quinta-feira, 28 de maio de 2015

Liderança humanizada e seu impacto na empresa

Se você é um líder incapaz de racionalizar os problemas debatendo pacificamente as propostas de solução e melhorias trazidas por seus colaboradores, então sua empresa nunca vai ser grande. Você está tirando a criatividade e pró atividade de seu time

Se você é um líder que se prende a acontecimentos do passado e velhas opiniões sobre seus colaboradores, e não consegue assimilar a ideia de que as pessoas evoluem, amadurecem e mudam sua conduta, então sua empresa nunca vai ser grande. Você não olha para frente e não dá créditos para sua equipe.

Se você é um líder que subjuga seus colaboradores após algum erro cometido ignorando todo o trabalho realizado diariamente a favor de sua empresa, então sua empresa nunca vai ser grande. Você está sendo ingrato com seu pessoal.

Se você é um líder crítico e viciado em suas providências, e que não valoriza as decisões tomadas por seus líderes, então sua empresa nunca vai ser grande. Você está alienando, acabando com o ímpeto e a livre iniciativa de seus colaboradores.

Se você é um líder que se fecha com profissionais de seu círculo de segurança e refuta qualquer opinião diferente às construídas por seu time, então sua empresa nunca vai ser grande. Você é inseguro e seus conhecimentos provavelmente são limitados para analisar opiniões contrárias.

Mas se você disser que é exatamente igual a um desses líderes e que sua empresa já é grande, então cuidado: você pode pôr a perder todo o seu patrimônio da noite para o dia.

Sua gestão já deve ser motivo suficiente para dar início a um clima de morosidade e baixo desempenho em sua equipe, e levará seus melhores homens para empresas mais éticas, profissionalizadas e humanizadas, pois são dignos de respeito, aspiram reconhecimento por seus esforços e talvez sejam empregáveis segundo aquilo que o mercado capitalista altamente competitivo demanda. Ficarão com você os fracos e acomodados, e por isso sua empresa não vai ser grande.

O mercado concorrencial está cada dia mais voraz, e a seleção natural eliminará os gestores menos estratégicos e mais rudimentares, fortalecendo aqueles que compreendem a mão de obra como fonte de resultados movida por um relacionamento de respeito. Esses gestores atrairão para si os melhores, com quem vale a pena batalhar e crescer no mundo dos negócios.

Em resumo, o sucesso  de um empreendedor está baseado não apenas na análise estratégica do negócio, mas na gestão compartilhada de conhecimentos em um ambiente de respeito, cooperação e motivação.

Que vençam os melhores!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O melhor ano de todos

Bem amigos, agora é pra valer: 2015 chegou, e veio para ficar. Os prognósticos dos economistas e jornalistas políticos não são dos melhores, e não é para menos...

Quero desejar a você que lute para que 2015 seja o melhor ano de todos! Se você se apegar à crise prometida, então teremos uma crise ainda maior. Mas se você decidir lutar pelo que é seu, mesmo que dê as primeiras caminhadas rumo à sua liberdade financeira, tenho certeza que vai chegar lá.

Você pode estar entre os milhares de brasileiros que pagam um plano de saúde e não dependem mais do SUS; pode estar entre os milhares que pagam escola para os filhos e não dependem de vaga em escola pública. Mas isso não depende de mim, nem de Dilma e nem de mais ninguém. Só depende de você.

Você pode não ter formação, teve uma base escolar muito fraca, nunca pôde fazer faculdade. Tudo isso é compreensível. Mas você tem uma força instintiva como qualquer outra pessoa chamada FORÇA DE VONTADE, e se usá-la na sua plenitude poderá chegar onde muitos, com as mesmas limitações que as suas, já chegaram.

Você pode estar vivendo entre as galinhas, mas é um filhote de águia. Se tentar sair do chão e voar, vai conseguir. Se parar de ciscar e tentar caçar roedores, você vai conseguir. Basta que tente, que faça um esforço maior do que esse que te arrasta no decorrer dos anos. Se não tentar descobrir sua força e convencer-se de que é mesmo galinha, então será sempre galinha.

Tudo o que fizer, faça da melhor maneira possível. A cada emprego que passar dê o seu melhor, honre o seu crachá, respeite os seus patrões, pois você nunca sabe com qual deles terá início a sua escalada rumo à profissionalização e liberdade financeira.

Portanto meus amigos, desejo a todos vocês que em 2015 tomem essa decisão: façam desse ano o melhor ano de todos, antes que ele termine e você continue procurando o culpado por ter permanecido do mesmo jeito que começou...

FELIZ ANO NOVO!!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Marketing pessoal x conhecimento

Vejam só esse diálogo ocorrido a certa altura de uma entrevista de emprego:

Entrevistador - Não pude deixar de notar que o Senhor, apesar do status elevado adquirido como profissional, não usa um carro de luxo. Não seria mais adequado, devido a sua posição social?

Entrevistado - Meu status atual é pai, esposo e servo de Deus. Minha condição profissional e financeira de momento podem significar algo para a sociedade, mas segundo meu status, preocupo-me apenas em utilizar o carro mais conveniente para minhas expectativas pessoais, independente da expectativa das pessoas a meu respeito.

Entrevistador - Por essa resposta posso compreender o por quê de o senhor não estar utilizando roupas que evidenciam uma grife...

Entrevistado - Brilhante observação! Trago comigo a objetividade, o conforto e a conveniência na forma de me vestir, pois o que tenho a oferecer profissionalmente não sofre a influência dos acessórios. Meu histórico confirma que não foi a marca da camisa, do relógio ou o corte de cabelo que me ajudaram a trazer os resultados que meus contratadores esperavam.

Entrevistador - Então o senhor não se preocupa em andar fora da moda?

Entrevistado - Sim... me preocupo em não parecer ridículo no contexto. Mas não me preocupo se minha camisa custa 79,90 ao invés de 300,00, e nem me obrigo a usar um relógio de 5.000,00 só para ver as horas.

Entrevistador - Mas esse ponto de vista pode desvalorizar a sua pessoa perante outros executivos.

Entrevistado - Executivos com essa superficialidade eu não faço muita questão de ter ao meu lado. Prefiro trabalhar com quem seja capaz de valorar a minha capacidade produtiva após um diálogo.

Entrevistador - Mas muitos executivos do mesmo porte do senhor gastam com artigos de luxo e esse dinheiro não lhes falta falta no final do mês.

Entrevistado - Concordo com você e respeito o meio de vida deles. Porém, eu tenho valores sociais próprios e sinto-me perfeitamente bem adaptado a isso, sem me preocupar com o que pensam a meu respeito. Não é o status social que me proporciona satisfação.

Entrevistador - O quê lhe proporciona satisfação?

Entrevistado - Realizar. Para mim é indiferente que alguém me diga um "parabéns", ou "muito obrigado por tudo isso", pois o simples fato de ver a minha obra realizada no trabalho e minha família com qualidade de vida me envaidece.

Entrevistador - Então o montante de pagamento que a empresa lhe oferecer não tem muita importância para o senhor?

Entrevistado - Tem sim, pois trata-se de valorizar o resultado que eu me proponho a oferecer com as ferramentas que posso disponibilizar através do conhecimento agregado. O meu custo de vida é adaptável e não tem relação com o valor do meu trabalho.

...

Bem, os amigos devem estar pensando que aqui jogamos por terra todos os estudos de marketing pessoal para a projeção de carreira.

Mas engana-se quem define marketing pessoal apenas como uma forma de se apresentar. Está implícito nesse contexto a forma de se promover através da boa fala, velocidade de raciocínio para a defesa de argumentos e consolidação da personalidade.

Ás vezes pode ser muito mais prejudicial para a sua imagem a cópia de um esteriótipo visual sem conteúdo para garantir o sucesso na hora H do que o preparo através de um vasto aparato de conhecimentos gerais, personalização do caráter e segurança em expor quem você realmente é.

Estamos diante de uma sociedade fútil e relativamente superficial, onde o "parecer ser" ganha dimensões superiores ao "ser de fato" na valorização pessoal. O tempo que se dedica a construir valores pessoais através daquilo que a sociedade convencionou como certo tem desviado o foco das pessoas para o que realmente importa, que é a visão e percepção do que não se enxerga com os olhos.

Essa síndrome da auto afirmação e de sensação de aceitação social tem tirado o sono e consumido o capital de muita gente, ao passo que quem está dedicado ao próprio desenvolvimento e bem estar está em paz consigo e em harmonia com o mundo.

Assim, não é o deixar de vestir-se com grife que estou defendendo. Mas convido-o a pensar que ao desenvolver seu marketing pessoal lembre-se sempre do pós-venda (pós-primeira impressão). Ou seja, o que as pessoas vão pensar sobre você após conhecê-lo verdadeiramente.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O sucesso que você alcança após a morte

Em debate recente durante uma aula de filosofia contemporânea, coloquei-me a ponderar sobre o assunto traçando um paralelo entre a atualidade e as outras fases da filosofia na vida pessoas.

O fato é que em sua origem, a filosofia buscava o conhecimento através do questionamento, estabelecendo um vínculo inseparável entre a explicação propriamente dita e a razão naquilo que se observava nos fenômenos sociais, materiais e físicos. Para o filósofo não bastava explicar e justificar qualquer coisa. Precisava haver racionalidade, lógica, nexo, e não apenas crença ou herança do conhecimento já estabelecido como verdade. Esse era a principal divergência entre a filosofia e a religião.

Dali em diante passaram-se muitos anos e o pensamento filosófico foi evoluindo, como qualquer outra ciência, pois o mundo mudou. O homem mudou, a ciência evoluiu e os campos de ciência social também alcançaram resultados inovadores, o que trouxe como principal conseqüência (ou característica) a perda de força das velhas doutrinas e valores comportamentais ditos cristãos na vida das pessoas. Essa foi uma característica verificada desde o final do século XX, onde as expectativas sociais do mundo consumista e igualitário, principalmente com a mulher conquistando o conhecimento acadêmico, o mercado de trabalho e a própria independência financeira, já não se enquadravam mais àquilo que as igrejas apostólicas ensinaram durante todos os anos de existência da religião cristã.

Nesse momento a sociedade construiu intuitivamente uma nova percepção sobre o direito individual, tendo a sua liberdade como um bem inabalável, o que provocou um distanciamento das pessoas das regras comportamentais impostas pelas religiões desde a sua origem.

Esse fenômeno originou uma nova necessidade e consequências pontuais, estabelecendo uma característica que considero a mais marcante no pensamento filosófico atual. De imediato, o desenvolvimento social do indivíduo na busca de sua individualidade trouxe à tona a quebra de tradicionais valores familiares e sociais com a ascensão da valorização do indivíduo e seus próprios conceitos e objetivos pessoais. Daí vem o aspecto que justificou a produção desse artigo: a busca pelo sucesso.

Em sua caminhada rumo ao sucesso (mais do que necessário para a sua própria sobrevivência), o indivíduo, não medindo esforços para alcançá-los, abre mão do relacionamento familiar, do vínculo e estabilidade matrimonial e até de um plano profissional de médio e longo prazo, buscando satisfazer suas expectativas imediatas. Suas necessidades de projeção social prevalecem a qualquer outro propósito, o que os leva a uma vida aparentemente solitária, altamente informatizada e desapegada de qualquer outra coisa que possa atrasá-los em sua busca. E assim o novo homem alcança seus objetivos, mas não se considera ainda “um sucesso”.

Nesse momento é necessário diferenciar “sucesso” de “conquista”. A conquista é mensurável, o sucesso não. A conquista satisfaz um desejo projetado, mas o sucesso nunca se alcança, pois não se sacia após uma conquista. E uma vez reconhecido isso, mesmo sem perceber, o homem moderno passou a sentir falta de uma busca que norteasse a sua vida por toda a sua existência, e daí ressurge a religião em um novo formato: a religião através da espiritualização, e não mais normatizando comportamentos sociais.

A nova sociedade, após “libertar-se” das doutrinas impostas pelas religiões, voltou a buscar um sentido para sua vida através do qual tivesse sempre uma meta a conquistar, dia após dia, através da espiritualização, um caminho de paz, um sentimento de justiça e proteção divina, inclusão e ao mesmo tempo liberdade em uma sociedade religiosa que não lhe impusesse regras mais rígidas do que aquelas que o próprio mundo lhes impõe como cidadãos.

Todo esse contexto explica a visão moderna da filosofia, a qual compactua com uma verdade que combateu em sua origem: a de que o pensamento místico e religioso podem conviver pacificamente com o conhecimento através da razão.

Essa visão certamente foi uma construção baseada no avanço da ciência, a qual dá por consolidado aquilo que a filosofia original trouxe como herança ao mundo moderno, que é a busca da racionalidade em todas as esferas do conhecimento, inclusive no teológico aceitando o ser humano como alguém que necessita da fé no invisível para satisfazer necessidades interiores latentes para o alcance do sucesso pleno, aquele que se conquista após a morte através da ascensão espiritual.

E é nesse momento que cessa a etapa de conquista e o homem é declarado oficialmente um cidadão que alcançou o sucesso, vencendo obstáculos durante toda a sua vida até o dia da sua morte.

Com isso, concluo esse estudo conceituando a filosofia contemporânea como aquela que reconhece o pensamento e a razão como uma busca pelo conhecimento e auto-conhecimento, dando ao homem a liberdade de, mesmo detentor do conhecimento pleno acessível acerca de diversas ciências, poder buscar o conhecimento espiritual, com base na fé, percepção de sentimentos únicos e indefiníveis no qual cada um estabelece a sua porção de certeza e razão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Segunda-feira, dia de reunião

Se você leu o título dessa postagem e ficou feliz, parabéns: você é um profissional de sorte, está sendo conduzido por um líder. Mas se quando você leu esse título bateu aquele desgosto, sinto muito... você é mais um daqueles que trabalham para um chefe.

Resolvi escrever esse artigo só para destacar o quanto alguns transformam um evento importante como a reunião de trabalho em um castigo, momentos de angústia e aborrecimento a muitos profissionais de sua empresa.

Em primeiro lugar, reunião não deve ter dia e hora certa no calendário. Reunião serve para solucionar problemas ou traçar objetivos. Se na sua empresa você tem reunião conjunta com os departamentos toda semana no mesmo dia, isso é sintoma de chefia incompetente. E sabe como eu cheguei a essa conclusão? Basta analisar o mundo animal: os animais selvagens marcam seu território urinando no entorno de tudo aquilo que eles consideram "seu". É por isso que antes das reuniões semanais os funcionários dizem "vamos lá, que o chefe vai dar outra mijada em nós...". Isso mesmo, o chefe reafirma seu comando através das reuniões semanais, mais para mostrar quem é que manda do que para resolver problemas práticos da empresa e traçar novos objetivos.

Com exceção das reuniões que têm foco nos resultados alcançados e discussão de propostas para a nova semana, as reuniões que envolvem todas as gerências da empresa não passam de reafirmação de conceito: aqui tem chefe.

Por isso se você é um líder da corporação faça reuniões semanais sim, mas com grupos específicos, tratando de assuntos pertinentes a cada departamento.

Agora, se o seu negócio depende de uma integração entre setores que operam com a mesma atividade-fim, ou seja, todos estão realizando atividade convergente, daí sim a reunião em grupos maiores se justifica. Isso aplica-se a uma equipe de obra, por exemplo, onde todos estão trabalhando na construção, mesmo que em atividades distintas; ou em um supermercado, onde há grupos muito ligados no atendimento/venda ao cliente; e até no hospital, enfim. Mesmo assim, cabe aqui uma ressalva, pois o setor de contabilidade, CPD, financeiro, RH e marketing desses empreendimentos normalmente não estão ligados diretamente ao mesmo propósito de quem está na linha de frente, pois são suporte operacional (retaguarda), devendo, portanto, desconectar-se dos assuntos do primeiro grupo e terem suas atividades discutidas separadamente.

Poderia passar a tarde aqui falando dos prós e contras das reuniões de trabalho, pois todas elas podem ser positivas, mas muitas acabam sendo negativas, dependendo da forma e objetivo com que são conduzidas.

Portanto, se você vai marcar uma reunião prepare-se com uma boa pauta e coloque-se no lugar do ouvinte para projetar a repercussão e os resultados. Pois ao término você estará sendo avaliado pelos participantes, e sua liderança poderá ser colocada em cheque.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Os novos governos e o combate à criminalidade

Quando você escuta um candidato falar sobre a segurança, enfatizando a falta de investimento em policiamento, fica aquela sensação de que no próximo governo não sairemos da mesmice...

Estou à procura de quem pensa a longo prazo, com ênfase na desconstrução da criminalidade através de trabalhos sociais maciços nos bairros e famílias, além de trabalho pesado na repressão dos usuários de drogas, pois é onde se gera a demanda crescente, resultando na oferta abundante (o traficante). Ao invés de construir mais presídios, precisam construir centros de recuperação avançado e gratuito a usuários de droga de todas as classes sociais. Deixar essa solução no amadorismo e boa vontade dos milhares de pastores, igrejas e voluntários que prestam esse serviço Brasil a fora não é suficiente para a solução do problema.

O crescimento da criminalidade no Brasil é o resultado de efeitos de ação e reação na sociedade onde, por um lado, a falta de oportunidades de trabalho leva alguém ao mundo do crime, e por outro, o aumento de renda de muitas famílias leva cada vez mais jovens, sem orientação e acompanhamento familiar adequado, ao consumo de drogas. E então o ciclo torna-se crescente com todas as demais consequências indiretas e letais à sociedade.

Daí aparece o político espertalhão e critica a gestão anterior, que não destinou recursos ao policiamento das cidades. E então, vamos usar a tática da câmera de segurança, que filma o bandido mas não impede o crime?? Vamos nos contentar com a vingança de prender o assassino, mesmo sabendo que nada trará a vítima de volta? Policiamento não reduz o crime, só o transporta para outro lugar. É como as UPP's do Rio, que transferiram os traficantes para outra boca de fumo e nada mais. Ou alguém acha que os traficantes da região pacificada foram ao SINE procurar emprego... Isso sem falar no objetivo de fato dos sistemas prisionais, que é "ressocializar o infrator". Eis aqui o que chamam de ressocialização no Brasil:

Vamos abrir os olhos e filtrar o blá-blá-blá de sempre para buscar um projeto de governo focado em soluções de curto, médio e longo prazo. Reduzir a criminalidade é projeto de longo prazo, para ver os resultados após 10 anos de investimento, visando fazer com que as crianças de hoje não experimentem drogas e nem busquem ganhar a vida traficando quando chegarem aos 18.

Você conhece alguma criança que sonha em ser traficante? Pegunte o que ela quer ser quando crescer para ver se ela diz "ladrão" ou "traficante"! Todo mundo quer ter uma profissão, mas a falta de oportunidades e descaso social do Estado, que não cumpre com a democrática Constituição de 88, os leva a usar e vender drogas depois de adultos.

E pensar que é tudo tão simples de se fazer: investindo-se em escolas públicas de qualidade, com orientação pedagógica, religiosa e social profissionalizada, com alimentação de qualidade, atividades extra-classe de interesse da juventude, tudo mudaria paulatinamente. Você combateria a ignorância com ensino de verdade, promoveria integração social e inserção de valores morais ao cidadão, tiraria crianças do ambiente do crime e da vida fácil dos pequenos furtos, formaria estudantes com potencial para o estudo acadêmico, melhoraria o perfil dos candidatos a vagas de primeiro emprego, e no prazo de 10 anos, investindo-se de verdade e com volume de dinheiro suficiente para sustentar essa estrutura em todo o país, o número de usuários de droga e a criminalidade cairia para números muito menores. Precisamos fechar essa fábrica de bandidos chamada "desigualdade social", alimentada pela desigualdade cultural, pela falência dos valores morais e civis e pela falta de incentivo aos empregadores.

Agora, um governo não se constrói com miopia administrativa, pois com a extinção do analfabeto funcional e melhoria nos índices de aproveitamento escolar, o desenvolvimento econômico através de uma política tributária mais razoável, revisão da CLT e o incentivo de fato ao empreendedorismo torna-se crucial para a absorção de uma mão de obra juvenil ansiosa por mostrar serviço, com aumento de fato nos contratos de trabalho formais e redução das falências de micro e pequenas empresas.

Enfim, filosofando sobre esse tema, volto a lamentar a fraca atuação e planejamento dos candidatos aos governos do Brasil, onde via de regra busca-se muito mais influência e poder político do que ação de fato nos temas apontados diariamente pelo povo através da imprensa. E assim caminharemos mais uma vez a quatro anos de mediocridade administrativa, sem nenhuma solução de fato aos temas de maior importância à coletividade. O brasileiro padrão segue como em sua histórica "evolução": alienado, abandonado pelo sistema e sem capacidade de construir uma crítica contundente até para cobrar seus governantes. Vale a pena ver de novo?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Hipossuficiência nas relações jurídicas é coisa do passado

Há um termo no mundo jurídico, que norteia diversas legislações e jurisprudências, que se chama hipossuficiência. Ele nada mais é que um termo desatualizado em seus propósitos, e que ainda não foi reconsiderado por muitos juristas atuais em inúmeras situações de conflito.

A hipossuficiência é a denominação que se dá à parte fraca de alguma relação, aquela que depende de outra direta ou indiretamente, onde seu poder de argumentação ou sua vontade de fato pouco vale perante a parte forte, a que detém o controle da situação.

A Lei Maria da Penha, que protege a mulher vítima de abusos, violência e opressão no ambiente doméstico e familiar, é um exemplo da clara importância de se considerar a hipossuficiência da mulher perante o próprio marido, que a sustenta, oferece moradia e possui maior força física para controlá-la, ao invés de respeitá-la.

Porém, há inúmeras situações onde a hipossuficiência já não é mais um termo a ser considerado como verdade absoluta em diversos tipos de situações onde, outrora, tinha sim o seu fundamento.

Vejam bem os amigos o que significa um mercado capitalista, onde a livre concorrência torna o comerciante e o industrial obrigados a respeitar e oferecer o seu melhor ao consumidor, sob o risco de sucumbir diante de uma concorrência mais ética e estruturada. Em um cenário competitivo, o poder de fiscalização e de escolher onde e como comprar pertence ao consumidor, outrora chamado de hipossuficiente por não ter opções de escolha.

Hoje o consumidor se dá ao luxo de emitir seus comentários em rede nacional através das redes sociais sobre aquilo que ele julga tratar-se de um mau atendimento, criando uma perda considerável na credibilidade de um comerciante ou industrial diante de um fato que pode bem ser mera mentira. A Coca Cola é vítima freqüente desse tipo de ato, onde a parte reconhecida como hipossuficiente fala e escreve o que bem entende sobre seus produtos sem risco de punição, através da garantia constitucional da livre expressão.

O consumidor, em um mercado concorrencial, necessita sim dos órgãos de proteção para apoiá-lo, sem custo, na solução de conflitos na esfera de consumo, e nada mais do que isso, ressarcindo-o de eventual prejuízo material através de uma conciliação entre as partes. O que a lei chama de “danos morais” está se transformando em uma indústria de indenizações totalmente infundada e tendenciosa, onde a mera reparação do dano propriamente dito não parece ser suficiente, devendo também o comerciante ressarcir a vítima por algo imensurável. O dano moral, que deveria considerar o constrangimento público, prejuízo profissional ou qualquer outro dano de fato considerado relevante, passou a ganhar força e oferecer indenizações à parte hipossuficiente pela mera justificativa de ser essa chamada simplesmente de “hipossuficiente”.

O mesmo ocorre na esfera trabalhista, onde a parte hipossuficiente já foi subjugada pelos empregadores em situação de grande crise e desemprego. Hoje, perante o desenvolvimento da legislação trabalhista e o aquecimento econômico, o que se percebe não é o desemprego, mas o desinteresse do trabalhador em qualificar-se para ocupar as vagas de emprego disponíveis. Quem precisa do trabalhador, do seu empenho, qualificação e comprometimento com o negócio é o empregador. Pois através do trabalhador qualificado é que se mantém a excelência nas relações comerciais a fim de não lesar o consumidor lá na frente. No momento atual, na área trabalhista observa-se uma inversão de valores, onde o aparato legal para proteger o trabalhador sob a égide filosofal da hipossuficiência, ultrapassa sua necessidade de proteção e transforma o trabalhador em um usurpador dos direitos alheios, promovendo abusos, ameaças indiretas ao negócio do empregador e um certo conforto no ambiente profissional, como aquele de alguém apadrinhado por uma entidade mais forte e influente.

Tudo isso serve como reflexão para aqueles operadores do direito que não têm nenhuma noção do que se passa no ambiente de trabalho da maioria das empresas, salvo enquadrar a CLT ou o Código de Defesa do Consumidor ao depoimento destes que se dizem vítimas, mas que no seu dia a dia movimentam a indústria das indenizações resguardados pela frase mais estúpida criada por algum filósofo do direito: quem almeja o lucro, deve arcar com os prejuízos. Nesse contexto, é o mesmo que dizer: se você for um empreendedor, esteja pronto para aceitar que, perante o Direito, você já nasceu condenado.

Vamos focar esforços para falar de hipossuficiência quando tratarmos de abusos ou negligência em serviços essenciais e muitas vezes exclusivos, tais como hospital público, energia elétrica, serviço de água e esgoto, estradas de rodagem e pedágio, transporte coletivo, etc. Daí sim a hipossuficiência fará todo o sentido, pois o consumidor não tem opção de escolha e é obrigado a contratar o que tem. E na área trabalhista, sejamos mais críticos e menos protecionistas, pois princípios do direito como a primazia da realidade, por exemplo, simplesmente colocam por terra qualquer possibilidade de se promover a administração de recursos humanos de uma empresa séria...