campanha para a ver a cara de Sandy em sua tosca apresentação tentando parecer o que não é, o resultado final esperado pela cervejaria, que é a venda de cerveja propriamente dita e não apenas acesso aos VT's via twitter, youtube, etc, não aconteceu.

Segundo matéria da AdNews sobre a divulgação da venda de 50,45% das ações da Schin para o grupo japonês Kirin, "nem a maior aposta, a Devassa Bem Loura, lançada no Carnaval de 2010 com Paris Hilton como garota propaganda, resultou no desempenho esperado. A marca não teve sucesso planejado de 1,5%, atingindo somente 0,2%.".

Portanto, meus amigos, cabe aos marketeiros de plantão reavaliar uma situação muito peculiar de seus clientes chamada ATIVIDADE FIM. Ou seja, focar campanha para aquilo que destina-se o ganha-pão do contratante. No caso da Schin, deveriam fazer propaganda para vender a cerveja, mas fizeram uma campanha para promover o filme e uma mensagem que não colou... Palmas à premiada agência e sua falta de visão!!!

Em tempo, parece que Sandy e Junior estão voltando à velha dupla. Hora de reescrever a história e buscar o sucesso de outrora...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Fusões e confusões do mercado nacional

É como diz o sábio filósofo mineiro, Nhô Chico Mirtinho: o mundo dos negócio é inguar que uma sanfona. Premero junta, dispois ispaia... junta, ispaia... junta, ispaia... junta, ispaia.

E assim é que acontece no mundo corporativo. Os países se ajuntam para fortalecer sua economia. Depois vem a guerra e é cada um por si novamente. Depois juntam de novo em alianças corporativas para fortalecer o petróleo, o turismo, a extração, a pesca. Depois vem novas alianças de conveniência por outros fins e eles se separam novamente. Organizações menores formam cooperativas, associações e outros. E conforme cada membro ganha força, liberta-se do ajuntamento e vai se virar sozinho. Até bandas de rock e duplas sertanejas se ajuntam e depois de separam... e assim caminha a ordem natural das coisas: no momento de fraqueza, ajunta-se. Ao ganhar força, separa-se.

E vamos ao que interessa: a união entre Pão de Açúcar e Carrefour deu em água, para alívio geral da nação com um pingo de sanidade mental. Pelo menos por enquanto não estaremos piores do que já estamos em concentração de poder supermercadista.

Mas os efeitos dessa concentração de poder supermercadista, que já caminha a passos largos, acabam de promover uma nova junção: a da Perdigão com a Sadia.

Já tenho falado sobre fusões e conglomerados aqui mesmo no blog, e minha opinião não é mais novidade para ninguém: SOU CONTRA. Porém, cada ação gera uma reação, e em resposta à força de manipulação que vem sendo criada pelas redes gigantes supermercadistas, até é de se esperar que as indústrias se mobilizem para fazer frente ao embate comercial que as aguarda.

Nesse contexto, Sadia e Perdigão agora detêm 80% do mercado nacional de frios. Lembrando ainda que a Batavo já faz parte dessa massa. E eu te pergunto: o Cade está nos achando com cara de palhaços? E respondo: ESTÁ!! Porque só mesmo sendo muito brasileiro, desses que acreditam em Lulices, para cair no conto de que as "exigências" estabelecidas para impedir a formação de cartel de preço e produção surtam o efeito esperado.


Segundo o site Notícias BR, "Para fazer a aprovação, a BRF e o Cade chagaram a um acordo que prevê a suspensão da venda de diversos produtos da Perdigão no mercado interno por um período que vai de três a cinco anos. A restrição afeta 80% da produção. O acerto inclui a suspensão da venda de presunto, vitela e pernil por três anos, de salame por quatro anos e os congelados, pizzas e lasanhas por cinco anos.

Com o acordo, a BRF se compromete a não lançar novas marcas no mercado que possam substituir os itens suspensos. A Batavo, que também pertence ao grupo, deve cancelar a venda de carnes processadas por quatro anos. A Brasil Foods terá que vender algumas cadeias completas de produção, vários centros de distribuição, dez fábricas e quatro abatedouros que possui.
"

Eu já estou desanimado com a capacidade de prever catástrofes econômicas de nossos governantes e órgãos reguladores. O Brasil está seguindo um caminho sem volta para o caos, de domínio das forças produtivas, agropecuárias, extrativistas e comerciais. Vai chegar um momento em que, criando vacas, porcos ou aves, você só terá um cliente para vender. Vai vender leite a um único pagador. Vai negociar com um único supermercado. Vai ter que se submeter a uma única fonte negociadora. E quando menos esperar, será escravo e servo de um único senhor feudal que decidirá quanto quer pagar pelo seu produto.

Sem mais delongas, estou desanimado com nossa política comercial. Com licença, vou ali cuidar do que é meu enquanto ainda posso...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pensou que sabia o que é Marketing? É mais amplo do que parece...

Diariamente me confronto com questionamentos, e até com equívocos, de profissionais de venda e promoção no que se refere ao dia a dia da sua profissão na relação comercial e bom uso das ferramentas de marketing.

A verdade é que muita gente pensa que sabe o que é marketing, e muitos empresários se arriscam, eles mesmos, a promover ações, campanhas, decisões institucionais e estabelecimento de verbas e prioridades para desenvolver o "marketing" de seus empreendimentos, ou até mesmo entregarem esse precioso departamento a algum parente em busca de um emprego de nome glamoroso. O resultado disso é traduzido em perda de tempo e dinheiro. Sem falar que muita gente transforma um departamento de marketing em mera administração de propaganda, apoiados por um "parceiro" chamado Agência de Publicidade.

Para abrir os horizontes da compreensão e desenvolver esse assunto de forma lúdica, vou utilizar a velha tática da crônica corporativa, onde vou expor alguns conceitos de forma bem simples, sobre Marketing.

Nossa história começa com a visita de Maurinho na casa de sua avó Anastácia. Mais uma vez ele delicia-se com o pão caseiro da avó, e já concluindo seu estágio acadêmico na universidade acaba de ter uma grande ideia: por que não colocar aquela delícia no mercado e produzir para vender embalado e rotulado? Foi assim que surgiram grandes marcas, e ele finalmente teria a chance de iniciar seu império industrial, com a receita infalível da Vovó Anastácia (1).

Maurinho pôs-se a planejar e decidiu visitar algumas padarias, mercadinhos e conveniências para saber o que existia de fato à venda nesses pontos de venda. Também aproveitou para especular, tentar saber quanto vendia de cada produto similar, quanto custava os produtos ao consumidor, e se havia maior preferência de compra pelo preço ou pela marca dos produtos (2).

Voltou para casa animado, e tratou de avaliar o tamanho do forno da avó para saber quantos pães poderia produzir por dia. Descobriu que sua capacidade produtiva era baixa, e o forno não era o único problema... quem fazia os pães era a própria Anastácia, e isso poderia ser o gargalo de sua produção (3).

Maurinho fez contas e não desanimou. Orçou novos fornos e pensou que a contratação de ajudantes poderia aliviar momentaneamente sua necessidade produtiva, o que aumentaria paulatinamente conforme o mercado absorvesse seu produto. Como moravam na capital paulista, o jovem empreendedor logo identificou um novo problema: como realizar a entrega dos pães aos comerciantes? A contratação de um entregador e aquisição de um veículo leve tornava-se essencial para o abastecimento da clientela. Isso invariavelmente geraria novo custo fixo para sua planilha, o que certamente elevaria o preço final do pão ao consumidor (4).

Mas Maurinho não desanimou, e ao contrário disso viu que estava trilhando um bom caminho: afinal, era melhor estar ciente de todos os detalhes da operação do que colocar o produto na praça e perceber que ele não te dá retorno financeiro... (5)

Visto isso, era chegada a fase gostosa do processo: o de criação institucional. Agora Mauro começaria a dar "cara" ao produto (6). Pensou em desenvolver um nome para o pão e uma logomarca, e após uma semana de estudos percebeu que sua indústria precisava de um serviço especializado que o ajudasse a estabelecer os seguintes pontos:

1 - Público alvo a que se destina o produto;
2 - Mensagem que identifique seu produto a esse público alvo;
3 - Aspecto visual que destaque-se aos olhos do público alvo;
4 - Diferenciais de qualidade percebida que ajudem o consumidor a decidir pela compra do seu produto.

O projeto seguia em passos certeiros, mas Maurinho sabia que o maior desafio ainda estava por vir: colocar o pão no ponto de venda. Que o produto era delicioso, fantástico, e incomparável, isso ele tinha certeza. Mas como fazer com que o dono de um mercado concordasse em adquirir uma quarta marca para dividir seu balcão de venda? Mauro sabia que essa tarefa não seria simples, e antecipou-se ao problema elaborando um plano de vendas com foco naquilo que o comerciante queria ouvir: compre o pão da Anastácia que ele vai te dar lucro certo (7).

Foi aí que Maurinho percebeu que sua planilha de custos teria que engordar um pouco mais... para convencer o lojista da viabilidade de venda de seu produto e que o mesmo seria adquirido por alguém no meio de tantas marcas já conhecidas, deveria procurar mais uma vez um serviço especializado em promoção de vendas, a fim de dar um novo argumento de decisão de compra para o consumidor. Ali caberia um estudo sobre publicidade e promoção (8). E dá-lhe custo para introdução do produto no mercado concorrencial...

Maurinho então pôde ver todo o seu plano de negócios relativamente esboçado, e caberia agora colocá-lo em prática, acompanhar, mensurar resultados, deficiências e potencialidades e readequar sua operação sempre que novas possibilidades ou dificuldades fossem identificadas (9).

E assim termina a crônica corporativa sobre Marketing. Em três palavras resume-se a ferramenta:

Produto - Consumidor - Negócio

Se você for capaz de cruzar os nove tópicos dessa crônica, na ordem certa, para que se coloque frente a frente o Produto e o Consumidor a ponto de promover o fechamento de um Negócio você estará fazendo Marketing, e a um passo de ser um empreendedor de sucesso.

Referências:
(1) Identificar e desenvolver um produto com demanda
(2) Conhecer as revendas, o mercado concorrencial e o consumidor
(3) Avaliar sua capacidade de produção para atender à demanda projetada
(4) Programar-se para executar o processo logístico e embutir seu custo no produto
(5) Ter um controle preciso dos custos envolvidos no produto até sua chegada no ponto de venda
(6) Estabelecer o perfil do produto, sua personalidade e a forma de comunicá-lo com seu público
(7) Montar um plano de vendas com argumentos convincentes de que o revendedor terá resultados com seu produto
(8) Promover a comunicação em massa ou dirigida para que o produto seja visto e conhecido por seus consumidores
(9) Acompanhar o processo e estar apto a criticá-lo para que não se exalte apenas as suas potecialidades, mas trabalhe-se as deficiências

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Batatinha frita no combate à droga... Será?!

A notícia é quente, mas a conclusão é por minha conta. Segundo estudo publicado na Academia Nacional das Ciências (NAS), a gordura presente em alguns alimentos, como frituras, estimula o corpo a produzir substância similar à contida na maconha.

Batatas fritas e salgadinhos chips, portanto, induzem a produção de endocanabinóides, substâncias químicas liberadas no intestino que influenciam o paladar e a sensação de fome. O efeito é semelhante ao da famosa "larica", forte aumento de apetite que dá após o fumo da maconha.

O estudo feito com ratos demonstrou que açúcares e proteínas não afetam a liberação da substância. Mas provou que a presença de gordura na língua sinaliza o cérebro a ativar a fabricação intestinal dos endocanabinóides e, portanto, da vontade de comer.

O estímulo foi importante durante o processo evolutivo dos mamíferos, visto que a ingestão de gordura é crucial à sobrevivência. (Fonte: Marcela Puccia Braz).

E eu aqui pergunto aos meus botões: será que um comedor de chips compulsivo é um potencial consumidor de maconha, ou será que um usuário de maconha pode abster-se de seu vício se passar a consumir regularmente batatinha frita?!

Eis aqui mais um desafio a ser digerido pelo célebre Ronald McDonald...



Gostou desse blog? Dê o seu voto clicando no link, é rápido! Obrigado!!

sábado, 21 de maio de 2011

Assim fica difícil fazer Marketing!

A notícia de que médicos norte-americanos se unem contra o palhaço Ronald McDonald colocou-me a pensar. Foi publicada no site meio&mensagem, e consta que o palhaço seria mal influência para os hábitos alimentares de milhares de crianças daquele país, onde a obesidade teria triplicado nas últimas 3 décadas (pasmem!!).

Assim fica difícil marketear... Sobre a influência negativa dos jogos de violência, saxualidade na TV, terror, e até de desenhos animados cujos personagens são os piores exemplos possíveis (vamos proibir a Magali de aparecer nos gibis!) ninguém toma providências, mas fazem complô contra um palhaço que é garoto propaganda da marca. 

Oras bolas, será que vamos ter que extinguir o Papai Noel (obeso e consumista) e o maior promotor de vendas de chocolate do planeta, o glorioso Coelhinho da Páscoa?!

quarta-feira, 16 de março de 2011

O mercado publicitário vai se reinventando

Isso é o que eu chamo de inovar! Alguns no bom sentido, é claro, pois em publicidade quase tudo é permitido. É como diz aquele ditado: "os fins justificam os meios".

Repararam aquele comercial da Nova Schin, onde personalidades do mundo artístico aparecem apenas como coadjuvantes? Débora Secco, Samuel Rosa, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Cléo Pires, Fernanda Lima, etc, estão apenas alí na roda curtindo enquanto algum deles canta. Simpática a idéia de apresentar artistas apenas como gente comum, e não como estrelas.

A cerveja Brahma fez quase isso naquele comercial tendo o carnaval como "paixão de brahmeiro", e o Zeca Pagodinho aparece somente por alguns segundos no finalzinho, só para ganhar o cachê.

A Bombril também reinventou seu modelo e entrou num tema feminista cômico-agressivo. Já pensaram se alguém fizesse o inverso, num tom machista, o tamanho da repercussão que daria? Mas como todos sabem que homem não dá a mínima para isso, e ao contrário ri da própria desgraça quando o momento lhe permite, o trabalho ficou bem interessante, pois criou maior afinidade de forma subliminar entre a marca e a mulher que de fato é a entendida no assunto, buscando desmistificar essa questão num tom feminista. Jogada de mestre!

Já a Caixa Econômica Federal, acredito que andou pra trás... Está veiculando um comercial enfadonho narrando sua história e sua relação com a Academia Brasileira de Letras. Alguém conhece uma palavra mais antiquada do que "caderneta de poupança"? O que é que a Caixa buscou atingir com esse comercial? Que pessoas como Austregésilo de Athayde sejam influenciadores de alguém para que abram sua poupança na Caixa? Enquanto outros bancos estão agressivos nos materiais publicitários mostrando tecnologia, inserção digital segura das aplicação e movimentações a distância e coisas desse tipo, a Caixa me aparece com Machado de Assis, Inglês de Souza e cia para falar sobre sua credibilidade histórica...

Sem falar que anteriormente o banco explorava Regina Casé e outros recursos para vincular sua imagem a um banco popular, para gente humilde. Agora aparece com essa, usando personalidades que gente humilde, a massa educada nas escolas públicas do nosso Brasil, mal deve ter ouvido falar... Achei o comercial bacana se fosse conteúdo de endomarketing, mas para divulgação externa não gostei.

Então é isso. Esse post estava na minha idéia para ser escrito a alguns dias, pois vejo com muita satisfação a reinvenção de alguns modelos de publicidade e comunicação com o público. Não aguentava mais a mesmice de sempre. Se bem que, em matéria de propaganda de cerveja, o conteúdo não mudou em quase nada. A Skol ainda consegue explorar a criatividade fugindo daquela trivial festa, praia, mulheres e homens sarados, além de imagens cansadas de cerveja caindo no copo em slow motion, e a convicção de que são produzidas com "malte selecionado", etc, etc, etc... fala sério...

Ah, antes de ser mal interpretado, não estou desmerecendo as mentes brilhantes da literatura brasileira. Meu comentário é sobre a mensagem temática escolhida pela Caixa em seu comercial e seu contexto no mercado concorrencial.

E você, como percebeu esses comerciais?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Diet Pepsi fica "magérrima" e provoca polêmica

Alguns dizem que ser magra é o certo. Outros dizem que NÃO ser magra é ser feliz. Outros dizem que ser magra demais é doença. Outros dizem que ser magra é ser bonita. Eu digo que gosto não se discute... se lamenta. Se todo mundo gostasse do Corinthians, por exemplo, aí sim seríamos um bando de loucos, pois não teríamos contra quem torcer, rsrsrs.

Sem mais delongas vamos ao ponto em questão: a Diet Pepsi, a muito tempo com poucos investimentos nos veículos de comunicação de massa, voltou a aparecer nos EUA com um novo produto, ou melhor, com o mesmo produto numa nova embalagem denominada lata Skinny, que no jargão português entendemos como MAGÉRRIMA. A peças publicitárias foram associadas à imagem da modelo e atriz Sofia Vergara, da série Família Moderna.

Segundo Ami Irazabal, diretora de marketing da Pepsi, "o desafio é mostrar que a embalagem é um modo legítimo para se fazer marketing. Às vezes as pessoas pensam em inovação como uma maneira de se mudar o que há dentro (da embalagem). Mas, em minha opinião, a inovação pode ser uma maneira diferente de se celebrar o que está dentro."

Mulher inteligente essa diretora... na percepção mercadológica, considerando a cultura popular plantada pela mídia a respeito do que é padrão de beleza feminina acho que ela acertou em cheio na concepção do novo conceito e no formato da campanha. Mas alguns não gostaram.

Segundo o site m&m online, "A Associação Nacional de Distúrbios Alimentares (NEDA) soltou um press release dizendo "se sentir ofendida" pela ideia. "A Pepsi deveria se envergonhar de declarar que a magreza excessiva é para ser celebrada", afirma Lynn Grefe, presidente e CEO da NEDA. Diversos blogs também condenaram a lata Skinny e um press release da companhia que chamou a lata de "magérrima" e "atraente"."

Ami continua achando que uma coisa não tem nada a ver com a outra, e que o conceito skinny diz respeito apenas à mudança da embalagem para celebrar o que está dentro dela, e não associando o produto à estética feminina. Será?!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os desatualizados cursos de atualização profissional do mercado

Você tem feito cursos de reciclagem profissional? No fórum de discussões do grupo Falando de Varejo (LinkedIn), um dos participantes lançou o seguinte tema: "Para todos que trabalham no varejo, a atualização e conhecimento de técnicas é imprescindível como qualquer outra profissão, fale sua opinião sobre o assunto."

Esse tema despertou-me para lembrar de uma palestra que assisti recentemente com um palestrante cujo currículo fez-me sentir um semi-analfabeto. Mas daquela panela saiu um angu com bem pouco tempero...

Na minha opinião, que expus no fórum, "Como em toda profissão a atualização é o pulo do gato para quem deseja manter-se competitivo. Mas o que muitos não se atentam é para qual direção devem atualizar seus conhecimentos.

Na área de varejo minha opinião é que busque-se conhecer mais a respeito da sociedade, comportamento, tendências, influências e nuances de cada geração para que a satisfação dos novos anseios de consumo e de compra sejam atendidas.

Muitos treinamentos permanecem na esfera da técnica de vendas, batendo nos chavões do tipo "encantar o cliente", ou "fazer a diferença", o que acredito ser muito superficial diante da nova realidade, novos hábitos, características do consumidor e mercado concorrencial. Precisamos transcender essas velhas teorias generalistas e ir mais direto ao ponto, mostrando que encantar já não é diferencial, é obrigação no mercado competitivo.

Veja bem o crescimento da venda e transações bancárias via internet . Sabe o que isso significa? É uma pista de que o contato humano na venda e em outras transações pode estar sendo substituído pela velocidade, praticidade e segurança na solução das necessidades. São mudanças que devem ser consideradas para que o atendimento corpo a corpo não fique obsoleto no ponto de venda e passe a tratar o consumidor com aquilo que realmente importa a ele."

Em outras palavras, é necessário que os treinamentos na área de varejo ou competitividade saiam do trivial e exponham ferramentas práticas de trabalho baseadas no comportamento humano. Mas infelizmente, o que vemos com muita frequência são treinamentos vagos, com algumas dinâmicas, mas desatualizados sobre a nova realidade ministrados por pessoas positivas e bons oradores, apenas isso.

E assim caminha a animosidade corporativa...

PS: Quero agradecer aos amigos Caio Camargo e Mariana Torido pelo enriquecimento do comentário com suas considerações no fórum, e ao Luciano Teberga Cardoso, autor do fórum.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Grande marcas podem estar promovendo um problema em cadeia

Você já ouvir falar na Hypermarcas, Unilever e LBR? Bem, então vamos às apresentações:

Hypermarcas - "A Hypermarcas é uma das maiores companhias de bens de consumo com capital de origem brasileira e possui o maior e mais diversificado portfólio de marcas, incluindo predominantemente marcas líderes e vice-líderes em seus respectivos segmentos." (extraído do site oficial. Leia mais)

Unilever - "Uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo, fabricante de produtos de higiene pessoal e limpeza, alimentos e sorvetes, com operações em mais de 100 países, a Unilever completa, em 2009, 80 anos de atuação no Brasil. Presente em 100% dos lares brasileiros ao longo de um ano, seus produtos atingem, mensalmente, 86% dos domicílios, ou seja, cerca de 37 milhões." (extraído do site oficial. Leia mais)

LBR - "Depois de 90 dias de negociação, a gaúcha Bom Gosto e a LeitBom anunciaram hoje a fusão das duas empresas, criando a LBR Lácteos Brasil S/A. Com o fechamento do novo negócio, o setor vê nascer uma companhia com um faturamento de R$ 3 bilhões e captação anual de mais de 2 bilhões de litros de leite, que se posiciona como a "maior operação privada do setor de laticínio do Brasil"" (extraído do Jornal Zero Hora de 22/12/2010. Leia mais)

Agora que você já sabe quem é quem, resta saber o motivo desse post citando essas três gigantes da indústria varejista. Mas antes vamos a mais uma definição, o significado da palavra CARTEL. Segundo o dicionário Aurélio, "s.m. Desafio. / Acordo comercial entre empresas, que se organizam numa espécie de sindicato para impor preços no mercado, suprimindo ou criando óbices à livre concorrência."

Pois bem, dessas 3 indústrias, duas delas possuem o domínio de alguns segmentos de mercados que pode ser capaz de manipular os preços e o fornecimento de produtos segundo seus próprios interesses, sem a preocupação com concorrências significativas.

A Hypermarcas, por exemplo, na linha de adoçantes dietéticos é dona das marcas Zero-Cal, Finn e Adocyl. Só nessa área, respondem massivamente pelo consumo obrigatório estimado de 12% da população brasileira que depende desse tipo de produto por motivo de saúde, os diabéticos. Em outras palavras, se a companhia resolver colocar as mãos nesse mercado e parar o fornecimento, as marcas concorrentes não possuem capacidade produtiva para suprir a demanda do mercado nacional, o que inflacionaria o preço do produto e impactaria diretamente na vida de pessoas que não teriam para onde correr.

A LBR, nova entrante no ramo das operações gigantes, acaba de agrupar num único negócio os seguintes laticínios: Parmalat, LeitBom, Paulista, Poços de Caldas, Glória, Boa Nata, Bom Gosto, Líder, Cedrense, DaMatta, São Gabriel, Sarita, Corlac e Ibituruna. Nesse aglomerado, segundo comunicado da companhia, serão 30 unidades com capacidade para processar 8,3 milhões de litros de leite por dia, em torno de 6.400 funcionários e acesso a uma cadeia de 56 mil fornecedores regulares.

A realidade no ramo de laticínios é que a população brasileira consome menos leite do que o recomendado pelo Ministério da Saúde (segundo o Embrapa), e que mesmo assim a produção atual é inferior à demanda nacional, que complementa o abastecimento do mercado com leite importado.

Pois bem, diante disso podemos concluir que a produção e venda de leite é um segmento ingrato e pouco gratificante para os produtores e criadores de gado leiteiro. Somando-se a isso a centralização da compra de matéria prima nas mãos de uma companhia que tende a ficar cada dia mais poderosa e ao consequente enfraquecimento de marcas concorrentes por falta de competitividade, a leitura que faço da nova realidade é de que o leite tende a ser cada vez menos interessante aos criadores, caindo o seu preço de venda aos laticínios. Com isso diminuirá o número de produtores e crescerá a entrada de produto importado. O fim de tudo está no aumento de preço ao consumidor, cujo maior prejudicado mais uma vez será o povão.

E a Unilever? A Unilever, apesar de possuir um número grande de marcas, não promove a centralização de vendas em alguma categoria específica. Ela concorre com outras marcas em todas as suas linhas comerciais, o que não caracteriza cartel comercial.

Diante disso, fica aqui a minha pergunta: o governo não vai agir para coibir a reserva de mercado e a centralização do poder comercial nas mãos de poucos? Já está obsoleto na gestão de poucos supermercados gigantes que estão engolindo dia após dia os menores. Agora entregará nas mãos de poucos a produção e a venda de um item de cesta básica essencial para o crescimento das crianças, interferindo diretamente desde a cadeia produtiva até a área de vendas.

Cabe a nós esperar... quem decide, parece que não pensou em tudo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A comunicação em massa e os perigos da publicidade para a infância

Você já tem opinião formada a respeito do que representa para uma criança aquelas propagandas sobre brinquedos e produtos licenciados na TV?

Outro dia fiquei estagnado com a notícia de que alguns deputados queriam proibir a veiculação de propagandas de produtos voltados ao público infantil em veículos de massa. No meu entendimento essa era uma política anti capitalista que poderia frear o consumo de um segmento, que também gera imposto, crescimento econômico e empregos diretos e indiretos.

Depois disso fui aprimorando meu ponto de vista oblíquo lendo mais sobre o assunto e as opiniões de alguns internautas e amigos. Dentre eles cito a Eliane Bonotto com seu blog de conteúdo refinadíssimo (visite o blog e leia esse post sobre o tema) e Francisco Giovanni, professor, doutor e amigo de conteúdo irrepreensível (visite o blog e leia esse post sobre o tema).

Em resumo, quero dizer que hoje já tenho a segurança em afirmar que sou contra a veiculação de publicidade dirigida a crianças em veículos de comunicação em massa, e gostaria de compartilhar com vocês essa breve apresentação em slides que recebi recentemente e que traduz exatamente o meu ponto de vista a respeito do
consumismo infantil.

Não deixem de ver essa apresentação. Vale a pena...

A comunicação em massa e os perigos da publicidade para a infância

Você já tem opinião formada a respeito do que representa para uma criança aquelas propagandas sobre brinquedos e produtos licenciados na TV?

Outro dia fiquei estagnado com a notícia de que alguns deputados queriam proibir a veiculação de propagandas de produtos voltados ao público infantil em veículos de massa. No meu entendimento essa era uma política anti capitalista que poderia frear o consumo de um segmento, que também gera imposto, crescimento econômico e empregos diretos e indiretos.

Depois disso fui aprimorando meu ponto de vista oblíquo lendo mais sobre o assunto e as opiniões de alguns internautas e amigos. Dentre eles cito a Eliane Bonotto com seu blog de conteúdo refinadíssimo (visite o blog e leia esse post sobre o tema) e Francisco Giovanni, professor, doutor e amigo de conteúdo irrepreensível (visite o blog e leia esse post sobre o tema).

Em resumo, quero dizer que hoje já tenho a segurança em afirmar que sou contra a veiculação de publicidade dirigida a crianças em veículos de comunicação em massa, e gostaria de compartilhar com vocês essa breve apresentação em slides que recebi recentemente e que traduz exatamente o meu ponto de vista a respeito do
consumismo infantil.

Não deixem de ver essa apresentação. Vale a pena...