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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não troque um conto de fadas por um conto de bruxas

Como eu gosto de fazer boas recomendações de histórias com apelo educativo e com temas que aflorem o desenvolvimento positivo das crianças eu certamente não te recomendarei assistir A princesa e o sapo, de Walt Disney.

Apesar da beleza, da plástica das imagens, das coreografias e belas músicas inseridas, o filme tem uma trama baseada em personagens pouco inspiradores, com exceção da princesa Tiana, uma jovem atraente, independente, esforçada e obstinada, mas também uma amiga leal e afetuosa. Seu príncipe, o sapo a ser desencantado, é o príncipe Naveen, de um reino chamado Maldonia. Apesar de ser mimado e irresponsável, Naveen tem um charme irresistível, uma alegria de viver que cativa a todos ao seu redor e uma paixão pelo Dixieland, jazz popularizado por Paul Whiteman, Jimmie Noone, Earl Hines, King Oliver, Jelly Roll Morton e Louis Armstrong. Se você é amante do jazz, o filme é temático e vale a pena. E só isso.

O outro personagem chave dessa trama é o Dr. Facilier, um sujeito ardiloso, misterioso e ameaçador que cria inúmeras situações desagradáveis e arriscadas para o príncipe Naveen e Tiana. Ele é um canalha que usa magia, feitiços e suas ligações com “amigos do outro lado” para conseguir o que quer através de encantamentos misteriosos, arriscados e perigosos. “Ele é musical, é ameaçador, é bonito, elegante, alto, magro e esbelto, e sabe ser um doce de pessoa. E eu acho que tudo isso, pelo menos na animação contemporânea, é raro de se ver num vilão”, comenta Bruce Smith, o supervisor de animação do Dr. Facilier. Em outras palavras, estarás levando para a TV de seus filhos uma descrição perfeita do anjo que caiu do céu e comanda o inferno... As músicas coreografadas por esse personagem são assustadoras e demoníacas.

Já a Mama Odie é a contrapartida luminosa de Facilier: uma feiticeira excêntrica, escrachada e esperta de 197 anos, a rainha dos pântanos, que guia Tiana e Naveen em seu périplo para desfazer o feitiço do Dr. Facilier. Mama Odie e a sua cobra, Juju, ministram feitiços e amuletos aos necessitados. Ou seja, não é um conto de fadas mas de feiticeiros e bruxos que trabalham com as forças ocultas.

Enfim, A PRINCESA E O SAPO, foi inspirado na fábula O Sapo Príncipe, dos irmãos Grimm, mas os cineastas criaram a sua própria versão da história. Os Grimm iriam se revirar no túmulo se pudessem conhecer o estrago que foi feito em sua obra...

Se você estava pensando em comprar esse filme para seus filhos, esse é o meu resumo sobre a obra: é um conto enjoativo, assustador e tendencioso ao mal, tal qual as produções noveleiras da Rede Globo. Não traz nada de positivo e nenhuma mensagem que valha a pena para crianças.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Como recompensar as atitudes positivas das crianças

Em meu novo blog, chamado Família, comportamento e os rumos da sociedade moderna, postei um artigo muito interessante chamado "O método PIC-NIC de recompensar atitudes positivas" (clique aqui).

Lendo "O encantador de vidas", de Eduardo Moreira, encontrei essa pérola descrita por seu professor, o lendário Monty Roberts, um método de recompensar cavalos por sua obediência e acertos que Monty explica ser perfeitamente aplicável a nós humanos. 

Convido os meus amigos e leitores que visitem o novo blog, que nada mais é do que uma separação de temas desse aqui, de modo que Carreira, sociedade e o mundo dos negócios será destinado a temas profissionais, e Família, comportamento e os rumos da sociedade moderna será destinado a temas sociais.

Assim, desejo a todos uma ótima leitura e espero que me visitem sempre também no novo blog.

Uma ótima semana!!

O método PIC-NIC de recompensar atitudes positivas

É impressionante o quanto o mundo do aprendizado e suas formas de fazê-lo é infinito, e a cada dia, a cada leitura despretensiosa sempre aprendemos algo novo.

Lendo "O encantador de vidas", de Eduardo Moreira, encontrei essa pérola descrita por seu professor, o lendário Monty Roberts, um método de recompensar cavalos por sua obediência e acertos que Monty explica ser perfeitamente aplicável a nós humanos.

Trata-se da técnica PIC-NIC - Positive Immediate Consequence-Negative Immediate Consequence, que significa consequência imediata positiva-consequência imediata negativa.

Para compreender esse método precisamos abrir um parêntese para explicar a sua origem filosófica. Segundo Monty, diferente dos animais caçadores que conquistam seu alimento através de uma luta, os cavalos alimentam-se de mato e capim, disponível em abundância na natureza.

Assim, quando você premia um cavalo dando-lhe um torrão de açúcar ou uma cenoura isso não tem nenhum valor a título de recompensa, pois o alimento lhe é abundante, não tem status de prêmio. O mesmo não acontece com um cachorro, que depende de conquistar seu alimento diariamente, e para quem um biscoito ou um osso lhe serve como excelente prêmio ou estímulo, sendo percebido assim uma consequência positiva por seu acerto.

Por isso Monty diferencia o método de gratificação a um cavalo dando-lhe afago entre os olhos ou alguns minutos de descanso após executar alguma tarefa bem feita. No caso de uma tarefa mal feita, como por exemplo um salto errado, a consequência negativa pode ser simplesmente obrigá-lo a saltar novamente, forçando-o a realizar todo o esforço por mais uma vez. Por outro lado, após um acerto, o ideal seria recompensá-lo com um merecido descanso ao invés de obrigá-lo a saltar de novo, proporcionando-lhe a ideia de uma consequência positiva pelo seu ato ao invés de força-lo a um outro salto.

Transferindo esse modelo de recompensa para o ser humano, cabe a nós aprender como nos manifestar para fazer uma criança perceber com clareza se seu ato lhe trouxe consequências positivas ou negativas.

Exemplo na escola

Vamos supor que seu filho tirou nota 10 em Matemática, 9 em Português, 9 em História e 6 em Geografia. Sua reação certamente será uma exclamação: "O que foi que aconteceu com Geografia, que tirou somente 6?". Aqui você ofereceu-lhe uma amostra de consequência negativa nada estimulante ao ignorar as outras notas boas e focar suas atenções a uma nota baixa, quando o ideal seria parabenizá-lo por todas as notas boas e ignorar a nota baixa. Isso o faria a sentir-se recompensado com seu estímulo e o levaria a buscar uma superação em Geografia na próxima prova.

Exemplo em casa

Algumas crianças cometem erros sem ter noção das consequências de seus atos. Fazem apenas por motivo de desenvolvimento próprio, a busca por novas experiências e auto conhecimento através de suas habilidades pessoais, e com isso cometem erros. É quando uma criança está em meio à família e por todo o tempo ouve repressão do tipo "não faça isso", "não faça aquilo", "se fizer isso de novo vai ficar de castigo", ou então "se continuar assim não vou deixar você brincar com seus amigos mais tarde". Essa criança está sob constante ameaça, e contudo, quando comporta-se adequadamente, raramente recebe palavras de apoio, e não raramente ouve de seus pais "ainda bem que hoje ele nos deu sossego". Onde está a consequência positiva transmitida através de seus atos após algum acerto? Não houve, e por isso ela certamente não repetirá seu acerto na próxima vez, pois não recebeu nenhuma motivação que justifique seus esforços.

Assim, é preciso estar mais atento à natureza e à maturidade de uma criança para saber dosar a pressão e aumentar a percepção dela acerca das consequências positivas e negativas de seus atos.

Nesse contexto, Nuno Cobra, um dos mais bem sucedidos preparadores físicos do Brasil (era o treinador de Ayrton Senna), cita que nossas crianças já crescem com medo de vitórias, ou seja, em sua fase de aprendizado, desde os primeiros passos, são desestimuladas a novas conquistas através das regras da casa, das coisas que não podem mexer, não podem pegar, não podem subir e não podem experimentar. Ora, como formar crianças positivas e vencedoras se tudo aquilo que tentam fazer pela primeira vez lhes é proibido? É necessário saber dosar e separar aquilo que é proibido daquilo que é perigoso, permitindo ao pequeno ser em formação alcançar certas conquistas e perceber que aquilo lhes oferece consequências positivas.

O exemplo prático está naquela criança que atirou objetos contra uma lâmpada e a quebrou. A abordagem pode oferecer consequências positivas parabenizando-a pela boa mira e por ter acertado a lâmpada, e negativas, mostrando a ela que agora, ao anoitecer, aquela lâmpada fará falta para iluminar. Demonstrando essas duas variáveis, a criança será estimulada e conduzida a brincar de tiro ao alvo utilizando latinhas vazias da próxima vez, pois isso permitirá uma boa brincadeira sem provocar nenhum desconforto com a quebra de um importante objeto, o que é uma consequência negativa.

Sabemos que crianças são movidas a curiosidade, seu mundo é de descobertas. Inibi-las com castigos frequentes e repressão constante em nada ajudam para a conquista da sua auto confiança e iniciativa. As lições de Monty Roberts, pioneiro da técnica de doma de cavalos sem o uso da violência, e de Nuno Cobra, especialista na busca da excelência do corpo e sua capacidade de vencer, nos servem de exemplos para promover um desenvolvimento a cima da média a nossas crianças, através da promoção das consequências positivas de seus atos corretos e o apontamento das consequências negativas de seus atos errados..

Por hoje trago a tona essas dicas sobre educação e criação infantil. Podemos desenvolver nossos filhos indiretamente para serem adultos auto confiantes, empreendedores e vencedores. Pois no mundo capitalista onde vivemos, quem estiver melhor preparado para vencer, certamente vencerá.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Adotar uma criança pode ser uma experiência incrível

Sabe quando a vida de um casal começa a parecer um sanduíche sem recheio? Pois então, esse pode ser o momento de trazer um pouco mais de vida para dentro de casa através de uma criança.

Não vou adentrar demais nesse assunto, pois tenho uma filha que dispensa comentários, é fonte inesgotável de alegria em nossa casa. Mas para aqueles que ainda não tiveram a sorte de ter um filho através da própria gestação, fica aqui a dica de um desenho animado onde um bandido deseja cometer o maior crime de todos os tempos roubando a Lua do céu, e para isso adota 3 inocentes meninas para concluir sua façanha.

Em resumo, as crianças são encantadoras, e o malvado não consegue deixar de amá-las, mostrando que verdadeiramente filhos são bênçãos em nossas casa se estivermos com o coração aberto para recebê-los.

Assista "Meu malvado favorito" com a família, é engraçado do início ao fim. Com filhos ou sem filhos na sala, é impossível não se divertir e não se encantar com esses personagens.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Família faz a diferença na educação dos alunos

Essa matéria merece ser citada como exemplo e alerta para os pais: O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, tirou nota 8,1 em um universo em que a nota média foi 3,9 nos anos finais do ensino fundamental. E não se trata de uma aventureira: a escola é tricampeã e dona do pódio do Ideb desde que foi avaliada pela primeira, em 2007. Isso em meio a ar condicionado que não funciona, alunos sem merenda e uma greve que já dura quase três meses. (leia a matéria completa nesse link).

Para o diretor do único colégio brasileiro com avaliação acima de 8 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, Alfredo Matos Moura Júnior, a resposta não passa por tablets, redes wifi ou instalações luxuosas.

Confira alguns trechos que selecionei da entrevista publicada no site da Exame.com para descobrir o que é afinal que a escola tem que estimula o desempenho excepcional de seus 411 estudantes da 6ª série do fundamental ao ensino médio e a deixa, inclusive, acima da maioria das particulares, que ficaram com média 6 no Ideb. "Não tem um elemento mágico", é o que garante o diretor.

EXAME.com – Afinal, a que o senhor atribui a fórmula do sucesso do colégio?
Alfredo Matos - Não é um fator apenas. É um conjunto: o próprio interesse e participação dos alunos nas aulas; a atuação do corpo docente instigando este aluno e tentando torná-lo mais crítico e reflexivo; e o suporte dado aos alunos em casa pelas famílias. São 3 fatores básicos que deveriam haver em todas as escolas. É por esta vertente que estamos analisando. Os professores tentam ser o mais abrangente possível e são interdisciplinares. A escola não procura isso (ser campeã), não vive ligada somente a índices e vestibular. Queremos que o aluno saia preparado para a vida e não somente para uma prova.

EXAME.com – Mas a escola está abastecida quando se trata de acesso à tecnologia para educação?
Matos - Não adianta você ter internet wireless, iPads, iPods se você não tem discussão e contato entre professor e aluno. Muitas escolas vendem que você vai receber um tablet, mas se você der o aparato e não trabalhá-lo, não adianta de nada. Recursos tecnológicos são usados? Sim. As salas tem wireless há três anos e projetores multimídia desde este ano. Mas isso é fator que vai fazer o sucesso da escola? Não.

EXAME.com - Como os alunos fazem para entrar?
Matos - O aluno entra basicamente no 6º ano. É um concurso público. Em média, inscrevem-se entre mil e dois mil candidatos para 55 vagas (mais do que a maioria dos cursos da UFPE). É só uma prova de português e outra de matemática.

EXAME.com - Conseguir a excelência é possível apenas com uma seleção muito rigorosa?
Matos - Seleção não é o único fator. O corpo docente influencia muito. O nosso é muito qualificado: 31% são doutores, 47% mestres e aproximadamente 20% graduados. Quando você pega um corpo como esse, em que a maioria tem dedicação exclusiva, isso facilita as ações da escola e a integração de todos os componentes que a formam: alunos, funcionários, professores e as famílias.

Aqui o diretor Matos relacionou alguns fatores que considero primordiais: a qualificação do quadro docente; o interesse dos alunos; e o papel da família em casa. Se você concordar com a linha de raciocínio que eu faço nesse instante, verá que a a família é o principal argumento para promover o interesse pelo estudo do filho/aluno, que por sua vez promoverá uma troca de interesses e conhecimentos muito mais produtivos em sala de aula entre ele, seus colegas e o professor.

Portanto, a mensagem que fica aos pais é essa: antes de cobrarmos exclusivamente do governo por escolas de qualidade, façamos de nossos filhos cidadãos de qualidade, pois educação, respeito e cidadania se aprende primeiro em casa para depois se completar com o conhecimento na escola.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Intercâmbio profissional para filhos de empresários

Um dos principais diferenciais de um profissional na área de administração é a importância e a relevância da experiência prática adquirida naquilo que se propõe a fazer. E considerando esse pensamento é que coloco uma dúvida na cabeça dos empresários que encaminham os próprios filhos para profissionalizar-se em suas empresas: será que a melhor forma de um herdeiro administrar com competência e inovação os negócios da família é aprender a trabalhar ali mesmo, ao lado do próprio pai?

Faço esse questionamento baseado em partes em minha própria experiência de vida. Ter trabalhado sob a gestão de diferentes líderes, ao lado de diferentes pessoas, liderando diferentes funcionários, para buscar diferentes objetivos e enfrentando diferentes problemas ajudou-me a amadurecer e desenvolver múltiplas capacidades de enxergar melhor o trabalho, os processos e as pessoas.

Não me considero um profissional excepcional ou superior a alguém, e sei que a cada dia aprendo coisas novas. Mas as experiências que tive a sorte de obter no decorrer de minha vida profissional hoje são um diferencial indispensável para realizar o meu trabalho, o qual utilizo a favor das empresas onde trabalho.

Onde eu quero chegar com essa introdução é no quanto um profissional, filho de um empresário bem sucedido, é capaz de desenvolver em uma empresa onde não corre o risco de demissão, onde seus fracassos são tolerados, onde sua carga horária é flexível, onde seu salário é variável e onde ele é respeitado incondicionalmente não apenas pelos seus liderados, mas também pelos seus líderes.

Talvez nem sempre todos esse pontos aconteçam nas empresas familiares. Mas via de regra estão ali indiretamente não só na cabeça do filho, mas na de todos os colaboradores que convivem com ele.

Minha sugestão para o tópico é que haja uma troca de contratações entre os filhos de empresários do mesmo ramo de negócios, promovendo assim um intercâmbio profissional sério e com fins de desenvolvimento pessoal para o trabalho.

Os donos de indústrias, por exemplo, poderiam intercambiar seus filhos, promovendo o ganho de experiência em um ambiente "hostil", quero dizer, onde ele será tratado de fato como um colaborador comum e sem vínculos afetivos. Ali cada um terá que dar o melhor de si, terá que "engolir sapos", terá que conquistar a simpatia de seus colegas de trabalho, terá que se acostumar a passar raiva quando contrariado ou quando for vítima de outros trabalhadores sem experiência.

No intercâmbio os filhos terão que aprender a vender suas opiniões e também a acatar opiniões divergentes das suas. Irão sentir na pele o que é a rejeição de propostas e o peso da desmotivação em manter-se em um ambiente onde ele não concorde com os procedimentos impostos. Sentirão também como é ser criticado ou repreendido na presença dos demais colegas de trabalho, e saberão como a empresa lida com seus problemas particulares, de saúde ou financeiros.

Estar na condição de empregado é a melhor escola para aprender a liderar. Sentir na pele a desmotivação no trabalho é o melhor jeito de aprender a motivar liderados.

Acredito com toda a minha força que conhecer o ambiente de trabalho em diversas empresa é uma ferramenta poderosíssima para a valorização de um profissional, e principalmente se esse profissional estiver engajado em assumir uma empresa ou grupo familiar. Não é raro ver filhos acabando com todo o patrimônio construído pelo pai, fazendo isso após assumir um negócio no qual ele não tem experiência suficiente para dar continuidade em um cenário muito mais competitivo e concorrencial do que nos tempos em que seu pai iniciou o negócio.

E para aqueles que gostam de empreender, eis aqui uma sugestão de consultoria pouco explorada comercialmente: empresa promotora e gestora de intercâmbio profissionalizante dirigida à formação de sucessores.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aborto de anencéfalos é a nova vergonha nacional

O significado de vida mudou, segundo o Supremo Tribunal Federal. Diante dessa assertiva, resta pouco a se dizer: “Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo, não existe vida possível. O feto anencéfalo é biologicamente vivo, por ser formado por células vivas, e juridicamente morto, não gozando de proteção estatal. [...] O anencéfalo jamais se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida de vida em potencial, mas de morte segura. Anencefalia é incompatível com a vida”, afirmou o relator da ação, ministro Marco Aurélio Mello.

Além dessa aberração filosófica ainda somos obrigados a ouvir os manifestantes favoráveis e essa decisão que alegam o prejuízo emocional de uma mãe ao ser "obrigada" a conceber um filho diagnosticado anencéfalo.

Diante da ideia do que o futuro nos espera, todo o nosso código penal perdeu o seu valor após essa tolerância criminosa de aborto de um feto anencéfalo. Logo, julgam algumas feministas de plantão, que a dor de uma mãe de conceber um filho anencéfalo é maior do que a dor de assassiná-lo ainda no ventre, já com a estrutura morfológica visível e com o coraçãozinho batendo presumindo que morrerá e trará sofrimento a quem o gerou. QUALQUER FILHO QUE MORRA, ANENCÉFALO OU NÃO, TRARÁ SOFRIMENTO A UM PAI E A UMA MÃE!!

Se o Estado permite à mãe julgar pelo assassinato do próprio filho ainda no útero para valer-se do direito de não sofrer mais tarde com um ser que, segundo o Estado, é juridicamente morto porque jamais se tornará uma pessoa, o que impede da outra mãe julgar um assassino à pena de morte por ter-lhe proporcionado sofrimento idêntico após matar seu filho em um crime qualquer?! Permitir esse tipo de aborto é tolerar a morte do próximo julgando o que ele é ou será no futuro. É o futuro presumido, como no filme de ficção Minority Report. Quem assassinou uma vez o fará novamente, e portanto deve morrer antes que mate outro inocente. Não é o que penso, mas é o que Estado nos faz crer, é onde podemos chegar a qualquer momento na escala de juízo dos legistas.

Esse é o cúmulo do egoísmo: nos livrarmos de algo que pareça um problema antes que seja tarde demais...

Com isso abrem-se também as portas para se legalizar a eutanásia em escala industrial. Para que ficar sofrendo com alguém que vegeta ou que sofre de uma doença terminal se podemos abreviar a vida do moribundo e sermos felizes, seguindo em nossa vida egoísta? E olha que alguns dos anencéfalos sobreviventes nem dependem de aparelhos para realizar suas funções vitais. Se há funções vitais em funcionamento, então há vida sim senhor, e isso só será possível saber após o nascimento.

Cada dia mais estou desacreditando da capacidade de amar do ser humano. E nem estamos falando sobre religião.

Mas também há sensatez no STF

O presidente do Supremo, Ministro Cezar Peluso, "comparou o aborto de fetos sem cérebro ao racismo e também falou em "extermínio" de anencéfalos. Para o presidente do STF, permitir o aborto de anencéfalo é dar autorização judicial para se cometer um crime."Ao feto, reduzido no fim das contas à condição de lixo ou de outra coisa imprestável e incômoda, não é dispensada de nenhum ângulo a menor consideração ética ou jurídica nem reconhecido grau algum da dignidade jurídica que lhe vem da incontestável ascendência e natureza humana. Essa forma de discriminação em nada difere, a meu ver, do racismo e do sexismo e do chamado especismo", disse Peluso."

Para Lewandowski (Ministro Ricardo Lewandowski), o Supremo não pode interpretar a lei com a intenção de “inserir conteúdos”, sob pena de “usurpar” o poder do Legislativo, que atua na representação direta do povo. Ele afirmou que o assunto e suas conseqüências ainda precisam ser debatidos pelos parlamantares.

"Uma decisão judicial isentando de sanção o aborto de fetos anencéfalos, ao arrepio da legislação existente, além de discutível do ponto de vista científico, abriria as portas para a interrupção de gestações de inúmeros embriões que sofrem ou viriam sofrer outras doenças genéticas ou adquiridas que de algum modo levariam ao encurtamento de sua vida intra ou extra-uterina", disse.
(publicado no G1)

Foram os dois únicos votos contra a aprovação da lei.

Protegem mais bicho do que gente!

Onde estão as mobilizações contra a permissão de aborto do bebê anencéfalo? Se fosse alguma lei contra os cães e gatos que se multiplicam aos milhares e ficam soltos pelas ruas transmitindo doenças, tenho certeza que a sociedade já estaria gritando por aí e no Facebook com cartazes de protesto, pois trata-se do princípio de agressão a alguém mais indefeso na cadeia animal. Mas como é apenas um ser humano que ninguém enxerga dentro do ventre, pouca gente se indignou com essa nova lei, pois o que está sendo gerado trata-se da "algo", e não de alguém.

Com isso resta pouco a se dizer, mas muito a se indignar com o que realmente tem valor hoje na vida das pessoas...

sábado, 10 de março de 2012

Instituto Alana e o combate ao consumo infantil de cerveja

Publicidade é coisa séria, principalmente quando proporciona estímulo para mudanças comportamentais com impacto negativo na sociedade. E nesse contexto algumas entidades ou organizações não-governamentais têm lutado com as poucas armas de que dispõem para que o motor capitalista não supere a responsabilidade social.

Quero citar aqui o trabalho do Instituto Alana e sua missão. Desde 2005, o Projeto Criança e Consumo desenvolve atividades que despertam a consciência crítica da sociedade brasileira a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes. Debater e apontar meios que minimizam os impactos negativos causados pelos investimentos maciços na mercantilização da infância e da juventude, tais como o consumismo, a erotização precoce, a incidência alarmante de obesidade infantil, a violência na juventude, o materialismo excessivo, o desgaste das relações sociais, dentre outros, faz parte do conjunto de ações pioneiras do Projeto que busca, como uma de suas metas, a proibição legal e expressa de toda e qualquer comunicação mercadológica dirigida à criança no Brasil. (leia mais aqui)

No que se refere à publicidade de bebidas com alto teor alcoólico, ela é regulamentada pela Lei nº 9.294/1996 e só pode ser veiculada pelas emissoras de rádio e TV entre 21h e 6h. No entanto, o Art. 1º, Parágrafo único, diz que "Consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac".

Diante disso, o Instituto Alana realizou uma ação dirigida à personalidades artísticas de nosso país como  Adriane Galisteu, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Dani Bananinha, Bento Ribeiro, Hélio de La Peña, Leandro Hassum, Malvino Salvador, Márcio Garcia e Ricardo Tozzi , as quais receberam cartas, por meio do Projeto Criança e Consumo, que alertavam sobre o que pode significar emprestar seus nomes a uma marca de cerveja.

"São todas personalidades do cenário nacional e que recentemente apareceram em campanhas de cerveja. Questionamos o fato de estarem nas propagandas porque temos uma discussão muito séria com a questão do horário em que elas são veiculadas", conta ao Adnews a advogada e coordenadora-geral do Criança e Consumo, Isabella Henriques.

Não é uma guerra do Alana contra a divulgação das cervejas, apenas um trabalho de conscientização. "Nosso ponto é que essa publicidade pode ir ao ar a qualquer hora do dia. E o peso de uma celebridade é muito grande na hora de influenciar as escolhas de uma criança", diz Isabella, que explica: "Talvez essas celebridades nem conheçam os detalhes da legislação e emprestam todo o prestigio que têm à publicidade de cerveja."

A propósito, você já viu algo mais insensato do que utilizar um jogador de futebol ou qualquer outro atleta como garoto propaganda de cerveja?! Crianças imitam o corte de cabelo, o tipo de boné, querem comprar as mesmas roupas e sapatos dos atletas... não é de se imaginar que vendo seu ídolo promovendo uma cerveja sintam também vontade de experimenta-la e consumi-la? Já que os fabricantes não estão nem aí para o impacto social, os atletas poderiam ser mais seletivos e responsáveis com os contratos que fecham. Destaco mais uma vez o super craque do futsal e inigualável Falcão (www.falcao12.com), que gerencia como poucos sua carreira de sucesso e sua imagem.

Um dos parágrafos da carta dirigida aos artistas eu quero citar aqui para seu conhecimento: "Vale lembrar que a cerveja representa mais de 70% de todo o volume de álcool consumido no país, além de ser a primeira bebida a ser consumida pelo jovem. Segundo dados do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), 42% das crianças brasileiras com idade entre 10 e 12 anos já consumiram bebida alcoólica e 10% da população com idade entre 12 e 17 anos preenchem critérios para ser classificada como dependente do álcool." (leia o conteúdo da carta na íntegra aqui)

Com esse post quero dedicar meu apoio à causa defendida pelo Instituto Alana e convidar meus amigos leitores a apoiá-la e difundi-la também. Lembrem-se sempre de observar como é que seus artistas preferidos se comportam diante da sociedade, que influência eles exercem sobre nossos filhos e se utilizam de forma responsável ou mercenária sua imagem admirada por tantos fãs.

Vejam nesse link as campanhas e animações produzidas pelo Instituto Alana sobre álcool, erotização, obesidade, etc, e aproveitem para divulgá-las nas escolas e para seus filhos.

O combate às drogas

Quero aproveitar que estou no tema relacionado ao vício adquirido já na infância e adolescência e destacar a contribuição positiva da Rede Record nesse assunto. A novela Vidas em Jogo está passando em sua trama o caso de um personagem jovem que, frustrado com sua carreira como jogador de futebol, atirou-se no mundo das drogas e experimentou o crak.

A trama mostra abertamente no que transformou-se o rapaz imaturo e o que a droga provoca em seu corpo e sua mente, além de apresentar todo o drama da família na dura realidade de um ente viciado que não consegue mais dominar sua própria vontade.


A mídia tem condições de ilustrar essa situação e influenciar positivamente seus expectadores. Basta querer...

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Educação infantil: a casa como extensão da escola

Essa semana eu estava relembrando de uma reunião que tivemos na escola Nobel, onde minha filha estudou aos 4 anos de idade. Foi um encontro muito útil, pois a escola apresentou formalmente aos pais sua metodologia de ensino e fez algumas considerações para que os pais participem positivamente do propósito de ensino da escola. Esse evento é muito válido e deveria ser promovido por todas as escolas. E a nós, pais, cabe cobrar isso dos centros de educação onde matriculamos nossos filhos em período pré-escolar até o primeiro grau.

Dentre as diversas considerações, a que mais me chamou a atenção foi sobre o fato de os alunos sentarem em grupinhos de 4 na mesma mesa. O objetivo desse técnica é que as crianças aperfeiçoem suas percepções por comparação, ou seja, sem serem ensinadas para refazer o que não ficou bem feito.

Assim, após a professora pedir que desenhem sua família, cada criança terá sua própria forma de expressar através do desenho. Segundo o seu grau de desenvolvimento algumas farão desenhos mais complexos do que outras, e é aí que ocorre o aprendizado por comparação. As crianças poderão ver tudo o que seus coleguinhas fazem, e sempre que identificarem algo mais bem feito do que o seu, estarão propensos a copiar e melhorar sua percepção sozinhos.

A ideia parte do princípio de que cada escola pode até variar em sua metodologia de ensino, mas a recepção e a absorção do conhecimento varia de criança para criança. Assim, se você sempre estimular a criança e parabenizá-lo pelo que ela produziu estará contribuindo para que ela produza sempre, sem medo das críticas.

Mas se a professora ou os pais forem críticos...

Mas ao contrário, se alguém criticar ou disser que o que ela fez está errado, ou fizer qualquer menção negativa sobre o que ela apresentar poderá estar construindo uma barreira que a impeça de fazer seja lá o que for mais vezes. Estará limitando sua criatividade e iniciativa em produzir mais e melhor. Se ela tentar escrever o próprio nome e o fizer errado, com letras sem proporção ou com qualquer outro erro, mesmo assim você deve parabenizá-la e elogiar pelo que fez sem medo de que esse erro se perpetue. No tempo certo ela passará a escrever corretamente.

Fiquei muito feliz em ter participado desse encontro na escola e aproveito aqui para dividir com os amigos, pais e mães para que pratiquem também  essa técnica em suas casas:

1 - Parabenize seu filho de até 6 anos por toda a obra que ele construir: desenhos, pinturas, objetos, escrita, etc;
2 - O melhor que você tem a fazer é imitar o que ele fez, mas de forma correta. Mesmo assim, parabenize a obra dele e permita que ele veja a sua obra. E por comparação, no tempo devido, ele sozinho conseguirá fazer algo tão bem feito quanto o que você fez;
3 - Jamais critique ou desestimule seu filho por algo que ele tenha produzido, mesmo que pareça uma verdadeira aberração. No tempo certo ele aperfeiçoará sua obra sozinho, apenas observando a maneira dos outros fazerem.

Preguiça de pintar

Outra informação que me chamou a atenção é sobre a complexidade de alguns trabalhinhos que eles produzem. Como o movimento das mãos, dos dedos e do punho ainda não está plenamente desenvolvido, algumas crianças têm dificuldade em pintar, ou seja, pintam meio rabiscado ou de forma parcial algum desenho.

Se você ver que o desenho ou pintura de alguma criança da mesma idade de seu filho parece melhor, não se preocupe com isso por enquanto. Não é necessariamente sinal de preguiça ou desleixo de seu filho. Na maioria das vezes é apenas cansaço pelo pouco desenvolvimento dos músculos das mãos. O mesmo ocorre com recortes, onde a falta de coordenação motora é absolutamente normal, e o tempo de evolução varia de criança para criança.

O papel dos pais em casa

Por isso acho importante que as escolas dividam com os pais determinados assuntos, pois pais desinformados podem cometer erros e acabar inibindo a criatividade e o desenvolvimento de seus filhos com críticas desnecessárias ou fazendo comparações depreciativas com outras crianças mais avançadas.

É bom lembrar que muitas crianças tornam-se complexadas ou inseguras justamente pela falta de experiência em educação dos próprios pais, que dentro de casa acabam cometendo alguns erros que podem atrapalhar por todo o desenvolvimento estudantil e pessoal de seus filhos.

Mas não misturem o desenvolvimento cognitivo das crianças com a disciplina e respeito pelos pais. Estou falando aqui sobre aprendizado escolar, diferente de disciplina, o que demandaria uma outra abordagem.

Portanto fica aqui a minha dica. Filhos positivos produzem mais e melhor. Pais positivos promovem o aprendizado e estimulam o desenvolvimento de seus filhos de forma mais satisfatória. Sejamos incentivadores incondicionais de nossas crianças em sua primeira etapa de aprendizado. Tudo o que eles fazem está correto,  é lindo e merece os parabéns!

Tenho certeza que muitos pais e mães têm boas experiências para compartilhar aqui conosco. Quem puder somar informações a esse post, será bem vindo aqui nos comentários.

Saudações a todos!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O menino maluquinho que há em você

Um dia desses, arrumando uma caixa de livros e separando alguns para doação, encontrei o livro O menino maluquinho, de Ziraldo, em sua oitava edição quando o ganhei de amigo secreto na segunda série do primário em 1982.

Deixei-o de lado e logo minha filha o encontrou, folheou e pediu para que eu o lesse para ela. Não pude resistir e matei a saudade daquela obra tão peculiar. Rimos e demos gargalhadas juntos, e Ana Clara ria como nunca com as maluquices do menino! Foi um momento de arrepiar... pena que a história acabou, poderia ser mais longa.

É incrível como Ziraldo foi capaz de sintetizar o que era uma criança feliz, cheia de vida, autêntica em sua criancice...

O menino maluquinho é um livro indescritível, pois emociona com sua linguagem sutil, leve e divertida, quase uma prosa, uma poesia misturada em narrativa.

E coloquei-me a pensar: como foi gostosa a minha infância! Pude rever minha história, quase tão parecida com a desse menino. E como era bom observar as crianças na escola, junto a minha filha, todos com sua inocência tão bem narrada pelo Ziraldo em sua obra.

Nós adultos devemos observar mais nossas crianças, com olhos de quem já foi criança também, e participar das brincadeiras delas, das maluquices que elas apresentam na sua forma simples de ver o mundo, nas suas fantasias.

Sentando ao lado delas e compartilhando de suas brincadeiras com paciência não precisaremos mais de terapia ocupacional para aliviar o stress do trabalho, não precisaremos fazer yoga para limpar a mente e nem sessões de relaxamento para amolecer os músculos e a tensão do corpo.

Crianças são bênção de Deus, e se não nos aproximarmos delas com amor e participarmos de seu crescimento vivenciando a forma como passam seu tempo e evoluem devagarinho, deixamos de passar mais uma vez o melhor da vida. Pois depois de viver a nossa própria infância, temos a chance de fazer isso tudo de novo ao lado de nossos filhos e netos. Mas quantos pais desperdiçam essa oportunidade...

Por isso eu recomendo: se você não tem esse livro em casa, compre e leia toda noite para seus filhos. O menino maluquinho tem muito a nos ensinar com emoção e alegria. O menino maluquinho é aquele que gostaríamos de ser se pudéssemos voltar no tempo.

Pois você vai ver que um menino como ele na verdade não é um menino maluquinho. É apenas uma criança feliz!

Anda, corre lá na livraria, compre o livro! E boa leitura!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Volta às aulas: alguns conceitos escolares para serem melhor observados

O mundo está passando por um processo de mudanças sociais tão intenso que até o papel da escola no seu objetivo de formação e educação de pessoas fica confuso perante muita gente.

Digo isso porque eu mesmo demoro a consolidar uma opinião a esse respeito, pois ao que tudo indica, há uma tendência em focar essa reformulação sob a insígnia da "construção do conhecimento", ou seja, permitir que as crianças adquiram conhecimento de forma indireta e não mais direta como nos antigos livros didáticos.

Assim, compreende-se que ao interagir com o mundo físico, as crianças aprendam quais são as formas geométricas, cores, letras e palavras, não mais na velha e antiga ordem de apresentar as coisas e dizer-lhes o nome.

Meu questionamento não é sobre esse método, que comprovadamente é muito eficiente, mas no fato de que uma criança já não mais saberá quais são os limites entre o aprendizado indireto para o conhecimento científico e para a sua evolução social.

Em outras palavras, uma coisa é aprender o abecedário pelo método indireto, assim como aprende-se inglês pelo método da conversação, e outra coisa é absorver valores sociais pelo mesmo método.

Os amigos que já me acompanham aqui no blog a algum tempo sabem que tenho imensa preocupação com a formação de cidadãos. Na minha linha de pensamento, acredito que a humanidade está perdendo os valores a uma velocidade meteórica, o que não é uma notícia boa partindo do princípio de que o homem está se tornando um ser egoísta, construindo suas próprias regras e estabelecendo suas próprias doutrinas. Isso com a tolerância das escolas que, sem perceber, vêm transformando a educação (e também a formação social) em uma conquista individual, onde os novos auto-didatas chegam sozinhos às conclusões desejadas pelos professores em sala de aula.

Mas será que as crianças conseguem separar a educação científica da concepção de valores humanos? Certamente não. E será que as escolas estão sabendo implantar a disciplina, o respeito ao próximo e educação para se conviver em sociedade nas crianças? Acredito que não...

Quando minha filha tinha entre 2 e 3 aninhos, voltou da escola mordida por outra criança, e já não queria ir à escola no dia seguinte. Procurei a diretora e a professora para saber se elas sabiam o que tinha acontecido, e elas me disseram com a maior tranquilidade que "isso era normal entre crianças, e iria acontecer mais vezes, não era preciso me preocupar". Eu respondi que não me importava que isso acontecesse, mas que eu queria saber o que a escola fazia após um incidente como esse. Pois se minha filha mordesse ou agredisse alguma criança era para ser disciplinada imediatamente, separada das outras, ficar uns minutinhos de castigo e depois conduzida a pedir desculpas para o amiguinho agredido. Que a criança não saiba diferenciar o certo do errado eu compreendo. Mas se não ensiná-los e discipliná-los, jamais saberão essa distinção!

A sociedade está privando as crianças de aprender a diferença entre o certo e o errado, e elas aprendem isso na TV e na lei do mais forte das escolas.

Como se já não bastasse a baixa qualidade do pouco tempo que os pais passam juntos com seus filhos, ainda temos que saber que as escolas não vêm dando a sua contribuição social na formação humana de nossas crianças. Assim formaremos pessoas sem regras, pessoas questionadoras, pessoas formadoras da própria opinião mas sem um parâmetro para embasar seus valores próprios.

Muitos podem achar bonita essa nova formação social, como uma espécie de liberdade de pensamento. Mas eu vejo isso como uma forma de tirar a força da disciplina baseada em princípios reguladores de conduta.

O dia do brinquedo

Na escola de minha filha, como na maioria delas, há o dia do brinquedo na sexta-feira. Nota-se claramente que crianças vêm o que as outras têm e desejam ter o mesmo brinquedo. Ou seja, um cachorrinho de controle remoto de 400 reais, uma boneca que come papinha e faz cocô de 300 reais, além dos novos modelos de Barbie não menos baratas. Imagine se as outras crianças não ficam desejando os brinquedos inovadores que alguns colegas trazem nesse dia! É claro que ficam. Por isso eu queria compreender qual a utilidade do esperado "dia do brinquedo", a não ser provocar uma série de sentimentos ruins entre as crianças: desejo, inveja, frustração, egoísmo (muitas crianças não compartilham seus brinquedos com as outras), indiferença (algumas podem entrar no grupo para brincar e outras não), prepotência, etc.

O dia do brinquedo para muitas crianças é um momento de frustração, enquanto que para outras é um momento de exibicionismo e auto-promoção. O dia brinquedo promove o consumismo, pois crianças querem ter o que as outras também têm simplesmente para se enquadrarem no seu círculo social. Igual aos adultos! Um sentimento que vai dominar suas decisões para o resto de suas vidas, fazendo-os gastar desnecessariamente apenas por uma questão de status.

Por que é que as escolas não fazem do dia do brinquedo um dia de construção e criatividade, pedindo às crianças que levem toda sexta-feira cacarecos de casa para reciclar e construir brinquedos em grupo? Solução muito mais divertida e agregadora do que a velha e preguiçosa estratégia de perder meio dia de aula para fazer aquilo que já é feito todo dia em casa...

Uso de acessórios

As escolas também deveriam limitar as crianças ao uso de acessórios. Se existe um uniforme, onde um dos objetivos é manter uma certa harmonia e igualdade entre os membros daquele grupo, o propósito passa a ser descaracterizado na medida que permite-se o uso de relógios, pulseiras, correntes, cintos e bolsinhas.

Sim meus amigos, as meninas têm ido à escola de maquiagem e batom já desde os 5 anos de idade! E com isso, o processo de imitação e segregação é imediato, pois duas ou três crianças imitam, e se alguém não entrar nessa rodinha com o mesmo aspecto das demais, se sentirá inferior e segregada do grupo. Quem está ganhando com essa cultura consumista e de pré-molde que a sociedade impões desde a pré escola?!

E nós, pais que procuramos criar nossos filhos de uma forma simples e feliz, somos obrigados a permitir que elas se "fantasiem" para ir à escola, já sem saber se é pior o complexo de inferioridade que ela possa sofrer sendo "diferente" das demais ou se é pior o fator consumista estabelecido pela sociedade.

E eu aqui faço essa pergunta: vocês, pais de crianças pequenas, têm observado e discutido esses e outros aspectos junto à equipe pedagógica da escola de seus filhos?

Aqui está só o começo de um longo e duro debate frente às novas teorias educacionais e sociais... Precisamos pensar mais nesses assuntos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Uma Barbie careca melhoraria a autoestima de uma criança doente?!


Esse é um post que demorei um pouco para escrever porque estava ainda digerindo a ideia a respeito de um assunto tão complexo. O fato é que há um apelo popular rolando nas redes sociais para que a Mattel produza uma boneca Barbie careca.

A ideia é que a boneca ajude crianças a lidar com a perda de cabelo provocada pelo tratamento contra o câncer ou por alguma outra doença, como a alopécia e a tricotilomania. Os pais de crianças com câncer, que iniciaram a campanha, acreditam que a iniciativa pode aumentar a autoestima de seus filhos doentes (ou que veem seus parentes doentes), pois, ver um símbolo da beleza careca, faria com que se sentissem também bonitos e mais incluídos na sociedade.

Em outras palavras, minha análise a essa questão é mais simples do que a confecção da nova boneca faz parecer: a Mattel produz bonecas de acordo com aquilo que a opinião popular valoriza: mulheres de físico escultural, esbeltas, de pele clara, cabelos longos e bem sucedidas. 

Por isso não existem Barbies de classe média, existem poucas mulatas, poucas japonesas, nenhuma indígena ou de ascendência inca (como as sul-americanas do oeste), nenhuma com Síndrome de Down, nenhuma de estatura média, nenhuma obesa e nenhuma de peito caído, ou pelo menos com o aspecto de uma pessoa normal, mãe de três filhos, pois a Ana Hickmann é exceção...

Mas voltando ao assunto dessa boneca, acho triste um pai comprar uma Barbie careca, quando seu maior desejo de fato é ver a filha recuperar-se de um quadro tão amargo. O mesmo eu diria de um pai cuja filha sofre com a obesidade, e que inclusive muitas delas sofrem com esse complexo na escola. Tudo o que uma criança obesa deseja ser é "bonita" igual à Barbie original ou igual à todas as demais crianças magricelas à sua volta. Quem vai querer uma Barbie gorda em uma sociedade que a chamam (mesmo que indiretamente) pejorativamente de GORDA!!

A solução para esse assunto, que em sua essência é o momento complexo de alguém estar com um aspecto diferente daquilo que chamam de "normal", é simplesmente que a mídia pare de valorizar padrões estéticos fazendo com que todos os que não se assemelhem a esse padrão sintam-se feios ou diferentes.

Quem não se lembra daquela novela onde a cena mais comentada foi a Carolina Dieckmann raspando a cabeça para iniciar seu tratamento de câncer? Aquela cena traria conforto a alguma criança na mesma situação? A direção da Globo só pensou no impacto dramático e na interpretação da atriz naquele momento, mas não imaginou o quanto aquilo doeu no coração de tantas famílias.

E cabe aqui mais uma crítica à emissora e ao Sr. Pedro Bial e seus comentários sobre o shape das beldades do BBB. A insatisfação com o próprio corpo e a não aceitação de si mesmo na forma como estamos é o preço que todos nós pagamos por dar valor aos veículos de comunicação de maior audiência desse Brasil, onde a casca vale mais que o conteúdo. 

O dia que o conteúdo tiver mais valor do que o aspecto exterior pouca gente se importará com quem está careca, gordo, banguela ou com a perna torta. Antes de produzirem uma Barbie careca acho que deveriam produzir uma Barbie inteligente, que passasse menos tempo desfilando e mais tempo estudando. E quem sabe assim a mídia pare de mostrar pessoas de corpo escultural nas novelas e passe a mostrar pessoas reais, em atividades reais e com sentimentos reais, independente de seu peso, altura ou largura.

Por isso não vejo em quê uma Barbie careca ajudaria a aliviar a dor de crianças com câncer. Ali vale mais o apoio dos pais em fazê-las sentir-se bem a vontade, conviver e divertir-se com elas como crianças normais e principalmente fazê-las sentir-se felizes em seu dia a dia, fugindo daqueles que preocupam-se demais com a beleza e aproximando-se dos que falam mais sobre a felicidade.

sábado, 3 de dezembro de 2011

O ser humano sustentável começa dentro de casa

Você está criando seu filho para ser um adulto sustentável? A pergunta pode até parecer estranha, mas é pertinente. Veja só uma coisa: baseado na sustentabilidade, estamos buscando fazer com que os recursos sejam renováveis, que não haja desperdício e nem extração em excesso, que não se altere em definitivo determinadas configurações naturais do planeta e coisas do gênero, visando promover um mundo melhor apesar do avançado estágio de degradação de nosso habitat original.

Baseado nessa análise, coloco você a fazer uma avaliação no processo de educação de uma criança para poder responder à pergunta: seu filho será um adulto sustentável? Ele será capaz de promover uma sociedade justa, ética, saudável e responsável?

Vamos aos itens:


1 - Seu filho quando nasce é declarado HOMEM ou MULHER. Nesse caso deve ser criado para pensar e agir como tal. O homem em sua essência é o provedor de recursos, é o que protege a família, o que age com a cabeça. A mulher é quem gerencia a família, amamenta e cria filhos, provém os recursos para apoiar o homem em sua rotina, a que age com o coração. Isso não significa que ambos estejam inaptos ou proibidos para inverter e compartilhar os papéis e funções quando adultos (o que vai acontecer naturalmente), mas na educação de crianças acredito que elas devam ser encorajadas a reconhecer o seu papel em uma relação coletiva e matrimonial, respeitando-se a ordem natural e orgânica do ser humano que pode, mesmo que subjetivamente, ser preservada para que haja uma escala de valores a ser seguida por toda a vida.

2 - Seu filho quando cresce conhece a si próprio como FILHO, ou seja, é dependente e deve OBEDIÊNCIA ao pai e à mãe. Assim deve ser introduzida a disciplina, onde desde cedo o filho vai compreender que por toda a sua vida deverá obedecer a determinadas hierarquias, aprendendo que há momentos para obedecer e momentos para mandar. A criança que não aprende disciplina será um problema para a sociedade no futuro. Mas cuidado: disciplina não é repressão e nem espancamento. O castigo e a palmada educativa devem ser dados na medida certa. Há livros que ensinam como disciplinar crianças, vamos estudar para fazer bem feito.

3 - Seu filho após certa idade aprenderá a fazer distinção do CERTO e do ERRADO, já saberá fazer juízo das coisas, e portanto estará apto a receber lições sobre RESPEITO. A criança que aprende a respeitar compreende seu espaço e seu papel em um contexto social. Viver coletivamente obriga os pais a ensinarem o que é respeito, tolerância e humildade para saber decidir o que é bom para todos e o que é bom para si, para que assim aprenda a desfrutar de tudo o que se gosta, mas sem prejudicar quem está em sua volta.

4 - Crescendo mais um pouco seu filho iniciará a sua luta pessoal àquilo que seu coração almeja, e aí entram os conselhos sobre o que é LÍCITO e o que é CONVENIENTE. A criança deve aprender a discernir o que é bom e o que é ruim, pois já estará capacitada a fazer avaliações mais elaboradas sobre tudo o que está em sua volta. Não o estimule à vaidade, pois isso gera consumismo pelo fútil. Faça-o convicto de que ele é bonito por natureza, e deixe que preocupe-se com colares, brincos, artigos de grife e maquiagem depois de adulto. Explique a ele o que não faz bem para sua saúde, como o cigarro, a bebida e as drogas, e assim poderá ficar tranquilo com sua capacidade de compreensão e decisão diante da oportunidade que aparecer-lhe de experimentar. Lembre-se que o seu vínculo e relacionamento estabelecido com ele desde bebê o fará aceitar facilmente seus conselhos. Mas não deixe de explicar suas razões, para que ele concorde com os motivos de sua argumentação sobre todas as coisas abordadas. Criança é como uma esponja seca: é capaz de absorver e aprender muito mais do que você possa imaginar. Não deixe de ensiná-lo em casa antes que ele chegue às próprias conclusões assistindo Malhação, Rebeldes, Pica-pau e Xou da Xuxa.

5 - Na fase entre 3 e 10 anos poderá estimulá-lo a fazer o bem, de modo que ele sentirá prazer em COMPARTILHAR seus brinquedos, seu lanche e suas brincadeiras com outras crianças. Isso fará dele um moço e um adulto sem egoísmo, desapegado das coisas materiais e não-consumista. A idéia de posse e vaidade na infância não traz nenhum benefício à criança, e ajudá-la a partilhar suas coisas com outras pessoas o fará um adulto mais leve e menos compulsivo em "possuir".

6 - Instintivamente seu filho aprenderá que vencer é bom e a COMPETITIVIDADE surgirá naturalmente de dentro dele. Ali cabe aos pais dosar sua competitividade para que seja algo saudável e não destrutivo, substituindo a rivalidade pela busca por um melhor desempenho e consequente vitória. A rivalidade e a frustração mal trabalhada pode alimentar a inveja e a trapaça, sentimentos que não devem ser introduzidos na vida da criança. Não o desestimule a vencer e aceite que ele se aborreça após uma derrota, mas nessa situação não deixe cair o seu semblante e mostre com otimismo que com mais treino poderá evoluir cada dia mais naquilo que gosta. Ensine-o a valorizar as qualidades de seus oponentes, pois é importante saber reconhecer que você não é o melhor em tudo, pois há também pessoas muito boas além de você. Isso ajudará seu filho a ser um adulto maduro e humilde, porém entusiasmado em superar suas fraquezas.

7 - Durante seu amadurecimento a criança já começa a perceber claramente o que é seu, e aí os pais devem ensiná-lo a ZELAR, pois tudo tem um preço, e mesmo que algo deixe de servir para a criança por alguma razão, esse objeto, roupa ou utensílio pode ser utilizado também por outras crianças, desde que ele tenha zelado do que era seu.

8 - Algo que mesmo sem pensar a criança começará a decidir é sobre o que ela gosta de COMER. Sobre esse assunto os pais devem ter máxima atenção, ajudando-o a conhecer os alimentos e saber que benefícios eles trazem para sua saúde. Não é preciso privá-lo de coisas que ele vai ter acesso mais cedo ou mais tarde, como balas, refrigerantes e chips, mas é preciso ensiná-lo que seu consumo desenfreado não lhe faz bem, e que eventualmente podem ser consumidos apenas para saciar a vontade. A criança deve ser estimulada a experimentar todo tipo de alimento natural, e seu consumo deve ser levado a sério, para que cresçam bonitos e saudáveis. Não faça da magreza uma necessidade. Se ele alimentar-se corretamente terá saúde, sendo mais magro ou mais gordo em seu esteriótipo, e isso não faz a menor diferença.

9 - Ao adquiriem habilidade em alimentar-se com as próprias mãos as crianças já podem ser ensinadas a HIGIENIZAR-SE. Ensinando desde cedo sobre a importância da limpeza e sobre os prejuízos e riscos da sujeira, formaremos filhos responsáveis e zelosos de si mesmos e do seu habitat, cumprindo instintivamente com regras simples como escovação dos dentes, lavagem das mãos e depósito do lixo em cestos de lixo.

10 - As crianças devem ter sua AUTO ESTIMA sempre estimulada para que se sintam capazes, queridas, admiradas e principalmente amadas. Elogios são bem vindos, mas nunca em tom comparativo para que se sintam melhores ou mais belas do que alguém. Apenas elogie, vibre, parabenize por coisas que eles produzam, criem ou apresentem a vocês. Isso fará deles pessoas positivas e também estimuladoras de outras pessoas para que todos alcancem o sucesso. Crianças positivas aprendem melhor, gostam de aprender e de apresentar bons resultados, e o seu desempenho escolar será sempre bom, tornando a escola um lugar gostoso para eles. Crianças positivas são seguras de si, não têm complexos e não são presas fáceis do bullying. Mas a sua auto afirmação deve ser estimulada pelos pais, para que tenham sempre uma boa auto estima.

Essas são minhas dicas para a formação de adultos sustentáveis. As ferramentas para se chegar a cada uma delas são muitas, e invariavelmente são dependentes de muito AMOR, dedicação e cumplicidade através dos pais. A religiosidade é muito importante para a formação de um adulto, pois a criança poderá crescer inspirada e condicionada a algo por toda a sua vida. Através da religião ela terá um norte para guiar seus passos e sua conduta. Seguindo uma religião e tendo Deus como seu guia a criança jamais se perderá mesmo diante de percalços, pois saberá que há Alguém a quem recorrer e Alguém que o acompanha silenciosamente a todo instante.

Formando adultos sustentáveis poderíamos, quem sabe em um futuro distante, abolir as cadeias, os reformatórios de menores, a poluição, a guerra, a miséria, o ódio...

E é por isso que acredito que a construção de um mundo melhor cabe aos pais. Se todos fizessem a sua parte hoje não estaríamos reclamando da corrupção, da droga, da poluição e das injustiças sociais.

Nunca é tarde para iniciar a construção de um mundo melhor através de adultos sustentáveis. Promova essa ideia!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Minha família, meu tesouro, minha vida...

Essa eu não poderia deixar de contar aqui no meu blog. Na semana passada estávamos assistindo a uma novela quando a filha de um casal, revoltada com o castigo decretado pelo seu pai gritou repetidamente: "Pai, eu te odeio!! Eu te odeio!!".

No mesmo instante, minha filha virou, pulou no meu colo, deu-me um abraço e disse "Papai, eu te amo!".

Criar os filhos com amor, fazendo deles pessoas do bem e que sintam-se amadas não custa nada, está em nossas mãos.

E receber uma declaração espontânea como essa, definitivamente, não tem preço...

Minha família é o meu maior patromônio. Não há presente de Natal que supere a alegria de um lar onde prevaleça o amor todos os dias. 

Deus abençoe você e a sua família!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sim, você faz falta para quem te ama!

Vou compartilhar com vocês um vídeo que me emocionou muito essa semana. Ele mostra cenas de soldados norte-americanos voltando e reencontrando seus filhos em um momento inesperado.

É realmente lindo ver como é gostoso o reencontro de pessoas que se amam, e deixa uma lição: crianças sentem a falta do pai, assim como sentem da mãe.

Podemos escolher entre amar incondicionalmente nossos filhos e conjuge e estar sempre perto deles ou buscar nossa exclusiva satisfação pessoal ou profissional deixando tudo para trás em busca de uma aventura qualquer, logo ali...

Querem cuidar do planeta, da natureza, da água, dos animais, falam em sustentabilidade, etc. Fazem campanha contra o fumo, a maconha, a bebida, o câncer de mama, a defesa do consumidor, a doação de sangue, etc. Mas não tenho visto alguém promover ações pela união e fortalecimento da família, por uma sociedade de valores presentes e enraizados no caráter desde a infância, pela presença do pai e mãe na vida dos filhos. Será que estamos perdendo o foco na velha e boa escala de valores e deixando coisas valiosas que estão bem ao nosso lado perder a prioridade para outras necessidades que serão apenas consequência de nossos atos presentes? Que importância tem o seu filho? Responda você...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Eu me desenvolvo e evoluo com minha filha

Ontem a noite eu recebi mais uma lição de minha filha de 5 anos. E foi bem pontual, em um momento muito oportuno.

Estávamos em casa, lá pelas 22h, e enquanto eu dava um acabamento melhor nas roupas passadas pela empregada notei que a pequena passou discretamente e ficou meio escondida atrás do armário. Costuma brincar de se esconder, mas vi que não tratava-se de uma brincadeira. Chamei por ela e perguntei o que foi, e ela respondeu baixinho "não é nada". Fui até lá e a vi com os olhinhos vermelhos, e me pediu colo.

Peguei no colo e o chorinho fazia correr muitas lágrimas, tinha sentimento ali. Perguntei o que aconteceu e ela não respondia. Fui tentando adivinhar o motivo e tudo o que perguntava a resposta era não. Sentei com ela e insisti dizendo que se ela não me contasse eu não poderia ajudar.

Por fim, em meio aos soluços, ela disse abraçadinha em mim "eu não quero que você morra...". Fiquei muito espantado, abracei-a e disse que podia ficar tranquila, que eu não ia morrer, que ainda não estava velhinho, e coisas desse tipo. Depois tentei saber por que ela estava preocupada com isso, se alguém disse alguma coisa, se ela viu algo na TV, ou se sonhou com isso, mas não descobri o motivo de sua preocupação. Só no dia seguinte é que minha esposa conseguiu saber que ela lembrou-se do dia em que estivemos no velório de um amigo e que viu o homem morto ali, e de repente lembrou-se disso e associou que o pai dela poderia morrer também.

Bem, o fato é que minha esposa tirou disso uma lição e me falou: "você tem andado muito estressado, muito exigente com tudo e com todos. Está na hora de ficar mais leve e curtir mais as coisas que estão em nossa volta".

E é verdade... Tenho sido demasiadamente racional, e minha pequenina é predominantemente emocional. Contudo ela tem apenas 5 aninhos, e eu com meus 37 deveria ser mais capaz de equilibrar as coisas e aumentar a dose de emoção em meio a tanta razão.

Com isso, devo dedicar menos tempo preocupando-me com as mazelas do dia a dia, com a falta de empenho e desinteresse de muitos funcionários, com a falta de compromisso de alguns fornecedores, e prestar mais atenção na vida e na doce companhia de quem está sempre ao meu lado.



Eu amo demais essas duas mulheres, são o meu maior tesouro, as garotas da minha vida!!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Trabalho infantil: as duas faces da moeda

Discutir e criticar o trabalho infantil é um assunto complexo. Preparar a criança para o futuro ou utilizá-la para viver no presente?

Não são todas as famílias que vivem o conforto do repórter do jornal que convoca seu público a boicotar a compra de produtos que tiveram o trabalho infantil envolvido em sua produção, o que segundo ele (e segundo a lei) é crime.

No Brasil a pobreza é tão grande que o trabalho infantil pode sim ser muito positivo para que parte dos recursos para a família sobreviver não venham através do crime e da mendicância, mas do trabalho. Inclusive o infantil...

Mas o governo prega que lugar da criança é na escola. Que escola?! No Objetivo, Medianeira, Positivo, Dom Bosco, Bandeirante, Mackenzie, ou na precária rede pública?

Criança que trabalha não é filha de rico, e ao contrário do que se propaga por aí, não trabalha porque a mãe lhes obriga, mas porque precisa de um pãozinho e de um copo de leite para tomar pela manhã! Ela e seus irmãozinhos menores...

Não sou a favor do trabalho infantil. Na essência a iniciativa do governo está correta. Mas na prática, o mesmo governo não oferece condições para que as famílias sobrevivam enquanto seus filhos estudam, e em escolas com o mínimo de condições para a sua educação, segurança e inserção social como cidadãos responsáveis. Aquela esmola que chamam de Bolsa Escola não é a solução, está longe da realidade das milhares de famílias de baixíssima renda que o governo não mostra em suas campanhas institucionais.

Vamos entrar em um acordo: primeiro o governo precisa modificar o contexto de leis do Ministério do Trabalho que se, por um lado, visam "proteger" o trabalhador, na verdade impedem que muito mais empregos sejam gerados e ofereçam condições para que os pais de família não necessitem dos recursos financeiros gerados pelos filhos menores de idade. Depois falaremos sobre a qualidade das escolas públicas e por último discutiremos as leis e direitos da criança no que refere-se ao trabalho.

Enquanto isso, por favor, vamos fazer vista grossa para certos "crimes" cometidos pela sociedade como esse de trabalho infantil e vamos olhar com mais atenção para os crimes do Estado em não oferecer tudo aquilo que o direito da criança lhes garante.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Educação sexual nas escolas é importante. Mas não é só isso...

"Pesquisadores afirmam que os jovens na fase dos primeiros namoros devem receber orientações sobre sexo sem mitos nem preconceitos". É o subtítulo da uma matéria (Leia na íntegra) do canal Educar para Crescer da Editora Abril. E eu concordo.

Mas por que é que não se dá a mesma ênfase à educação alimentar, educação moral e cívica, e principalmente à educação no combate aos tóxicos?

Claro o sexo, segundo eles, talvez esteja mais presente na vida do jovem do que a alimentação; talvez o sexo cause mais prejuízos à saúde do que o consumo de álcool, drogas e hambúrgueres...

O fato é que o sexo e a sexualidade têm recebido status diferenciado dentre as prioridades para o ser humano, cujo ato ficou banalizado com o passar dos anos.

Nessa tandência, priorizam o tempo nas escolas com aulas sobre orientação sexual mas extinguem as aulas de OSPB e EMC (saiba mais aqui), além de reduzirem a palestras esporádicas os temas relacionados a alcoolismo e drogas.

E aulas extra-curriculares de religião, será que ainda existem nas escolas? Nem sei...

O que eu queria deixar aqui é uma crítica, pois acredito que o MEC deixa de considerar contextos altamente relevantes para a formação de uma sociedade saudável e foca-se apenas naquilo que dá prazer. Daqui a pouco vão obrigar às emissoras de TV que, em suas novelas, coloquem frases educativas no rodapé da tela sempre que os personagens iniciarem os amassos na cama, no sofá ou no paiol dizendo: "Faça com moderação".

Mas não confundam a crítica com reclamação. É claro que as aulas de educação sexual são importantes nas escolas. Só acho que, como escrevi no título do blog, não é só isso. Aliás, se nessas aulas eles pelo menos ensinassem os alunos para fazer sexo só depois do casamento, poderiam prevenir que esses 34,5% de adolescentes que iniciam a vida sexual antes dos 15 anos, não colocassem crianças no mundo tão cedo, promovendo crescimento exponencial da pobreza e da criminalidade.

O problema do Brasil é esse: total falta de foco aos reais problemas e necessidades da população. E assim caminha a mediocridade do meu povo e nossos governantes...

domingo, 1 de maio de 2011

Adolescentes Rebeldes: fato ou ficção?

Na semana passada cheguei em casa e fui direto para a TV ver o que minha filha estava assistindo. Estava passando a novela Rebelde.

Ficamos por ali mesmo e assistimos a novelinha. Fala sério... o que era aquilo?! Para não tirar conclusões precipitadas resolvi assistir no dia seguinte novamente, e realmente a pergunta era essa: o que era aquilo?!

A novela resumia-se em:

1 - Uma escola no estilo internato que tem o propósito de "ensinar valores";
2 - Adolescentes sem limites que definitivamente não precisam de uma escola dessas, mas de pai e mãe que os amem e sejam amados;
3 - Pais e mães que dividem-se em 2 grupos: um que é feito de "gato e sapato" pelos filhos e não se faz respeitar, e outro que é feito de "gato e sapato" pelos filhos mesmo exercendo uma educação ditatorial baseada no comando hierárquico, na repressão e na inflexibilidade.

Fiquei ali pensando: o que leva alguém a produzir, ou melhor, reproduzir uma novela como essas? Quem ganha, ou o que ganha o público alvo desse produto? Um dos personagens é um bebum compulsivo, outro foge da escola escondido quando lhe apetece e pega uma moto escondida para resolver seus problemas pessoais (detalhe: são menores de idade...), e por aí vai a baixaria.

E faço mais uma pergunta a quem possa responder: se você é pai ou mãe, sente-se confortável imaginando que seu filho pode inspirar-se em algum dos personagens dessa novela?

Não sei, acho que sou muito antiquado em minhas opiniões... se você pode ensinar o que quiser para seus filhos, o bem, o mal, o bom e o ruim, por que optar pelo que desconstrói o bom cidadão?

É por isso que às vezes sou cético quanto ao desenvolvimento de uma sociedade saudável e ética. Um cidadão justo forma-se desde pequeno, com boa educação e com bons exemplos a serem seguidos. Dificultando isso nossos filhos assistem tudo o que a TV oferece. Cabe a nós filtrar a programação e promover um futuro melhor antes que nossos anjinhos virem realmente um bando de Rebeldes incorrigíveis...

terça-feira, 19 de abril de 2011

O tabu da Superproteção dos filhos

Tenho participado de alguns fóruns sobre o desenvolvimento dos filhos e vejo bastante conflito de idéias no que refere-se à superproteção. Existe uma teoria a ser melhor desbravada, que é a definição de "Superproteção". Alguns acham que conduzir o desenvolvimento de um filho e privá-lo daquilo que pode "ensiná-lo" sobre os dissabores da vida é uma forma de superproteção.

Eu tenho comigo que tudo aquilo que for possível fazer para reduzir o nível de stress de uma criança pode ser feito. Se você pode apresentar-lhe filmes e lições de companheirismo e amizade, por que apresentar guerra, luta e conflito? Quanto mais puder retardar o aprendizado daquilo que nós todos concordamos que é o câncer da humanidade, melhor para ele. Que muito ser humano é vigarista, ladrão, trapaceador, individualista... deixe isso para depois. Vamos falar das coisas boas e façamos deles seres humanos éticos, decentes, justos desde crianças. É assim que se forma um mundo melhor.

Alguns dizem que carregar criança no colo é mimo, outros dizem que é amor. Eu li em um livro que não existe limite para amar uma criança, e que você pode sim carregar seu filho de até 2 anos sem medo e à vontade que isso não vicia e, ao contrário, aumenta seu senso de segurança e maturidade. Vai lhe fazer bem quando adulto, não é superproteção.

Podemos ensinar crianças sobre o certo e o errado de forma direta sem ser superprotetores, mas também sem sermos relapsos. É possível ensiná-lo a não bater nos coleguinhas ao mesmo tempo em que o matricula em uma escola de judô. É possível ensiná-lo a ser competitivo e buscar a vitória e ao mesmo tempo dizer-lhe que perder também faz parte da vida. É possível ensiná-lo a ousar e também dizer-lhe onde está o perigo. Podemos ensiná-lo qual é a diferença entre debater e discutir, mostrando que no primeiro caso considera-se e respeita-se a opinião alheia enquanto expõe a sua, e no segundo caso não...

Filhos maduros são formados com a responsabilidade da conversa e da confiança incondicional. A cumplicidade entre pai e filho é um bem para toda a vida, e nesses casos, por medo de ser "superprotetor", muitos acabam sendo omissos e criam uma distância entre eles criando aqueles filhos que falarão com orgulho depois de grandes: Eu aprendi com a vida!


 Enquanto isso outros falarão com o mesmo orgulho, porém sem os arranhões: Eu aprendi com meu pai...

 Bom feriado a todos!