sexta-feira, 15 de julho de 2011

Fusões e confusões do mercado nacional

É como diz o sábio filósofo mineiro, Nhô Chico Mirtinho: o mundo dos negócio é inguar que uma sanfona. Premero junta, dispois ispaia... junta, ispaia... junta, ispaia... junta, ispaia.

E assim é que acontece no mundo corporativo. Os países se ajuntam para fortalecer sua economia. Depois vem a guerra e é cada um por si novamente. Depois juntam de novo em alianças corporativas para fortalecer o petróleo, o turismo, a extração, a pesca. Depois vem novas alianças de conveniência por outros fins e eles se separam novamente. Organizações menores formam cooperativas, associações e outros. E conforme cada membro ganha força, liberta-se do ajuntamento e vai se virar sozinho. Até bandas de rock e duplas sertanejas se ajuntam e depois de separam... e assim caminha a ordem natural das coisas: no momento de fraqueza, ajunta-se. Ao ganhar força, separa-se.

E vamos ao que interessa: a união entre Pão de Açúcar e Carrefour deu em água, para alívio geral da nação com um pingo de sanidade mental. Pelo menos por enquanto não estaremos piores do que já estamos em concentração de poder supermercadista.

Mas os efeitos dessa concentração de poder supermercadista, que já caminha a passos largos, acabam de promover uma nova junção: a da Perdigão com a Sadia.

Já tenho falado sobre fusões e conglomerados aqui mesmo no blog, e minha opinião não é mais novidade para ninguém: SOU CONTRA. Porém, cada ação gera uma reação, e em resposta à força de manipulação que vem sendo criada pelas redes gigantes supermercadistas, até é de se esperar que as indústrias se mobilizem para fazer frente ao embate comercial que as aguarda.

Nesse contexto, Sadia e Perdigão agora detêm 80% do mercado nacional de frios. Lembrando ainda que a Batavo já faz parte dessa massa. E eu te pergunto: o Cade está nos achando com cara de palhaços? E respondo: ESTÁ!! Porque só mesmo sendo muito brasileiro, desses que acreditam em Lulices, para cair no conto de que as "exigências" estabelecidas para impedir a formação de cartel de preço e produção surtam o efeito esperado.


Segundo o site Notícias BR, "Para fazer a aprovação, a BRF e o Cade chagaram a um acordo que prevê a suspensão da venda de diversos produtos da Perdigão no mercado interno por um período que vai de três a cinco anos. A restrição afeta 80% da produção. O acerto inclui a suspensão da venda de presunto, vitela e pernil por três anos, de salame por quatro anos e os congelados, pizzas e lasanhas por cinco anos.

Com o acordo, a BRF se compromete a não lançar novas marcas no mercado que possam substituir os itens suspensos. A Batavo, que também pertence ao grupo, deve cancelar a venda de carnes processadas por quatro anos. A Brasil Foods terá que vender algumas cadeias completas de produção, vários centros de distribuição, dez fábricas e quatro abatedouros que possui.
"

Eu já estou desanimado com a capacidade de prever catástrofes econômicas de nossos governantes e órgãos reguladores. O Brasil está seguindo um caminho sem volta para o caos, de domínio das forças produtivas, agropecuárias, extrativistas e comerciais. Vai chegar um momento em que, criando vacas, porcos ou aves, você só terá um cliente para vender. Vai vender leite a um único pagador. Vai negociar com um único supermercado. Vai ter que se submeter a uma única fonte negociadora. E quando menos esperar, será escravo e servo de um único senhor feudal que decidirá quanto quer pagar pelo seu produto.

Sem mais delongas, estou desanimado com nossa política comercial. Com licença, vou ali cuidar do que é meu enquanto ainda posso...