sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O DNA tupiniquim não contempla a obediência

A incrível facilidade que nós brasileiros temos para desobedecer leis, ordens, regras e regulamentos

Por Alexandre Sewald

Há alguns dias, atravessando na faixa de pedestres e com o sinal verde para nós, eu e meu filho quase fomos atropelados em um cruzamento próximo de casa.

O infrator ainda falou qualquer coisa sobre minha mãe trabalhar no setor de entretenimento masculino mas não pude ouvir tudo o que ele falou. Acho que me confundiu. Dona Marli é do lar há anos.

Dias depois, no mesmo cruzamento aguardando o sinal esverdear, fiz uma contagem que não tem nenhum valor estatístico. Mas só por curiosidades, contabilizei 7 pessoas (não é conta de mentiroso) não utilizando o obrigatório cinto de segurança e 4 pessoas diferentes falando ao celular.

A lei federal que estipula o uso compulsório do cinto de segurança data de 1994. Não consegui levantar a data da proibição do telefone enquanto se está dirigindo mas ela está no artigo 252, parágrafo VI do Código de Trânsito Brasileiro.

Assim como essas leis que não são respeitadas, no dia a dia, muitas outras também não são. Muitos creditam à impunidade essa desobediência generalizada. Eu discordo. Acho que está no DNA tupiniquim a desobediência. E essa constatação não é só minha. Conversando certa vez com um descendente de alemão que já viveu por lá, ele me contou a seguinte história:

- Alexandre, se na Alemanha o governo colocar sobre uma ponte uma placa dizendo Pule, o alemão que por ali passar vai se jogar no rio. Ainda que esteja uns 4 graus negativos.

Já no Brasil, há várias placas sobre rios dizendo Não Pule e o que se vê é um concurso de saltos ornamentais.

Para o Brasil amadurecer como nação a obediência, o cumprimento das leis é indispensável. Vejam o aparato montado somente para fiscalizar quem não cumpre as leis. Vou dar um exemplo: os radares no trânsito. Se todos observassem a velocidade indicada na sinalização eles não seriam necessários.

Não vou dizer que nunca infringi alguma lei, regra ou regulamento. Certamente o fiz. Como em uma multa por excesso de velocidade que atribuo a uma falta de atenção. A isso, todos estamos sujeitos. Mas desobedecer sabendo o que está fazendo e não ligando a miníma para as consequencias sociais, não as financeiras, é temeroso para o nosso futuro.

Lanço um desafio: fiquem em um cruzamento razoavelmente movimentado e contabilizem quantos motoristas sem cinto ou utilizando celulares vocês encontram. Motoqueiros sem capacete também vale.

Mau atendimento: falta de produtos em supermercados

Mais um capítulo de minha saga como um consumidor mau atendido, dessa vez em um supermercado com a falta de produtos.

Eu sou um consumidor de hábitos muito regulares, tenho um conjunto de produtos que eu e minha família costumamos utilizar, e nesses casos somos bastante fiéis aos itens por satisfazer nossa necessidade de consumo, independente de estar em oferta ou não, ou de haver algum similar em oferta.

Após algumas idas ao mesmo supermercado de sempre, dessa vez minha paciência se esgotou, e resolvi relatar aqui a minha insatisfação com a falta de produtos em uma só compra (ou tentativa de compra...), e as quantidades que deixei de comprar. São eles:

- Aveia fina de qualquer marca 250g - R$ 2,50 x 1
- Refrigerante Schin Guaraná 2L - R$ 1,87 x 3 = R$ 5,61
- Refresco em pó Nutrinho sabor laranja, abacaxi, limão e uva - R$ 0,70 x 6 = R$ 4,20
- Achocolatado Garotada 400g - R$ 2,89 x 2 = R$ 5,78
- Suco concentrado Maguari sabor Laranja, uva e cajú - R$ 4,20 x 3 = R$ 12,6

Só nessa compra, além da insatisfação de fazer papel de palhaço num supermercado de grande porte, de uma rede grande de minha cidade, a loja deixou de vender para mim R$ 30,69. É claro que alguns itens foram substituídos por outro sabor ou marca, porém foram comprados em menor quantidade. Outros tive comprar num mercado menor perto de minha casa (antes tivesse ido lá direto...).

Considerando que o ticket médio de supermercados desse porte varia próximo de R$ 28,00/compra, posso dizer que os produtos que deixei de comprar representam uma perda maior que a compra de um cliente.

Vamos ao cálculo que o gerente da loja deveria fazer, mas não faz:

- Considerando que eu sou um cliente excêntrico e que não sou modelo padrão para a média, vamos reduzir a minha insatisfação de R$ 30,69 para R$ 8,00, sendo esse novo valor o equivalente ao que os demais clientes insatisfeitos deixam de comprar por visita ao mercado;
- Considerando por baixo, que o número médio de cliente/dia que compram na loja é de 1.200 pessoas;
- Considerando que o mês tem em média 25 dias úteis de compra.

O total da perda de venda para essa loja por má gestão da área de venda é de R$ 240.000,00 por mês, ou seja, 10% do faturamento de uma loja de 2,4 milhões/mês.

Para uma rede de 12 lojas que porventura realize o mesmo descaso ao consumidor e aos próprios princípios comerciais, essa perda pode chegar a 2,88 milhões/mês, o equivalente ao faturamento mensal de mais uma filial.

Parte disso é pura incapacidade administrativa gerencial, mas outro tanto é o folclore cada dia mais forte no meio supermercadista de que as indústrias é quem devem oferecer promotores para abastecer seus produtos na área de venda das lojas. E que quando não o fazem, os produtos chegam a ficar inertes no depósito, com o dinheiro já investido sem circular, deixando de atender ao consumidor e impedindo a loja de faturar mais.

E depois vem gente dizer que o mercado está desacelerado, justificando a queda de vendas...

O que eu vou fazer? Vou fazer como centenas de consumidores e mudar o local de minhas compras para um supermercado onde a economia ainda está acelerada.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Brasil perde a voz...

A voz grave mais famosa, mais imitada e mais ouvida de um dos maiores coadjuvantes da TV brasileira não será mais ouvida.

Luiz Lombardi Netto, companheiro de trabalho de Silvio Santos a mais de 40 anos, faleceu nessa quarta-feira deixando saudades, e um vazio artístico que provavelmente só conseguirá ser preenchido por um filho herdeiro.

A chamada "É você Lombardi!" de todos os domingos acabou... a voz entusiasmada de uma celebridade discreta como pessoa, mas presente na vida de todos os brasileiros, será uma lembrança difícil de apagar.

Silvio Santos tem o mérito de honrar os bons profissionais que trabalham ao seu lado, e imortalizou a voz de Lombardi na história do SBT.

Fica o exemplo da perseverança, da alegria e da humildade do palmeirense mais famoso e menos visto do Brasil, Luiz Lombardi Netto.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Trabalho Voluntário

Por Alexandre Sewald

Nosso país é reconhecidamente um país solidário. No entanto, o trabalho voluntário por aqui ainda engatinha.

E quando surge um grupo de pessoas que se dispõe a realizar esse tipo de trabalho devemos destacá-los. Principalmente quando esse trabalho é ajudar pessoas a encontrar um emprego ou uma oportunidade de melhorar profissionalmente.

É o caso do Novo Trabalho (http://novotrabalho.org).

Que a equipe do Novo Trabalho tenha muito sucesso e que Jesus os ilumine nessa sublime tarefa.

Departamento financiero x RH, segundo Jack Welch

Estava lendo uma das comunidades empresariais em que participo e me deparei com o seguinte fórum de discussão, aberto pela Ana Paula Pinheiro:

"Em vídeoconferência na ExpoManagement, Jack Welch diz os diretores de finanças deveriam ter menos importância do que os de RH. Vocês concordam com ele?"

Minha opinião: Ana, se Jack Welch fosse deus, eu seria ateu... conhece aquela piadinha em que os órgãos do corpo humano estavam disputando sobre o seu grau de importância, e quem deveria ser o líder? O dia que o ânus parou de trabalhar, o corpo inteiro já não conseguiu mais parar em pé, e em vão batia o coração... Assim é uma empresa na gestão de cada departamento. Nem um vive sem o outro. Felipe Massa perdeu um título mundial em 2008, talvez porque numa das provas o staff que abastece o carro no box não retirou a mangueira de gasolina no tempo certo, comprometendo um ano inteiro de trabalho do piloto que terminou em segundo lugar no mundial de F-1. Ou seja, todos precisam buscar ser perfeitos no que fazem, e isso sim faz uma empresa crescer e vencer, com um bom conjunto.

Provavelmente Jack disse isso numa palestra voltada a profissionais de RH, ou com tema dirigido a essa área, pois na posição dele, de um líder empresarial, não deve acreditar de fato nessa colocação e nem assumir isso na presença do seu diretor financeiro.

É perigoso andar em círculos nessa discussão... Já vi empresas (e muitas...) quebrar por má gestão do departamento financeiro, mesmo com um ótimo departamento comercial, que foi contratado e motivado pelo RH.

Mas alguém pode dizer "essa é a importância do RH, pois em uma boa gestão teria identificado que o diretor financeiro não é de competência compatível com a necessidade da organização". Nesse caso, o RH se tornaria o centro do universo empresarial, saberia quantificar e medir o desempenho de todos os outros, e obrigatoriamente teria mais importância do que a função do próprio presidente.

O departamento financeiro sabe dizer se o trabalho do RH está sendo eficiente e rentável para a organização, pois contempla análise de entradas e saídas de recursos. Mas o RH não saberia dizer se o trabalho do financeiro está sendo eficiente e bem desenvolvido pelos objetivos da mesma organização. E agora Jack?!

domingo, 29 de novembro de 2009

Marketing pessoal: com que roupa eu vou?!

"Agora vou mudar minha conduta,
eu vou pra luta
pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bru.....ta,
pra poder me
reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?

Com que roupa que eu vou
pro samba que você me convidou?
"

Noel Rosa já citava em sua canção a importância que tinha selecionar a roupa certa para aparecer bem no evento com a pessoa que o convidou. E estava certo! A forma de se vestir diz muito sobre você!

O que precisa ser pensado é: onde eu vou, já sou conhecido, posso me expor sem causar idéia distorcida a meu respeito? Ou então, como vou aparecer lá pela primeira vez, com que roupa eu vou?

Exemplo disso é o estilo de Supla, típico punk-rocker irreverente e conhecido pela sociedade, que pode aparecer onde quiser vestido como quiser que ninguém vai estranhar, pois é um artista. Mas se ele chegasse anonimamente com seu típico figurino num casamento, não pderia causar alguma impressão errada a seu respeito? Afinal, a idéia de esteriótipo que cada pessoa tem sobre o mesmo tipo pode ser diferente. Alguns admiram o estilo punk, outros têm medo...

Outra personalidade, como a Adrine Galisteu que já se tornou sinônimo de "vestir-se de forma inovadora", já não causa o mesmo impacto que Supla, e sim curiosidade. Galisteu usa roupas e acessórios que você muitas vezes só vê em desfiles de moda. Mas e daí? É a Galisteu, artista, e todos sabem que dalí pode vir de tudo, que nada causa indignação. E eu te pergunto: porventura um anônimo usando os figurinos de Adriane Galisteu para uma entrevista de emprego, não poderia ser interpretada de diferentes formas? Vai contar com a sorte de ser entrevistada por uma pessoa mente aberta, mesmo sabendo que pode dar de cara com um conservador?

Por isso acredito que a forma de aparecer em público ou a um evento social não é apenas um detalhe, considerando a impressão que se deseja deixar a quem está por perto ou a quem deseja-se impressionar. É conveniente não causar impacto quando ainda não se é conhecido, deixando para expor-se por completo a médio prazo ou em ocasiões informais com o seu estilo pessoal.