sábado, 5 de fevereiro de 2011

O esporte profissional que passou de diversão para ideologia

É assustador isso. Uma torcida que intitula-se um "bando de louco" parece que já não tem mais esse grito como uma metáfora, mas como um adjetivo. E qual a origem disso? O que leva o torcedor de um clube a tamanho fanatismo a ponto de agredir atletas e comissão técnica na ocorrência de um fracasso?

Primeiro, a violência no futebol não é uma exclusividade de um ou dois times. A torcida do Atlético-MG já mostrou sua intolerância ao torcedor adversário com a mesma força bruta que a do Coritiba nesse início de 2011. Mas nada comparado à violência já demonstrada aos atletas dos clubes como em episódeos recentes envolvendo Flamengo, Palmeiras, Santos, e agora o Corinthians.

A diferença está na rivalidade entre torcedores, que infelizmente termina em morte por motivo de provocação mútua, e no fanatismo de outros torcedores que os torna inconsequentes diante de um resultado negativo dentro de campo.

Mas existe aí uma parcela de culpa de ordem administrativa por parte dos clubes. É papel do departamento de marketing promover a paixão cega do torcedor para a vendas dos produtos licenciados, a fim de gerar renda e presença nos estádios.

Porém, o fenômeno visto no Corinthians desde o seu rebaixamento no Campeonato Brasileiro foi o de transformar o torcedor numa espécia de Senhor, para quem o elenco e o clube devem satisfação e submissão em troca de apoio irrestrito, o que tornou o que já era fanático num possuidor com direitos de julgar e punir.

Com isso o clube realizou investimentos de alto risco, incitou a rivalidade desmedida e a paixão irrestrita pelo time sem distinguir que o clube é uma instituição e o atleta uma ferramenta de trabalho. O mesmo jogador que atua hoje no seu clube do coração, amanhã pode estar jogando no seu maior rival. Essa é a profissão deles: jogar futebol para quem os contratar.


Mas o torcedor e senhor desse clube não quer saber de nada, e no ano do centenário, onde o despreparado presidente usou e abusou da prepotência nas palavras, o que se viu foi um clube instável, carregado de esperanças e certezas, mas que frustou seguidamente seu ansioso torcedor, que foi motivo de piada na escola e no trabalho. E a bronca foi sentida a pau e pedra por quem tinha a "obrigação" de vencer.

E agora? Agora é bom aprender com quem já errou para que não erre também:

1 - Lugar de torcedor é nas arquibancadas, apoiando ou xingando o time.
2 - Lugar de presidente é no escritório planejando e executando o seu trabalho.
3 - No meio esportivo não deve haver rival, e sim adversário.
4 - O adversário faz parte do jogo, não deve ser desrespeitado.
5 - Futebol se vence após o fim do jogo, e não por antecipação.
6 - Título não se promete, se conquista.

Na minha modesta opinião acredito que dirigentes devem ser calados e responsabilizados sempre que promoverem o fanatismo de suas torcidas, pois os resultados de quem não consegue balancear as atitudes baseadas na razão e na emoção geralmente são desastrosos. Que Andrés Sanches seja o primeiro, e sirva de exemplo para os outros.

E que o torcedor entenda de uma vez por todas que a vitória ou a derrota do clube do seu coração não muda em nada sua tosca vida!! Dentro das 4 linhas um dos dois pode vencer. Hoje perdeu, mas amanhã tem mais...