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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Intercâmbio profissional para filhos de empresários

Um dos principais diferenciais de um profissional na área de administração é a importância e a relevância da experiência prática adquirida naquilo que se propõe a fazer. E considerando esse pensamento é que coloco uma dúvida na cabeça dos empresários que encaminham os próprios filhos para profissionalizar-se em suas empresas: será que a melhor forma de um herdeiro administrar com competência e inovação os negócios da família é aprender a trabalhar ali mesmo, ao lado do próprio pai?

Faço esse questionamento baseado em partes em minha própria experiência de vida. Ter trabalhado sob a gestão de diferentes líderes, ao lado de diferentes pessoas, liderando diferentes funcionários, para buscar diferentes objetivos e enfrentando diferentes problemas ajudou-me a amadurecer e desenvolver múltiplas capacidades de enxergar melhor o trabalho, os processos e as pessoas.

Não me considero um profissional excepcional ou superior a alguém, e sei que a cada dia aprendo coisas novas. Mas as experiências que tive a sorte de obter no decorrer de minha vida profissional hoje são um diferencial indispensável para realizar o meu trabalho, o qual utilizo a favor das empresas onde trabalho.

Onde eu quero chegar com essa introdução é no quanto um profissional, filho de um empresário bem sucedido, é capaz de desenvolver em uma empresa onde não corre o risco de demissão, onde seus fracassos são tolerados, onde sua carga horária é flexível, onde seu salário é variável e onde ele é respeitado incondicionalmente não apenas pelos seus liderados, mas também pelos seus líderes.

Talvez nem sempre todos esse pontos aconteçam nas empresas familiares. Mas via de regra estão ali indiretamente não só na cabeça do filho, mas na de todos os colaboradores que convivem com ele.

Minha sugestão para o tópico é que haja uma troca de contratações entre os filhos de empresários do mesmo ramo de negócios, promovendo assim um intercâmbio profissional sério e com fins de desenvolvimento pessoal para o trabalho.

Os donos de indústrias, por exemplo, poderiam intercambiar seus filhos, promovendo o ganho de experiência em um ambiente "hostil", quero dizer, onde ele será tratado de fato como um colaborador comum e sem vínculos afetivos. Ali cada um terá que dar o melhor de si, terá que "engolir sapos", terá que conquistar a simpatia de seus colegas de trabalho, terá que se acostumar a passar raiva quando contrariado ou quando for vítima de outros trabalhadores sem experiência.

No intercâmbio os filhos terão que aprender a vender suas opiniões e também a acatar opiniões divergentes das suas. Irão sentir na pele o que é a rejeição de propostas e o peso da desmotivação em manter-se em um ambiente onde ele não concorde com os procedimentos impostos. Sentirão também como é ser criticado ou repreendido na presença dos demais colegas de trabalho, e saberão como a empresa lida com seus problemas particulares, de saúde ou financeiros.

Estar na condição de empregado é a melhor escola para aprender a liderar. Sentir na pele a desmotivação no trabalho é o melhor jeito de aprender a motivar liderados.

Acredito com toda a minha força que conhecer o ambiente de trabalho em diversas empresa é uma ferramenta poderosíssima para a valorização de um profissional, e principalmente se esse profissional estiver engajado em assumir uma empresa ou grupo familiar. Não é raro ver filhos acabando com todo o patrimônio construído pelo pai, fazendo isso após assumir um negócio no qual ele não tem experiência suficiente para dar continuidade em um cenário muito mais competitivo e concorrencial do que nos tempos em que seu pai iniciou o negócio.

E para aqueles que gostam de empreender, eis aqui uma sugestão de consultoria pouco explorada comercialmente: empresa promotora e gestora de intercâmbio profissionalizante dirigida à formação de sucessores.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O domador de cavalos que não sabia domar

Esse texto que vou reproduzir na íntegra refere-se a Eduardo Moreira, e encontrei-o no site Jornal do Empreendedor. Ele fala sobre como conquistar o sucesso com foco e paixão mesmo quando o sucesso estiver longe de suas competências atuais. Espero que ele fale com você, te desperte e seja capaz de estimulá-lo:

"Queridos amigos,

Hoje, completa-se uma semana desde que recebi a condecoração da Rainha Elizabeth em Londres. Durante estes sete dias, não houve um segundo sequer que não tivesse pensado muito sobre o que aconteceu. Foram sensações muito fortes, e até certo ponto novas, que nunca tinha experimentado na vida. Queria desde o primeiro dia escrever um pequeno texto para reparti-las com vocês, mas achei melhor deixar que minhas emoções decantassem, para que pudesse com mais clareza entender o que estava se passando.

Ter recebido esta condecoração teve um significado simbólico muito importante para mim, e pude tirar do acontecido algumas valiosas lições. Os últimos três anos foram muito divertidos. Divertidos mas também duros. Ao voltar para o Brasil em agosto de 2009 após o curso que fiz com Monty Roberts, e decidir que doaria parte de meu tempo para aprender e divulgar suas técnicas pelo país, enfrentei pela frente um caminho cheio de obstáculos. E o primeiro obstaculo era eu mesmo. Eu não sabia nada sobre cavalos. Não tinha tempo para praticar a técnica. Não tinha cavalos nos quais praticá-la. E não tinha ninguém para estar ao meu lado me ensinando e corrigindo. Acho que se transportarmos esta situação para qualquer outra realidade fica facil entender como era dificil… Imagine alguém com 36 anos que quer ser físico nuclear, se formou em artes cênicas, tem um dia por semana apenas para ler sobre um assunto que nunca teve contato na vida e resolve viajar o país aceitando desafios de problemas feitos pelos cientistas das diversas universidades do país… Era mais ou menos isso. Ou seja, as probabilidades jogavam 100% contra. Entretando aprendi que a vida não é um jogo de probabilidades. É um jogo de amor pelo que se faz. Em menos de três anos viajei quase todo o Brasil, domei centenas de cavalos diante de milhares de pessoas, e hoje sou considerado um dos maiores domadores de cavalos do país. Saiu daí a primeira lição: somos capazes de começar algo novo a qualquer momento e chegar tão longe como qualquer outro chegou. Esqueçam as estatísticas, façam o que gostam e façam com amor. Acreditem em vocês e no método. Não façam planos. Planos se basearão em estatísticas, e a matemática pode te provar que você nunca vai chegar lá. A verdade é que sempre pode chegar.

A segunda lição foi saber lidar com as críticas e seguir em frente. Ao longo desta semana recebi centenas de mensagens lindas, de pessoas próximas ou com as quais nunca havia tido contato, me parabenizando pelo feito e dizendo como aquilo as havia feito sentir orgulho de serem brasileiras. Mas não foi assim ao longo destes três últimos anos… Fui taxado de tudo. Louco, farsante, aproveitador de Monty Roberts, aparecido e ingênuo. Muitos ao verem um sócio de um grande grupo financeiro vestindo um cinto de fivela, chapéu e botas de cowboy, comentavam como aquilo era ridículo. “Esse Eduardo parece um palhaço…” “Não acredito como não tem vergonha de andar assim…” “Por favor alguem faça alguma coisa e converse com ele para ver se ele se toca…”. Mas eu estava feliz, e soube não perder o foco. De repente, a maior personalidade viva de nosso tempo, aquela que mais história viveu ocupando um cargo de chefe de estado em todo o mundo, me chama para condecorar exatamente estes três últimos anos. Logo ela, não achava que minhas roupas eram de palhaço, que eu era aproveitador ou que minhas intenções eram ruins. Foi o suficiente para todos mudarem suas opiniões, ou pelo menos para escondê-las. Nec Majore in Laude, Nec Minor in Vituperio. Não era pior por causa das criticas nem sou melhor agora por causa da condecoração da Rainha, continuo sendo quem sempre fui.

Deem menos peso para o que os outros falam ou pensam. Eles agem assim porque de alguma forma o que você faz chamou sua atenção. Seja porque gostariam de fazer também algo novo com suas vidas e não tem coragem, ou porque têm medo de onde você pode chegar. Porque se você ou seu exemplo não tivesse importância alguma em suas vidas, porquê perderiam seu tempo comentando? Sigam em frente, sempre. Lembrando que para se chegar onde ninguém chegou é preciso fazer o que ninguém fez, e isto é claro vai gerar desconforto e insegurança nos outros.

A terceira e última lição é a de que sorte não é o que acontece conosco, é o que fazemos com o que acontece conosco… A sequência de acontecimentos que me levou até a Rainha é cheia de acidentes, obstáculos, julgamentos, e tantos outros momentos difíceis. Aproveitei cada um deles para conhecer novas pessoas, aprender, me aperfeiçoar física e mentalmente e também para conhecer quem eu realmente era. As pessoas hoje olham pra mim e falam “nossa, você é muito sortudo, nada deu errado pra você?”. Eu acho que na verdade o que eu fiz com as coisas que me aconteceram é que deu muito certo. Não vamos nos esquecer de que tudo começou com um tombo…

Um beijo em todos, Dudu."

Discípulo do mais famoso encantador de cavalos do mundo, o americano Monty Roberts, Eduardo Moreira viaja por todo o Brasil demonstrando e aplicando o método de doma sem violência. O profissional, de 36 anos, sócio-fundador da gestora de recursos Plural Capital e ex-sócio do Banco Pactual (hoje BTG Pactual), desenvolveu com Monty Roberts, além de uma grande amizade, uma nova maneira de se relacionar com os animais e com a vida.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Shopping Center orientado ao cliente. Que cliente?!

Outro dia estive conversando com um amigo lojista de um shopping que fez mil reclamações sobre a postura do empreendimento diante de suas expectativas. Somando um pouco do que aprendi sobre shoppings  cheguei a algumas conclusões que divido aqui com meus amigos leitores.

Em primeiro lugar sejamos práticos e vamos direto ao ponto: qual é a atividade-fim de um shopping? É reunir lojistas em um lugar comum proporcionando que suas lojas se ajudem mutuamente de tal maneira que o cliente de um possa tornar-se também cliente do outro. E assim sucessivamente, criando uma cadeia produtiva de visitações de clientes potenciais cada dia em maior quantidade concentrados no mesmo lugar. Isto é um shopping, ou seja: não passa de uma feira mais moderna com estacionamento, banheiros e aberta todos os dias da semana.

Assim fica estabelecido que o cliente do shopping é aquele que paga pelos serviços indiretos proporcionados. Em outras palavras, é o lojista e não o consumidor. E daí provém a reclamação dos lojistas, coisas do tipo:

1 - Se eles são os clientes, por que é que não são bem tratados e respeitados pelos gestores do shopping?
2 - Se eles são os clientes, por que é que não são consultados sobre uma ação comercial, promocional ou publicitária que visa atrair consumidores para o shopping? (lembre-se que se ação for mal estruturada, o lojista além de não efetivar as vendas previstas, mesmo assim ainda terá que pagar sua cota estabelecida)
3 - Se eles são os clientes, por que é que o shopping não dá mais abertura para negociar os valores das taxas e aluguel quando os negócios estão indo mal?

Aqui fica fácil compreender que, após aberto e com os espaços comerciais locados para os lojistas, o shopping muda toda a abordagem otimista e de camaradagem iniciada com o comerciante e passa a direcionar seu foco exclusivamente para o consumidor. Passa a tratar o lojista como um problema, e não como parte de um conjunto que deveria funcionar harmoniosamente para o mesmo objetivo.

Basta lembrar que shopping não existe sem lojista, sem boas operações, sem um bom relacionamento e sem a busca constante por ações inteligentes que atraiam consumidores, pois a viabilidade e a liquidez das lojas é o ganha pão do shopping.

O que analisar antes de abrir uma loja

Há de se analisar também antes de investir o seu dinheiro abrindo loja em shopping, qual é o perfil cultural e social da cidade ou da região em que o shopping está situado.

Há momentos em que os shoppings são facilitadores de compras, ou seja, você deixa de procurar roupas, sapatos e presentes rodando pela cidade e vai direto a um shopping onde sabe que poderá cotar preços e terá opções de escolha para aquilo que procura. Nesse caso um bom shopping não é o que tem uma loja para cada segmento, mas várias lojas para cada segmento, a fim de oferecer opção de preço e produtos ao consumidor.

Há momentos em que a população ainda persiste no costume de percorrer aquela avenida que concentra o comércio tradicional, e nesse caso o shopping só lhe é conveniente devido a praça de alimentação e opções de lazer. Nesse caso as lojas terão papel predominantemente de venda por impulso, pois a população vai ao shopping para passear, comer e se divertir e acaba também comprando algo mais. Diferente do primeiro exemplo onde o shopping realmente exerce seu papel de centralizador de compras e as opções de lazer e gastronomia acabam atendendo ao público de menor valor econômico, ou ao consumidor de fast food que corre lá para almoçar no intervalo do trabalho. Aqui no segundo exemplo a possibilidade de oferecer poucas lojas para cada segmento é mais viável aos lojistas, desde que o shopping ofereça de fato uma boa praça de alimentação e opções de lazer, quem sabe até com um supermercado como âncora.

Assim, cabe aí uma análise nesses aspectos para medir as chances de sucesso de sua loja para o shopping center que, tão entusiasticamente, lhe garante que ali está um ótimo negócio.

Fica aqui o meu recado para quem se arrisca a abrir loja em shopping novo: não se encante com o projeto digitalizado no panfleto, nem com a aparência faraônica do empreendimento e principalmente com a conversa entusiasmada de seus empreendedores. Shopping bom é shopping franco ao diálogo e com contrato flexível. Os demais aspectos mercadológicos cabe a cada um analisar. Mas tome sempre cuidado antes de empatar seu suado capital e seu crédito bancário em um shopping cujo futuro seja incerto, pois isso pode lhe trazer uma boa dose de aborrecimentos...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Ministério do Trabalho e o reconhecimento do Novo Trabalhador

Todo dia é uma nova oportunidade de mudar e aprender, pois a sociedade evolui (ou apenas muda sua forma de agir), o que nos obriga a mudar também a forma de tratá-la para não enquadrá-la sistematicamente nas mesmas leis e com os mesmos valores de sempre.

Onde eu quero chegar é na abordagem e funcionalidade dos fiscais do Ministério do Emprego e Trabalho - o MET - quando buscam verificar se as empresas estão cumprindo a rigor todas as leis trabalhistas, buscando defender, obviamente, os interesses do trabalhador, chamado de "parte economicamente mais frágil" da relação trabalhista.

É que o MET entende que em uma relação de trabalho há a parte "forte" e a parte "fraca", onde a forte tem maior poder de influenciar negativamente nos interesses da parte fraca. Em outras palavras o empregador é visto e tratado na maioria das vezes (e quase sempre nos julgamentos) como potencial usurpador dos direitos do empregado. É o critério presunçoso e de opinião premeditada de que todo empresário aproveita-se da fragilidade de seus colaboradores, onde toda sorte de acusação deve ter uma contra-prova visual e cabal para não tornar-se em auto de infração. Fato que, à parte fraca, o simples testemunho da própria vítima é suficiente para ser acatado como verdade perante a lei.

Porém essa ideia oblíqua e tendenciosa precisa ser revista, começando pelo fato de que o trabalhador hoje é muito mais esclarecido do que a 20 anos atrás. Ele conhece seus direitos, seus deveres e principalmente a imparcialidade do juiz na ocorrência de uma ação trabalhista. Imparcialidade construída no passar dos anos pela máxima de que a parte "forte" está, via de regra, mal intencionada em relação à parte "fraca". O que não é verdade em muitas empresas, pois os anos se passaram. E aceitar uma nova abordagem deve ser humildemente considerada pelos legistas.

O perdão tácito

Nesse contexto o trabalhador já inicia seu contrato de trabalho coletando provas, testemunhas e argumentos a seu favor para o dia da demissão, o que segundo meu ponto de vista é uso de má fé contra o patrão. Para coibir esses atos o Estado deveria estabelecer para o trabalhador a mesma regra que vale para o empregador quando o mesmo deixa de aplicar medida disciplinar no prazo de 24h após alguma ocorrência contra as normas da empresa. Não dando a advertência dentro desse prazo o trabalhador indisciplinado recebe automaticamente o "perdão tácito", o assunto tem que ser esquecido, e bola pra frente. Ora, se o contrato de trabalho visa preservar os interesses de ambas as partes, o trabalhador que não reclamar de algum pagamento inferior ao merecido ou a falta de algum benefício no prazo de um mês deveria ter sua queixa enquadrada também no termo do perdão tácito! Não reclamou é porque já perdoou. E assim não caberia nenhuma ação trabalhista ao término do contrato acusando o ex-patrão de inúmeras irregularidades das quais ele nunca foi cobrado.

A extorsão

Outra prática muito comum no mercado de trabalho é a extorsão indireta, onde o colaborador, disposto a sair do emprego, solicita ao patrão que o demita. Isso acontece porque o pobre trabalhador quer sair da empresa mas não quer abrir mão dos seus "direitos" (essa palavra me dá até coceira, de tanto que eu tenho escutado ultimamente...), e ele tenta forçar a empresa a demiti-lo prometendo até devolver a multa contratual após o acerto no sindicato. Essa prática é criminosa e coloca o empresário em uma saia justa terrível: se ele concordar em demitir e depois pegar a multa contratual de volta pode ser vítima de nova ação por parte do demitido acusando-o de coação para devolver o dinheiro. Se ele não concordar em demiti-lo fica obrigado a agonizar alguns meses de trabalho destrutivo, onde o colaborador (também chamado de "parte fraca na relação"), passa a atrasar o trabalho, bater ponto fora de horário (a multa para cada ocorrência dessas chega a 4 mil reais para a empresa), atender mal os clientes, vir sem uniforme, faltar, e outras providências imensuráveis que impedem aplicação de uma advertência. Por fim, o empresário acaba demitindo o colaborador sem justa causa e paga todos os direitos trabalhistas e multa a que ele tem direito, e volta a investir novamente seu tempo e dinheiro em contratação e treinamento de novo profissional para a vaga. Ah, e ainda por cima é obrigado a dar carta de boas referências ao estrupício sob pena de ser acusado por danos morais caso diga a verdade ao novo possível empregador! Esse tipo de colaborador está virando praga, aumentando no mercado de trabalho, corrompendo a relação trabalhista e tirando todo o gosto de uma empresa idônea de investir em benefícios e prêmios. Afinal, quem trabalha para nós é nosso amigo ou nosso inimigo?! Nem sei mais...

O ato de fiscalizar

Fiscalizar é preciso, pois o brasileiro é reconhecidamente oportunista. Na hipótese de poder burlar a lei ou tirar vantagem a seu favor, não tenha dúvida de que ele geralmente o faz. Mas há de se considerar o teor instrutivo, condutor e facilitador do fiscal, cuja presença em uma empresa deveria ser motivo de alegria e não de luto.

Nesse contexto, minha ideia a respeito é de que o fiscal deve trabalhar em 3 etapas:

1 - Apurar; 2 - Analisar; 3 - DIALOGAR

Nessas 3 etapas devem ser apresentadas as irregularidades, o teor da legislação a respeito e as medidas corretivas sugeridas. O diálogo refere-se à parte onde o fiscal irá apurar a boa ou má fé do empresário. Irá apurar também a frequência em que ocorre o mesmo ato irregular, as medidas fiscalizadoras ou de controle vigentes para coibir esse ato e o montante dessa atividade que é realizada de forma correta versus incorreta (isso acontece quase sempre ou quase nunca?).

Com isso será possível identificar onde a empresa está sendo vítima e onde está sendo causadora do ato infrator. Assim o fiscal poderá autuar também o colaborador se o mesmo for visto como displicente diante de uma medida normatizada pela empresa, pois ele é o problema e o indisciplinado nesses casos, ao invés de autuar sempre a empresa, como ocorre regularmente.

Conclusão

O que eu quero explicitar aqui nessa abordagem, mesmo não sendo advogado e nem conhecedor profundo da área jurídica, é que as empresas são vítimas de muitas leis e normas que vão tornando o empreendimento inviável financeiramente e desmotivador. E olha que eu nem relacionei outros tantos de ocorrências onde a empresa é obrigada a tirar mais dinheiro do bolso para cumprir simultaneamente a legislação trabalhista e as exigências do PROCON.

Manter uma empresa hoje é muito caro. Os impostos são altos, a concorrência é feroz, o capital de giro é um recursos disponível para poucos (os bancos agradecem) e os riscos são imensos. Soma-se a isso a sede de justiça dos fiscais que analisam friamente as ocorrências e não debatem as irregularidades com o empresário para decidir pela aplicação ou não das multas, e está aberto um cenário propício para um desaquecimento do empreendedorismo e queda na geração de empregos.

O Governo Federal precisa rever essa situação e essa análise desigual no julgamento das relações trabalhistas, pois hoje o empresário depende do interesse e da responsabilidade do trabalhador para manter a competitividade de suas empresas e é muito mais refém dos caprichos dele no ambiente de trabalho do que se imagina.

Ser empregado no Brasil hoje é cômodo e seguro, pois por pior que ele seja sempre estará amparado pela lei do mais fraco. O empregador é obrigado a aturá-lo e raramente, mas muito raramente mesmo, consegue livrar-se dele sem pagar os custos dessa contratação equivocada.

É esse processo evolutivo da classe trabalhadora que precisa ser reconhecido pelo Ministério de Trabalho e seus fiscais, para que as análises e autuações sejam aplicadas com maior justiça, bom senso e respeito pelos homens que geram emprego arriscando o seu capital pessoal na abertura e manutenção de suas empresas.


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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O dia de Ação de Graças de Charlie Brown e suas lições organizacionais

É impressionante como encontramos pérolas corporativas em lugares completamente inesperados... No dia das crianças encontrei por acaso um box com 3 DVDs do Snoopy em promoção nas Lojas Americanas, e um deles era esse aí da ilustração ao lado, com uma história extra chamada The Mayflower Voyagers.

O filme conta a história dos viajantes do Mayflower, o navio que levou o grupo de ingleses e demais povos que instalou-se definitivamente nos EUA para fazer um país livre das perseguições católicas aos protestantes na Europa, onde finalmente, após grande período de superação das dificuldades, reuniram-se para celebrar o Dia de Ação de Graças.

O mais incrível é como eu ia assistindo o filme e visualizando lições corporativas para apresentar ao nosso grupo de funcionários. Acredito muito nessa técnica de aprendizado, onde vemos na história o reflexo de nossa realidade, e é por isso que apreciei tanto esse filme. 

Vou listar aqui um pouco do que pude absorver de útil, além da diversão oferecida pela animação:

1 - Em nossas decisões é preciso haver um propósito, como daqueles que embarcaram em uma viagem arriscada rumo ao desconhecido. Ao aceitar um emprego e iniciar em uma empresa também precisamos ter um propósito pessoal para que aquilo possa valer a pena não somente através do recebimento do salário mensal.

2 - Há períodos de bonança, mas também de tempestades no decorrer dos dias. É preciso estar consciente disso para poder lidar com as dificuldades sempre calmo e equilibrado, enfrentando-as sem alarde e de forma bem racional.

3 - Nem todos os recursos são plenamente favoráveis ou adequados para executar nossas tarefas. Contudo é necessário utilizar o que está disponível para se chegar ao objetivo, e aí sim viabilizar melhorias.

4 - As pessoas são diferentes entre si, e devido a suas personalidades distintas é preciso saber tolerar e ceder na medida certa para que haja harmonia no trabalho em grupo. O respeito à opinião e à forma de pensar dos outros é importante para que se avalie com inteligência o que está certo e o que está errado no processo.

5 - Todos têm sentimentos, e alguns sentem apreensão e ansiedade em obter rapidamente melhorias em suas condições pessoais e profissionais dentro da organização. Contudo é preciso administrar esse sentimento e conversar sempre a respeito dele com seus líderes ou liderados para que haja uma linguagem muito franca e aberta a respeito do presente e do futuro da empresa e do papel de cada um segundo as suas possibilidades de crescimento.

6 - Algumas pessoas chegam a cair ou tropeçar no decorrer do seu trabalho, e caso não haja a cooperação de todos em apoiá-lo, será muito difícil recuperá-lo. Na maioria das vezes é mais viável recuperar um profissional que cometeu falhas ou que desanimou do trabalho do que contratar um novo e integrá-lo ao grupo.

7 - A mudança de rumo ou a tomada de novas decisões ocorre de maneira muito mais favorável quando um grupo de pessoas se reúne e debate o assunto. A decisão tomada a partir da construção da solução em grupo é mais eficaz, e sua aplicação é mais rapidamente aceita do que quando é idealizada por uma só mente superior na hierarquia de comando.

8 - A desmotivação é um processo que deve ser combatido a partir da mudança de visão dos colaboradores pessimistas. Esses só enxergam os problemas, nunca as conquistas. É importante que se tenha sempre em mãos bons resultados e novidades que venham a contribuir para manter alta a moral do grupo, mesmo em um ambiente pouco favorável e de muitas dificuldades.

9 - O estabelecimento de regras, normas e rotinas a serem seguidas é a espinha dorsal de qualquer organização formal. Com essas ferramentas toda atividade tem começo, meio e fim. As pessoas terão um código de conduta a seguir para tomar decisões corretas e resultados poderão ser mensurados em mesas de reuniões, assim como o desempenho de cada membro na execução de suas tarefas.

10 - Há males que vêm para o bem. Essa frase conhecida ocorre também nas corporações, onde é melhor visualizada se lida de outra forma: vale a pena suportar alguns sacrifícios para prover um bem maior amanhã. Mais uma vez chamamos a atenção para exercer a paciência e a tolerância diante das dificuldades.

11 - Decisões erradas não são humilhação e nem demérito para ninguém. Com humildade reconhece-se que uma ação não foi bem sucedida e parte-se para uma outra alternativa sem perder o foco no objetivo proposto.

12 - O alcance dos objetivos muitas vezes esbarra em algumas dificuldades que só são superadas com a doação de algo mais de si mesmo. Assim, se cada um doar seu trabalho com algo além de suas aptidões originais, certamente o esforço será recompensado por um bem coletivo, onde todos ganham.

13 - O medo é uma dificuldade tão grande quanto a insegurança. Superar essa dificuldade uma ou duas vezes certamente vai ajudar alguém a aumentar sua autoconfiança e sua capacidade de enfrentar desafios que antes considerava incapaz de alcançar. No ambiente de trabalho, aprender uma nova atividade ou adotar um novo procedimento é um grande desafio para muitos, e sua superação deve ser estimulada.

14 - Reconhecer as qualidades de um líder é uma excelente forma de aceitar o comando. Assim, deve-se destacar as qualidades do líder perante o grupo e o mesmo deve reafirmar através de seus atos sua capacidade de apoiá-los em seus trabalhos diários. O líder tímido ou omisso não consegue liderar, e seus comandos serão frequentemente questionados ou colocados em dúvida pelos liderados.

15 -  Muitos não conseguem permanecer no grupo, e uma eventual saída de um colaborador deve ser sempre lamentada internamente como algo ruim tanto para ele quanto para a empresa, que investiu em sua capacitação.

16 - Novos colaboradores podem chegar, inclusive na área de liderança, e sua chegada deve ser sempre comemorada e bem aceita pelo grupo como algo positivo, capaz de trazer novidades operacionais ou administrativas para o bem coletivo.

17 - É preciso reunir-se com o grupo em uma frequência no mínimo semanal para citar os resultados positivos, as qualidades percebidas durante o trabalho passado. Nesse momento deve haver uma reflexão interior e ser estimulado que cada membro do grupo dê graças por algo positivo que tenha lhe acontecido na semana dentro ou fora da empresa, a fim de que todos dêm valor ao seu emprego, sua família, sua saúde e outras coisas boas que o rodeiam quase desapercebidas por falta de um momento de meditação.

Pois bem pessoal, tudo isso pôde ser visto no filme!

Assim termino esse texto entrando em mais um final de semana disposto a recomeçar tudo de novo e ainda melhor na semana que vem. Sugiro que também assistam e recebam sua mensagem, aplicando suas lições em seu dia a dia e em seu ambiente de trabalho.

sábado, 20 de agosto de 2011

Isso sim surpreendeu o cliente!!

Você já deve ter lido em revistas de negócios ou palestras sobre empreendedorismo algo que não sai da boca dos profissionais: "você tem que surpreender o cliente!"

Hoje eu li uma história que mostra bem claramente o que isso significa. Peter Shankman havia passado por um dia bem agitado por conta de seu trabalho. Acordou cedo para pegar um voo e participar de um almoço de negócios, sabendo que só voltaria para casa tarde, por volta das 21h.

Então resolveu usar o microblog para aquilo que todos fazem: reclamar. "É como quando tuitamos ‘querido inverno, por favor, pare, amor Peter’, ou algo similar", conta ele. A frase em questão, entretanto, era a seguinte: "Ei, @Mortons [a Morton’s Steakhouse] – vocês podem me encontrar no aeroporto de Newark com um entregador quando eu aterrissar em duas horas? Obrigado."

Acontece que a Morton’s prestou atenção ao pedido e resolveu fazer a entrega. Duas horas depois, quando Shankman chegou, foi até o motorista – "como fiz centenas de vezes antes" – e se surpreendeu. Ao lado do homem que guiaria seu carro havia outro, de smoking, com uma sacola do restaurante.

"Vamos entender: eu estava brincando. Eu não tinha absolutamente nenhuma expectativa sobre nada daquele tweet", afirma Shankman. No post em que conta a história, ele põe a reputação de sua carreira em jogo para afirmar que nada foi combinado, a Morton’s é que viu ali uma oportunidade de premiar um cliente. E conseguiu, de quebra, publicidade espontânea, pois Shankman tem mais de 100 mil seguidores no Twitter.

O voo durou 2h30min e o restaurante mais próximo da marca fica a 38 quilômetros de distância do aeroporto em que ele desembarcaria. Então o entregador viajou por cerca de meia hora com um bife de 700 gramas, uma porção de camarões, batatas, pão, dois guardanapos e talheres.

Isso sim é oportunismo!! Isso sim é surpreender o cliente...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Justos pode ser o sucessor de Silvio Santos

Sabe daquelas coisas que parecem absurdas, mas que você só vai entender lá na frente? Pois é, ontem parece que comecei a entender uma dessas coisas.

Quando Roberto Justus trocou a apresentação do programa O Aprendiz da Rede Record pelo Topa ou não Topa do SBT, achei que ele havia feito a maior asneira da vida dele. O Aprendiz tem a cara de Justus, e acredito que ele conduzia com muita personalidade o reality show para seleção e formação de empreendedores. De repente surge a notícia de seu contrato com o SBT para apresentar programinhas bem banais para um empresário daquele porte.

Fiquei imaginando: ele não deve estar fazendo isso por dinheiro, já é rico o suficiente para apelar e expor sua imagem em algo que poderia ser feito por Celso Portiolli, Rodrigo Faro, Adriane Galisteu, etc. Mas ele foi, e seguia com aquele discurso de ser um grande sonho tornar-se apresentador de TV.

Ontem parei por acaso no Topa ou não Topa e fiquei ali pensando novamente na minha indignação. E ocorreu-me uma sequência de pensamentos:

1 - Silvio Santos, antes de ser um grande apresentador, é um grande empreendedor. Como Roberto Justus.

2 - Silvio dava dicas de que a fidelidade de Gugu Liberato poderia ser premiada com a sua sucessão. Gugu pulou a cerca, e não passa mesmo de um apresentador...

3 - Silvio gerencia seu grupo de empresas com a autoridade de quem sabe fazer negócios. Como Justus.

4 - O SBT passou por oscilações financeiras, e certamente recebeu capital externo de algum investidor bem próximo que tenha caixa para empreender no ramo de comunicações. Justos pode ter sido "o cara", o novo sócio de Silvio Santos.

Agora juntemos o útil ao agradável, façamos uma convergência de interesses e capacidades, de necessidades e de oportunidades. Há nesse processo um casamento perfeito entre Silvio e Justus!!

E começar a apresentar programas dirigidos ao público alvo de Silvio, o povo, pode ser um treinamento e um aquecimento para que o SBT não perca sua principal característica: ter como âncora nos programas de auditório o próprio patrão. O sucessor de Sílvio, pode estar sendo preparado. Pode ser Roberto Justus.

Na ocasião de sua contratação pelo SBT, "o ego de Justus foi seduzido por Silvio Santos. “Quando o Silvio me chamou na casa dele, ele falou: “Você é uma das poucas pessoas que conheci que tem um perfil parecido com o meu. Você tem talento de apresentador e é um grande empresário’”, afirma." (matéria publicada em 29/06/2009)

Uma especulação meio idiota que bem pode ser uma verdade...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os desatualizados cursos de atualização profissional do mercado

Você tem feito cursos de reciclagem profissional? No fórum de discussões do grupo Falando de Varejo (LinkedIn), um dos participantes lançou o seguinte tema: "Para todos que trabalham no varejo, a atualização e conhecimento de técnicas é imprescindível como qualquer outra profissão, fale sua opinião sobre o assunto."

Esse tema despertou-me para lembrar de uma palestra que assisti recentemente com um palestrante cujo currículo fez-me sentir um semi-analfabeto. Mas daquela panela saiu um angu com bem pouco tempero...

Na minha opinião, que expus no fórum, "Como em toda profissão a atualização é o pulo do gato para quem deseja manter-se competitivo. Mas o que muitos não se atentam é para qual direção devem atualizar seus conhecimentos.

Na área de varejo minha opinião é que busque-se conhecer mais a respeito da sociedade, comportamento, tendências, influências e nuances de cada geração para que a satisfação dos novos anseios de consumo e de compra sejam atendidas.

Muitos treinamentos permanecem na esfera da técnica de vendas, batendo nos chavões do tipo "encantar o cliente", ou "fazer a diferença", o que acredito ser muito superficial diante da nova realidade, novos hábitos, características do consumidor e mercado concorrencial. Precisamos transcender essas velhas teorias generalistas e ir mais direto ao ponto, mostrando que encantar já não é diferencial, é obrigação no mercado competitivo.

Veja bem o crescimento da venda e transações bancárias via internet . Sabe o que isso significa? É uma pista de que o contato humano na venda e em outras transações pode estar sendo substituído pela velocidade, praticidade e segurança na solução das necessidades. São mudanças que devem ser consideradas para que o atendimento corpo a corpo não fique obsoleto no ponto de venda e passe a tratar o consumidor com aquilo que realmente importa a ele."

Em outras palavras, é necessário que os treinamentos na área de varejo ou competitividade saiam do trivial e exponham ferramentas práticas de trabalho baseadas no comportamento humano. Mas infelizmente, o que vemos com muita frequência são treinamentos vagos, com algumas dinâmicas, mas desatualizados sobre a nova realidade ministrados por pessoas positivas e bons oradores, apenas isso.

E assim caminha a animosidade corporativa...

PS: Quero agradecer aos amigos Caio Camargo e Mariana Torido pelo enriquecimento do comentário com suas considerações no fórum, e ao Luciano Teberga Cardoso, autor do fórum.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Novas oportunidades no Tocantins para MPE's e Empresas Individuais

O estado do Tocantins está em plena efervescência. Muitos dizem que aqui é o eldorado do empreendedorismo. Contudo é necessário considerar algumas prerrogativas para não se realizar um investimento à cegas.

Na capital do estado, especificamente, podemos dizer que tem de tudo um pouco. Palmas é uma cidade que praticamente satisfaz qualquer consumidor, mesmo que com poucas alternativas. Mas tem de tudo um pouco, isso não dá para negar.

Assim podemos afirmar que em matéria de novos empreendimentos, ainda cabe mais um para empreender em qualquer segmento de prestação de serviços, entretenimento, gastronomia e comércio de bens.

O medo de empreender

Algumas pessoas ainda têm medo de empreender, pensando sempre no risco de perder seu capital numa "aventura" que não dê certo. Mas o que é empreender?

Outro dia, falando sobre esse assunto, usei uma figura de linguagem dizendo que empreender era ganhar dinheiro trabalhando para si mesmo, com uso do próprio punho. Meu sobrinho logo fez a piadinha: Adilson Maguila então era um empreendedor!! E estava certo... Maguila era um empreendedor na essência de sua definição:

1 - Ele identificou qual era o seu ponto forte para empreender;
2 - Investiu no desenvolvimento de sua potencialidade para entrar e vencer como empreendedor;
3 - Divulgou aquilo que sabia fazer de melhor para estabelecer parcerias e promoção do seu trabalho;
4 - Depois de conquistar o ponto mais alto do seu empreendimento passou a redirecionar seu plano de negócio para novas atividades correlatas.

Alguns novos empreendedores espelham-se em negócios fracassados e fortalecem a sua opinião de que empreender é arriscado. Então vamos à comparações com o lutador Adilson Maguila:

1 - Maguila, antes de mais nada, gostava de lutar boxe e tinha porte físico para isso. Sem esses atributos, muitos pretendentes a lutador de boxe não se deram bem. Para empreender, um requisito importante é estar apto a apaixonado pela atividade pretendida;
2 - Maguila treinou, e treinou muito antes de entrar no ringue e buscar a vitória. Alguns empreendedores entram no mercado com pouco preparo. Investem na comunicação antes de investir no próprio negócio com treinamentos e desenvolvimento do produto ou pessoal. O cliente vai comprar o seu produto ou serviço e não gosta do que encontra. Você não conclui a venda e ainda grava uma imagem negativa na mente do cliente...
3 - Maguila mostrou que estava bem no ringue e buscou conquistar a confiança de empresários e da imprensa, que promoveram suas lutas e o conduziram a uma carreira vitoriosa. Alguns empreendedores montam o seu negócio e esperam em silêncio que alguém os encontre, sem nenhuma divulgação ou promoção da própria marca. Nesse ritmo a chance de sucesso é muito pequena no mercado competitivo;
4 - Maguila sabia que no seu ramo a idade tende a comprometer o desempenho para a execução sempre da mesma atividade e desenvolveu um novo produto: a sua identidade. Após sair de cena como lutador passou a empreender com o uso de sua imagem em participação de programas na TV, publicidade, gravação de CD de samba e uma ONG*. Muitos empreendedores iniciam seu próprio negócio mas não prospectam o futuro com o desenvolvimento de novos produtos, serviços e diferenciais que não os deixem estagnados no mercado competitivo.

Portanto, empreender é uma decisão séria que requer compromisso com o trabalho, planejamento, pesquisa e profissionalismo, cumprindo os requisitos básicos de quem pretende entrar no mundo dos negócios.


O mercado de Palmas-TO

Quem pensa em empreender em Palmas deve considerar a possibilidade de industrializar, aproveitando a logística privilegiada do estado diante do mercado emergente nordestino e do próprio centro-oeste. Atualmente o mercado industrial demanda:

1 - Confecções;
2 - Artigos para a construção civil;
3 - Movelaria;
4 - Peças automotivas;
5 - Plástico injetado;
6 - Informática e tecnologia.

Isso tudo, somando-se à exploração do turismo local, hotelaria, gastronomia e entretenimento, faz de Palmas um celeiro de oportunidades para investimento.

* Atualmente, Adilson Maguila dedica-se à sua ONG chamada Projeto Amanhã Melhor, além da venda de seu disco de samba.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Fazer algo" pela sustentabilidade já não é mais um diferencial. É uma premissa.

O termo "sustentabilidade" está na moda, e não é para menos. No ramo empresarial ele começa a ganhar força, como no final da década de 90 ganhou força as ações de marketing social. As empresas, sentindo que o novo apelo a ser explorado diate do consumidor era o sentimental, passaram a adotar medidas que normalmente contam com a aceitação das pessoas, e raramente se deparam com alguma rejeição.

Nesse contexto, a edição 2010 da pesquisa "Futuro Sustentável" realizada pelo grupo Havas apontou que em relação ao trabalho feito em 2009, a pesquisa indica que a preocupação do brasileiro com o assunto aumentou. No levantamento atual, 58% dos entrevistados daqui disseram estar mais atentos, um aumento de nove pontos percentuais.

De acordo com esse estudo, que ouviu 30 mil pessoas por meio de sondagem pela internet, 60% dos habitantes daqui têm a visão de que as companhias podem lidar melhor com problemas socioambientais do que o governo.

Sobre o papel das empresas, na análise global, 76% dos consultados (contra 70% em 2009) colocam nas companhias – e não nos governos – a responsabilidade por medidas sustentáveis e sociais. Mas 68% entendem que as corporações somente falam de sustentabilidade para melhorar a imagem. Esse índice entre os brasileiros é significativamente menor: 23%. Ou seja, aqui a população acredita de fato na comunicação acerca da sustentabilidade realizada pelas empresas.

Se a avaliação for pelo outro lado, o do envolvimento governamental, nós somos céticos. Dos brasileiros, 40% não acreditam que o poder público possa resolver problemas nesse campo. Para os consultados dos demais países, o percentual de descrença é mais baixo, 21%. Portanto, ainda há um índice relativamente alto de brasileiros que não confiam na capacidade do governo de atuar no problema socioambiental.

Esse índice pode ser confirmado pelo alto número de votos obtidos pela candidata a presidente do Brasil, a senadora Marina Silva, do PV, sendo a candidata e o partido de pouca tradição política em nosso país. O número de eleitores a cima do esperado pelo próprio partido é uma amostra da baixa credibilidade do governo atual quanto a sua real capacidade de atuar nessa frente.

Um dado importante da pesquisa mostra que além de depositar sua fé nas empresas, os brasileiros gostam de premiar as companhias, mais do que as demais populações. Essa disposição é encontrada em 90% dos entrevistados, enquanto que o índice global ficou em 80%. De todos os brasileiros ouvidos, 82% puniram de algum modo as corporações que não adotam práticas socioambientais – no restante do mundo o percentual ficou em 90%. Isso quer dizer que um cultura já consolidada pelo mundo começa a se tornar rotina também no Brasil.

Em matéria sobre o tema exposto em 18 de novembro/2010 na m&m online, "perguntado se, diante de tais números, o brasileiro é mais bonzinho, o coordenador do trabalho no País, André Zimmermann, CEO da Havas Digital Brasil, prefere dizer que o público é menos crítico. “Parte dos resultados tem mais a ver com a maturidade dos mercados desenvolvidos. Nesses lugares, a população é mais exigente porque o ‘fazer algo’ deixou de ser um diferencial”, explica."

Entre os temas sondados está o desempenho das marcas. Os brasileiros citaram espontaneamente a Natura como a empresa mais ligada à sustentabilidade, com 27% das respostas. Em segundo lugar ficou a Petrobras (22%). Nestlé (15%), Vale (14%) e Banco Real e Bradesco (9% cada) vêm em seguida. Nota-se que a comunicação com o público, inclusive no rótulo dos produtos, é um fator positivo na formação de opinião e fortalecimento do valor agregado de uma marca.

Segundo a matéria publicada, "para Hernan Sanchez, CEO da Havas Intelligence e coordenador do estudo mundial, os resultados demonstram que as corporações ganham importância e valor aos olhos do consumidor caso estejam efetivamente comprometidas com a sustentabilidade. Os pesquisadores perguntaram se os entrevistados ficariam preocupados com o desaparecimento de uma companhia no futuro. - Eles não se incomodariam se dois terços das marcas globais sumissem. Mas descobrimos também uma forte relação entre as marcas e a sustentabilidade, sugerindo que quanto mais sustentável ela for, mais importante ela será para o consumidor - alerta. Por isso, Sanchez salienta: - Quando uma empresa se preocupa com as pessoas, a sociedade, o planeta e contribui para fazer a diferença, ela redefine sua relação com o público".

A pesquisa “Futuro Sustentável 2010” avaliou também o engajamento dos consumidores. O público foi classificado em cinco perfis, conforme a relação do entrevistado com o tema da sustentabilidade: dedicados, passivos, céticos, descompromissados e críticos. Os resultados apontam que os desinteressados diminuíram. O perfil que mais cresce é o dos dedicados.

Os devotados são 46% dos brasileiros, um aumento de 10% sobre o número de 2009. Os passivos são 17%, mesmo índice da edição anterior. Os críticos correspondem a 16%, uma alta de 2%. Os céticos e os descompromissados respondem por 11%.

Portanto, quem tem ouvidos para ouvir, ouça os anseios e expectativas do consumidor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nossos supermercados já não são mais tão nossos...

Essa informação você precisa saber. Como já estou cansado de ouvir tanta baboseira e a forma como o governo atual aliena o próprio povo durante a campanha eleitoral, vou demonstrar-lhes algo aqui que talvez vocês não tenham reparado ainda.

Lutam contra a privatização de empresas públicas mas não impedem a formação de conglomerados internacionais no controle de supermercados brasileiros. Isso mesmo... supermercados.

A gravidade disso está no capitalismo mais do que selvagem imposto pelas redes internacionais, que não medem as consequências para valorizar suas ações.

Como se já não bastasse o altíssimo investimento do Wal Mart no mercado nacional, agora temos um grupo chileno como sendo a quarta maior rede de supermercados no Brasil. A rede Cencosud acaba de comprar uma das maiores redes de supermercados de MG, o Irmãos Bretas, com suas 72 lojas distribuídas no interior de Minas Gerais, Goiás e DF. A Cencosud já havia adquirido anteriormente uma das mais fortes do nordeste, o G Barbosa, de Alagoas, além da baiana Mercantil Rodrigues. Também adquiriu a rede Supermercados Família, de Fortaleza, em março deste ano, e a rede Perini, de Salvador, em abril.

Portanto, quando você ler algo dizendo, por exemplo, que o Wal Mart pretende abrir mais 100 lojas no Brasil em 2010 e gerar 10 mil empregos, entenda que ele na verdade pretende adquirir 100 lojas brasileiras e manter 10 mil empregados (me engana...), assim como vem fazendo a Cencosud.

Mas tudo isso você pode nem perceber, pois as redes mantêm-se com o mesmo nome original, apenas mudam internamente e concentram as políticas de compra num único pacote administrativo, idêntico de norte a sul. É aí que a coisa se complica. Vamos aos fatos relevantes:

Você possui uma indústria de sucos e vende para todos os estados brasileiros, com negociações específicas com cada supermercado. A partir do momento que os supermercados passam a ser comprados por uma mesma rede, você terá que assinar um contrato comercial com a nova dona, o qual incidirá descontos comerciais, verbas promocionais, verbas para espaço na área de venda, verba para movimentação do estoque, verba antecipada para troca, verba para marketing, verba para inauguração, verba para reinauguração e verba para aniversário (entre outras...). Tudo isso é descontado em forma de percentuais que chegam a até 25% do valor de cada nota fiscal faturada. Isso mesmo!! Você vendia para o supermercado por R$ 2,00 a unidade do seu suco, e a partir do momento que assina o acordo comercial imposto pela nova rede, na mesma venda você vai faturar apenas R$ 1,50. Você está transferindo a SUA renda para o bolso do supermercado. E os comunistas chamam apenas os banqueiros de "tubarões"...

Ok, você perdeu cinquenta centavos por unidade e decidiu parar de atender essa loja. Pronto, entrou numa tremenda enrascada, pois se desistir dessa perderá também a conta nas outras 400 lojas do grupo espelhadas pelo Brasil. Então você não perdeu apenas cinquenta centavos para uma rede de 72 lojas, mas para as 400 lojas do novo grupo!

Agora multiplique tudo isso pela compra agressiva de nossas lojas por 3 redes internacionais como o Wal Mart, Carrefour e Cencosud. Agora some isso ao Grupo Pão de Açúcar, que para manter-se competitivo precisa praticar a mesma política dos estrangeiros. Está formado o cartel: pelo Brasil a fora você está refém de apenas 4 conglomerados comerciais que corroem a margem das indústrias e fatalmente provocará falências e desemprego, tanto nas indústrias quanto nos centenas de empreendimentos correlacionados (fornecedores de suprimentos, matéria prima, etc).

Ah, mas fique tranquilo, pois com o incremento do poder aquisitivo da classe C, novos produtos importados estão entrando, e você poderá definitivamente sentir-se em Nova York, comprando coisas que entram em dólar, pois o mesmo está enfraquecido e favorece as importações de grandes marcas made in China.

Na condição de consumidor parece estar tudo a mil maravilhas, apesar de as redes disputarem preço de forma agressiva, o que destrói a competitividade dos supermercados familiares restantes, pois esses não têm a força de negociação dos gigantes. Você também poderá comprar os produtos de marca própria dos supermercados gigantes, extremamente baratos, apesar de que, consequentemente, tiram a competitividade das marcas nacionais...

Em resumo, enquanto o consumidor pensa estar ganhando, o país está quebrando suas indústrias de bens de consumo.

Uma curiosidade

Você sabia que o Wal Mart já contabiliza mais de 450 lojas em 18 estados do Brasil? Estão divididas entre as marcas Wal Mart, Hiper Bompreço, BIG, Nacional, Mercadorama, TodoDia, Maxxi Atacado e Sam`s Club. Quase todas eram marcas brasileiras.

Ah, antes que eu me esqueça, o grupo chileno parece estar assediando o grupo DMA, também mineiro, detentor dos supermercados "Epa", "MartPlus" e "Via Brasil", todos concentrados na grande Belo Horizonte com 88 lojas. Com isso, a terra do pão de queijo em breve poderá se tornar a terra do pastel de choclo...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O mercado não está preparado para nichos minoritários


Essa semana estava envolvido numa discussão sobre o varejo brasileiro. Será que ele está preparado para o mercado de idosos e demais nichos?

Não acredito que esteja... o varejo não está preparado nem para idosos e nem para pais com crianças pequenas, por exemplo. Alguns supermercados possuem banheiros inacessíveis, desses que um idoso não consegue chegar a tempo para fazer suas necessidades. Os shoppings, a mesma coisa... e o mesmo se aplica a crianças. Todos os estabelecimentos precisam ter banheiros impecavelmente limpos e também banheiros individuais para que um pai, como eu, possa levar uma filha de 4 anos ao banheiro... Não posso entrar no banheiro feminino com ela, e o masculino em muitos casos é padrão lixo de higiene. Minha filha já fez xixi na roupa por não conseguir segurar até chegarmos no banheiro que ficava, pasmem, no piso subterrâneo junto ao estacionamento de um supermercado. Nem vou falar de fraldários... deveriam ser obrigatórios. 

Confecções

E na linha de confecções! O varejo não está preparado nem para mulheres fora do manequim extra-magro, o que dirá para idosos... Para homem é mais fácil, mas vejo como sofre uma mulher que não esteja com o corpo igual ao da Deborah Secco, ou o cadavérico manequim da Adriane Galisteu na hora das compras... 

Construtoras

As construtoras têm construído imóveis a custo popular, porém, blocos de 4 andares SEM ELEVADOR. Ou seja, não são feitos para atender a um idoso e nem a cadeirantes e dificultam muito a vida de gestantes e mães com bebê de colo. 

Supermercados

Uma outra forma de perceber a falta de foco do varejo para o mercado de idosos é observar as seções de produtos especiais nos supermercados, como a linha de produtos diet e light, e especialmente a linha de produtos com redução de sódio, como o sal light com 50% menos sódio do que o convencional. Muitos supermercados não oferecem uma diversidade significativa desses itens, que ofereçam qualidade de vida sem agredir a saúde dos membros da terceira idade. E quando oferecem, o aumento de custo é desproporcional... 

Escola de informática

Existem agências de turismo oferecendo pacotes para a terceira idade, e estão obtendo êxito nisso. Mas outros segmentos já não prospectam esse nicho. É o caso das escolas de informática. O idoso também quer usar computador, comunicar-se com os filhos e netos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Alguém conhece uma escola de informática que ofereça cursos dirigidos para esse nicho crescente e carente de conhecimentos práticos para explorar as ferramentas de foto, vídeo e msn? Alguém aqui tem conversado com a vovó ou com a mamãe sessentona através do computador? Muitos conseguem, mas ainda há um número infinito de usuários do lado de lá que não sabe sequer ligar um micro.

A culpa é do departamento de Marketing!

Vejo no nosso dia a dia dezenas de oportunidades mal exploradas pelas empresas. E muitas vezes porque acreditam que, mercadologicamente, dirigir um comercial ao público de terceira idade pode subjetivamente afastar o público mais jovem, e até dos mais maduros que não se sentem ainda "idosos", por assim dizer.

É o mesmo efeito da Coca Diet, que na década de 80 era vista como remédio para diabético. Assim tiveram que lançar o mesmo produto, mas com o nome Light, para suavizar a mensagem e atingir também os que buscam apenas redução de calorias. A venda decolou assustadoramente, sendo vendido o mesmo produto, mas com um apelo mais jovem. Hoje rejuvenesceram ainda mais, e transformaram o Light em ZERO.

O Banco do Brasil também investiu verdadeira fortuna para rejuvenescer a marca e conquistar o público jovem na década de 90, pois tinha cara de banco para velhos, focado na solidez e segurança. Hoje todos os bancos focam na juventude, e fazem até pouco investimento em marketing nos planos de aposentadoria privada. Pois, salvo alguma infelicidade, até a mais bela moça deverá um dia ficar velha... Ou seja, tocar no assunto "velhice" não é mercadologicamente correto.

Hoje as pessoas gastam até o que não têm para "rejuvenecer", e aos 70 anos alguns chegam a aparentar 40. Pergunte se eles se sentem bem assumindo a verdadeira idade...

Infelizmente a cultura prega a eterna juventude como a forma legal de se viver, onde envelhecer "é careta". Por isso o mundo business ainda recebe pouco investimento para atingir de fato o nicho dos mais velhos.

Parecem jovens, mas no fundo...

Apesar das aparências externas, por dentro os idosos ainda necessitam de cuidados específicos. Seu organismo e os 5 sentidos já não são mais capazes de agir como nos velhos tempos. E é nesse ponto que destaco a pouca importância que o varejo dá à terceira idade. Ainda há muitos detalhes inegociáveis e perceptíveis por um idoso que não estão sendo cuidados pelos varejistas, e que poderiam fidelizar essa clientela no seu dia a dia, onde consomem mais dinheiro. Nesse ponto volto a destacar a atuação dos supermercados e shopping centers, bastante desleixados com relação à essa categoria crescente de consumidores.

Por isso é que acredito que o varejo no Brasil não está preparado para o mercado da terceira idade e de outros nichos específicos...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quando seu negócio não vai bem... a culpa é sua!

Gente, essa eu não podia deixar para depois, pois é mais uma experiência desse pobre consumidor mal atendido por negócios que deveriam ser perfeitos.

Quarta-feira, saímos do trabalho, pegamos a pequenina na escola e resolvemos fazer um happy hour no shopping. Estava curioso para visitar em especial uma loja, a Centauro, cuja apresentação vou colar aqui, coletado do seu site institucional:

"Fundada em 1981, a Centauro é maior rede de lojas de produtos esportivos da América Latina. São 89 lojas distribuídas em vários estados do Brasil. Com atuação nos principais shoppings do país, a rede desenvolveu e implantou, de forma pioneira, o conceito de Super e Mega Store, que reúne dentro de um único ambiente várias categorias de esportes, além de entretenimento e experimentação de produtos." 

Parece que o redator dessa apresentação está se referindo à Decathlon, a qual faz jus à uma definição de Mega Store.


Por fim, após ter conhecido a loja Centauro do Shopping Center Norte, em São Paulo no mês passado, confesso que me senti mal atendido pelos 2 vendedores que tentaram me atender, pois entendiam pouco sobre o assunto e pouco contribuíram para me oferecer o que estava procurando: um calçado para prática de esportes aquáticos. De tão teimoso, encontrei por acaso um exemplar Adidas na área de vendas que, contudo, era o único par e não tinha a minha numeração.

Saí fazendo pouco caso, pois estava apenas especulando sobre o produto. Porém, ao ver que abriram uma loja da mesma rede aqui em Palmas, tratei de dar uma espiada para ver se encontrava algo.

Fui igualmente mal atendido por alguém que além de não saber nada sobre o assunto, foi informar-se com outro vendedor e ambos riam discretamente de algo, provavelmente de mim. A garota voltou e tentou convencer-me a levar um daqueles trambolhos para montanhismo, um coturno de aventura que em nada parecia com o tênis leve e permeável que solicitei para a prática de canoagem. Ao dizer que não era aquilo, ela riu e disse "então por que não leva um Crocs?".

Não preciso dizer a raiva que fiquei daquela pessoa...

Em primeiro lugar, Palmas está cercada de água, e a maioria das pessoas possuem um barco, um jet ski ou tem por hobby a pesca. É quase impossível conversar com um cidadão local sem falar em beira de rio. Como é que alguém abre um "conceito de Super e Mega Store, que reúne dentro de um único ambiente várias categorias de esportes", oferecendo mais de 40 opções de coturnos para montanhismo (isso mesmo, eu contei!!) e o único artigo relacionado à pesca desportiva ou esportes aquáticos era um colete salva-vidas? Como é que abrem uma loja daquele tamanho num shopping de alto custo sem fazer uma análise do perfil do consumidor dessa cidade?

Sinceramente, quando penso que já vi de tudo nessa vida, quando penso que o marketing já é um assunto até surrado no ramo empresarial, ainda me deparo com esse tipo de situação. É por isso que ainda tem palestrante que consegue vender a dez mil reais, por uma hora de apresentação, uma palestra onde o tema é "Aprenda a encantar o seu cliente". Tem gente com quase 30 anos no ramo que ainda não sabe o que é isso...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aula corporativa com o técnico Bernardinho.

Ser um profissional vitorioso é simples. Muito mais simples do que você possa imaginar, basta fazer o que todo mundo sabe que é o certo. E Bernardinho fez. Bernardinho pratica aquilo que acredita e colhe os frutos... uma conquista atrás da outra.

Veja nessa entrevista à GLOBOESPORTE.COM algumas de suas pérolas que devem ser seguidas para quem está no mundo dos negócios.

Para entender os motivos que levaram o vôlei brasileiro a ser tão vitorioso nos últimos anos, o treinador, quando perguntando sobre o que ainda falta fazer, responde:

- Eu quero melhorar como treinador e conquistar o próximo campeonato.

E qual é afinal o segredo do vôlei para ter se transformado em um esporte no Brasil tão vitorioso?

- Se olharmos, o voleibol é um esporte que vem se organizando, se profissionalizando, veio criando a base para um crescimento sustentável.

Bernardinho acrescenta o que deve ser feito para o tri ser conquistado:

- O foco na ação, no momento, o time junto, mais do que nunca. Nós não vamos perder não. Não vamos entregar para os caras, isso é certo.

Vejam bem os amigos do ramo corporativo que Bernardinho, um dos maiores vencedores de todos os tempos em qualquer categoria esportiva que se tem notícia no Brasil, segue com o discurso humilde de que "quer melhorar como treinador" para conquistar o próximo campeonato. Ele sabe que no mundo competitivo não basta ser bom e nem ótimo. Para sobreviver e vencer é preciso buscar ser o melhor sempre.

E a receita está na mão para quem ainda não decolou corporativamente: organização, profissionalização e criação de uma base para o crescimento sustentável. Porque no mundo dos negócios, assim como nos esportes, não basta chegar ao topo. É preciso se manter.

Quem tem ouvidos para ouvir ouça os sábios conselhos de quem sabe o que diz...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Profissional acomodado ou líder desqualificado? Eis a questão

Estava num fórum de discussão e entrei num tópico que me chamou a atenção. O amigo Leonardo Stocker intitulou o fórum Chega!!! Queremos profissionais além do básico... e descreveu o seguinte:

"Quem aí nunca teve o prazer de trabalhar com "profissionais" que fazem apenas o que manda o roteiro, não se destacam, não inovam e acham que qualquer coisa fora das suas atribuições é passível de processo como desvio de função e danos morais (nossa!). Infelizmente toda a empresa conta com profissionais dessa estirpe.

Já dizia Henry Ford, "abomino dois tipos de funcionários. Os que não fazem o que lhes é pedido e os que só fazem o que lhes é pedido". Estamos falando de 1914 e do modelo fordista de fabricação em série. Os profissionais devem fazer sempre mais do que se espera deles e quebrar o paradigma que conhecemos na prática, onde os funcionários fazem o mínimo possível para que não sejam mandados embora e os empregadores pagam o mínimo aceitável para retê-los.

As empresas devem perceber que a única forma de serem competitivas é tendo no seu time pessoas que não se acomodem facilmente, que percebam erros, questionem e sejam parte da solução. Caso você se encaixe nesse perfil, parabéns, mas de nada adianta ter esse perfil se o lugar onde você trabalha fala de inovação, criatividade e empreendedorismo, mas não lhe dá liberdade para criar, cometer erros e empreender. Cuidado, se esse for o seu caso mude de empresa e abuse do seu talento na concorrência.


Até mesmo porque Einstein já dizia que "Não há maior sinal de loucura do que fazer uma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente". Eu concordo com esse cara fotogênico e você???
"

A esse fórum deixei um comentário curto, pois concordo com ele.

Está mais do que claro que a culpa pela falta de proatividade não está no funcionário, mas nas lideranças incapazes que chegam onde não deveriam chegar por serem apenas "de confiança".


Infelizmente ainda há um grupo (e muito grande!!) de empreendedores que promovem para cargos de comando pessoas de confiança ao invés de pessoas capazes, lideres que coloquem a turma para pensar e agir. Cansei de ver ótimos vendedores virarem péssimos gerentes, e nem assim perdem o emprego por serem de confiança do patrão, e acabam liderando um bando de acomodados sem iniciativa criativa e motivação. A equipe sente a falta de um líder e perde o gosto pelo próprio trabalho.

Um bom gestor é aquele que articula os projetos internos de tal maneira que faça sua equipe pensar, e mesmo sabendo onde quer chegar consegue fazer com que os demais busquem uma solução e cheguem onde ele quer, até com idéias mais eficientes e inovadoras.

Essa á uma das características de um bom líder: promover o uso de toda a capacidade intelectual de seus comandados.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

TV por assinatura cresce 16,3% em 2009. É o consumidor em busca de qualidade.

Após falarmos que houve crescimento na frequência dos brasileiros nos cinemas, volto com uma pauta animadora, agora na linha de TV por assinatura.

Segundo a Anatel, considerando o total de assinaturas habilitadas entre os meses de janeiro e novembro, o ano de 2009 traz o melhor desempenho para o setor dos últimos quatro anos, com crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda sem a incorporação dos dados do mês de dezembro, a quantidade de novos usuários de TV paga está quase igual a registrada durante todo o ano de 2008, quando foram habilitados 1.062.522 novos pontos de TV.

O incremento do número de assinantes é um reflexo não apenas de que a nossa economia vai bem, mas de que o pessoal busca mesmo programação de melhor qualidade, o que está se tornando raro na velha e trivial TV aberta.

Potanto, mesmo sem querer parecer repetitivo nesse apelo, sou obrigado a citar novamente que o povo brasileiro está disposto a pagar o quanto vale por um serviço ou produto de qualidade. Esse requisito começa a ser o principal diferencial competitivo para o ano de 2010.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Frequência de brasileiros nos cinemas cresceu 25% em 2009. O que isso quer dizer?!

Segundo o Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro, um total de 112.047 milhões de pessoas freqüentaram as salas de cinema do País no ano passado, o que representa um aumento de 25% em relação ao ano de 2008. E o que eu tenho a ver com isso?

Se você é um profissional sagaz, poderá fazer uma análise aqui junto comigo. Veja só isso:

1 - O preço de uma sessão de cinema varia de R$15,00 a R$ 25,00 por aí, mais R$ 10,00 de estacionamento no shopping, mais um refrigerante com pipoca, sem falar no custeio do parceiro ou acompanhante, que poderá totalizar o passeio em até R$ 50,00 por 2 horas de diversão.

2 - Na internet, hoje você baixa os mesmo filmes do cinema com qualidade de DVD, ou pouca coisa inferior, apenas com o custo já incidente da ADSL e energia elétrica, podendo assistir qualquer filme no conforto do lar, comendo o que quiser a custo de supermercado.

Considerando a nova sociedade virtual, onde muita gente passa madrugadas conectado administrando relacionamentos a distância e baixando todo tipo de mídia, confesso que fiquei indignado com a informação de que a frequência no cinema aumentou consideravelmente em 2009.

Qual a justificativa disso?

Analisando o meu próprio blog com uma grande quantidade de postagens reclamando de mau atendimento, foi rápido interpretar a matéria: as pessoas buscam qualidade em tudo aquilo que desejam. Estão dispostas a pagar para assistir a um filme em alta resolução na tela do cinema, abrindo mão do trivial filminho na TV, no conforto do lar, e com o baixo custo da tubaína com biscoitos cream cracker para tirar todo o proveito possível de uma produção cinematográfica durante um agradável passeio.

O ramo de entretenimento está em alta, e assim como as pessoas esperam ser atendidas como um rei por quem vende, esperam também obter qualidade inigualável nos produtos e serviços que compram ou contratam. Gastar no cinema ao invés de assistir filme em casa vale a pena, assim como comer pizza na pizzaria ainda é muito mais gostoso do que o providencial disk-entrega!

Por isso eu digo que se você estiver satisfeito em ser ótimo no que faz, prepare-se para sair de cena... o mercado consumidor será conquistado por quem é EXCELENTE, pois paga-se, e paga-se muito bem por tudo aquilo que satisfaça aos anseios de quem está com o dinheiro para gastar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O recomeço no mundo dos negócios pode ser muito duro. Não deixe a peteca cair!

Infelizmente o recomeço após um fracasso empresarial pode ser o preço a se pagar pela falta de planejamento. Então aqui vai minha dica: o sucesso é fruto de quem prima por uma gestão de antecipação de tendências e de nuâncias do mercado concorrencial.

Se hoje você é líder de mercado ou possui certo conforto com relação à sua média de vendas, avalie bem quais são os seus diferenciais competitivos e o que impactaria no seu negócio a entrada de uma nova marca, produto ou serviço. E diante disso, já tenha em mãos o plano B com um novo argumento a seu favor, que o diferencie do novo concorrente.

Se você é único no atendimento a um nicho específico ou categoria de produtos, poderá perder logo de cara 50% do seu faturamento em curto prazo com a chegada de um concorrente direto. Antecipe-se a isso buscando a consolidação de sua marca a fim de provocar a insegurança do seu cliente em experimentar o novo concorrente, e com isso retardar e diminuir o impacto nos seus resultados, até que você possa entrar com ações específicas já sabendo das diferenças entre o seu negócio e o novo entrante.

E lembre-se: conseguir permanecer, mesmo que com menos força, é melhor e menos dolorido do que recomeçar... agir com inteligência e maturidade é melhor para o seu bolso do que agir apenas com perseverança.

Sucesso a todos!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lançamento de nova marca para nicho específico

Segue mais um case corporativo retirado da Rede Social Exame-PME, postado pelo amigo Thiago Fernandes, para conhecimento dos amantes de business:

"Sou proprietário de uma empresa destinada ao desenvolvimento, produção e comercialização de roupas e equipamentos para atividades Outdoor e esportes de Aventura.

Estamos prestes a começar nossas atividades comerciais e preciso de algumas sugestões e indicações de pessoas que trabalham com comunicação:

1) Eu trabalho com roupas e equipamentos de aventura que são produtos de compra comparada e que exigem muita informação e muita comunicação visual no ponto de venda, pois 80% do publico decide qual modelo ou marca levar no PDV. Por esse motivo quero desenvolver displays /expositores personalizados para fornecer aos meus distribuidores/lojista.
Eu já possuo o Briefing do modelo que pretendo utilizar, por isso gostaria de indicações de fabricantes?

2) Com base na experiência de vocês, qual a melhor política para distribuição de Expositores ? Com base em uma compra mínima, potencial do PDV? Qual o método que vocês costumam utilizar que seja mais benéfico para a empresa?" Conheçam a Hard Adventure.

Minha resposta: Thiago, primeiramente, eu adotaria uma estratégia diferente antes de investir nos displays. Quero destacar, antes de mais nada, que não são todos os lojistas que permitem a colocação de displays em sua área de venda, o que pode tirar parte da eficiência do seu projeto. Como seu produto é de compra comparada, acredito que você poderia vincular sua marca a uma personalidade que ateste a qualidade dele ao invés de esperar que o consumidor leia nos prospectos toda a descrição técnica tentando convencê-lo de que o artigo é bom, ou torcer para que o vendedor/atendente lhe ateste isso. Foi a tática da Oakley, Gatorade, Nike (que não nasceram grandes...) e muitas outras marcas de produtos inovadores, que ao serem vinculadas a pessoas de destaque no seu segmento, ofereciam um argumento muito mais rápido e forte para influenciar uma decisão de compra.

Dentre os que praticam esportes de aventura, quais são os nomes das pessoas de respeito, cuja imagem pura e simples já seria sinônimo de "eu uso e garanto esse produto"? Talvez não custe tão caro o contrato de uso de imagem por um ano de alguém nesse segmento, e a sequência do seu projeto pode baratear muito com a colocação de banner nos pontos de venda ao invés de displays, promovendo giro mais rápido, e servindo também de argumento aos lojistas para abastecerem suas lojas com os seus produtos.

Veja que atribuir valor agregado, confiabilidade e vendabilidade à sua marca, que é nova no mercado, é um fator primordial ao seu sucesso, cujo primeiro passo é convencer o lojista a comprá-lo e colocá-lo na área de venda, para em seguida ver o giro acontecer através do consumidor final.

Após essa etapa, já com um histórico de venda e aceitação de sua linha, fica muito mais fácil investir em displays e oferecê-los aos lojistas como um suporte adicional para expor os produtos. E lembre-se: hoje você tem a necessidade primária de ser aceito pelo consumidor de forma rápida, e talvez seja mais eficiente investir na mensagem com a força de convencimento ao usuário do que na estética de exposição no pdv.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O dia da criança tornou-se um dia para empreender

Esse feriado do dia das crianças, um pouco chuvoso e melancólico, foi tomado de novas expectativas.

A possibilidade de empreender uma operação comercial na área de alimentação, tomou nossas mentes por 4 dias seguidos. Dessa vez muito mais real e factível do que em qualquer outra já cogitada. Há sempre aquele dilema que confronta o negócio próprio, novo por natureza, com os empregos já existentes, sem risco e de ganho certo.

Mas e o risco de sucesso, não deve ser considerado? Deve... só falta a coragem de dar o ponta pé no "é agora ou nunca" para o que significa um pequeno passo para alguns, mas um grande passo para outros. A gente faz tanto pelo negócio de terceiros, traz resultados e faz a coisa dar certo, mas quando chega a vez de fazer pelo nosso parece que dá um medo...

Empreender está no sangue do ser humano, o que resta é organizar o tempo e as idéias para compartilhar todas as atividades para que tudo prospere dentro de nossas capacidades físicas e mentais. Mas nós vamos dar um jeito... com certeza.