segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Os novos governos e o combate à criminalidade

Quando você escuta um candidato falar sobre a segurança, enfatizando a falta de investimento em policiamento, fica aquela sensação de que no próximo governo não sairemos da mesmice...

Estou à procura de quem pensa a longo prazo, com ênfase na desconstrução da criminalidade através de trabalhos sociais maciços nos bairros e famílias, além de trabalho pesado na repressão dos usuários de drogas, pois é onde se gera a demanda crescente, resultando na oferta abundante (o traficante). Ao invés de construir mais presídios, precisam construir centros de recuperação avançado e gratuito a usuários de droga de todas as classes sociais. Deixar essa solução no amadorismo e boa vontade dos milhares de pastores, igrejas e voluntários que prestam esse serviço Brasil a fora não é suficiente para a solução do problema.

O crescimento da criminalidade no Brasil é o resultado de efeitos de ação e reação na sociedade onde, por um lado, a falta de oportunidades de trabalho leva alguém ao mundo do crime, e por outro, o aumento de renda de muitas famílias leva cada vez mais jovens, sem orientação e acompanhamento familiar adequado, ao consumo de drogas. E então o ciclo torna-se crescente com todas as demais consequências indiretas e letais à sociedade.

Daí aparece o político espertalhão e critica a gestão anterior, que não destinou recursos ao policiamento das cidades. E então, vamos usar a tática da câmera de segurança, que filma o bandido mas não impede o crime?? Vamos nos contentar com a vingança de prender o assassino, mesmo sabendo que nada trará a vítima de volta? Policiamento não reduz o crime, só o transporta para outro lugar. É como as UPP's do Rio, que transferiram os traficantes para outra boca de fumo e nada mais. Ou alguém acha que os traficantes da região pacificada foram ao SINE procurar emprego... Isso sem falar no objetivo de fato dos sistemas prisionais, que é "ressocializar o infrator". Eis aqui o que chamam de ressocialização no Brasil:


Vamos abrir os olhos e filtrar o blá-blá-blá de sempre para buscar um projeto de governo focado em soluções de curto, médio e longo prazo. Reduzir a criminalidade é projeto de longo prazo, para ver os resultados após 10 anos de investimento, visando fazer com que as crianças de hoje não experimentem drogas e nem busquem ganhar a vida traficando quando chegarem aos 18.

Você conhece alguma criança que sonha em ser traficante? Pegunte o que ela quer ser quando crescer para ver se ela diz "ladrão" ou "traficante"! Todo mundo quer ter uma profissão, mas a falta de oportunidades e descaso social do Estado, que não cumpre com a democrática Constituição de 88, os leva a usar e vender drogas depois de adultos.

E pensar que é tudo tão simples de se fazer: investindo-se em escolas públicas de qualidade, com orientação pedagógica, religiosa e social profissionalizada, com alimentação de qualidade, atividades extra-classe de interesse da juventude, tudo mudaria paulatinamente. Você combateria a ignorância com ensino de verdade, promoveria integração social e inserção de valores morais ao cidadão, tiraria crianças do ambiente do crime e da vida fácil dos pequenos furtos, formaria estudantes com potencial para o estudo acadêmico, melhoraria o perfil dos candidatos a vagas de primeiro emprego, e no prazo de 10 anos, investindo-se de verdade e com volume de dinheiro suficiente para sustentar essa estrutura em todo o país, o número de usuários de droga e a criminalidade cairia para números muito menores. Precisamos fechar essa fábrica de bandidos chamada "desigualdade social", alimentada pela desigualdade cultural, pela falência dos valores morais e civis e pela falta de incentivo aos empregadores.

Agora, um governo não se constrói com miopia administrativa, pois com a extinção do analfabeto funcional e melhoria nos índices de aproveitamento escolar, o desenvolvimento econômico através de uma política tributária mais razoável, revisão da CLT e o incentivo de fato ao empreendedorismo torna-se crucial para a absorção de uma mão de obra juvenil ansiosa por mostrar serviço, com aumento de fato nos contratos de trabalho formais e redução das falências de micro e pequenas empresas.

Enfim, filosofando sobre esse tema, volto a lamentar a fraca atuação e planejamento dos candidatos aos governos do Brasil, onde via de regra busca-se muito mais influência e poder político do que ação de fato nos temas apontados diariamente pelo povo através da imprensa. E assim caminharemos mais uma vez a quatro anos de mediocridade administrativa, sem nenhuma solução de fato aos temas de maior importância à coletividade. O brasileiro padrão segue como em sua histórica "evolução": alienado, abandonado pelo sistema e sem capacidade de construir uma crítica contundente até para cobrar seus governantes. Vale a pena ver de novo?

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Hipossuficiência nas relações jurídicas é coisa do passado

Há um termo no mundo jurídico, que norteia diversas legislações e jurisprudências, que se chama hipossuficiência. Ele nada mais é que um termo desatualizado em seus propósitos, e que ainda não foi reconsiderado por muitos juristas atuais em inúmeras situações de conflito.

A hipossuficiência é a denominação que se dá à parte fraca de alguma relação, aquela que depende de outra direta ou indiretamente, onde seu poder de argumentação ou sua vontade de fato pouco vale perante a parte forte, a que detém o controle da situação.

A Lei Maria da Penha, que protege a mulher vítima de abusos, violência e opressão no ambiente doméstico e familiar, é um exemplo da clara importância de se considerar a hipossuficiência da mulher perante o próprio marido, que a sustenta, oferece moradia e possui maior força física para controlá-la, ao invés de respeitá-la.

Porém, há inúmeras situações onde a hipossuficiência já não é mais um termo a ser considerado como verdade absoluta em diversos tipos de situações onde, outrora, tinha sim o seu fundamento.

Vejam bem os amigos o que significa um mercado capitalista, onde a livre concorrência torna o comerciante e o industrial obrigados a respeitar e oferecer o seu melhor ao consumidor, sob o risco de sucumbir diante de uma concorrência mais ética e estruturada. Em um cenário competitivo, o poder de fiscalização e de escolher onde e como comprar pertence ao consumidor, outrora chamado de hipossuficiente por não ter opções de escolha.

Hoje o consumidor se dá ao luxo de emitir seus comentários em rede nacional através das redes sociais sobre aquilo que ele julga tratar-se de um mau atendimento, criando uma perda considerável na credibilidade de um comerciante ou industrial diante de um fato que pode bem ser mera mentira. A Coca Cola é vítima freqüente desse tipo de ato, onde a parte reconhecida como hipossuficiente fala e escreve o que bem entende sobre seus produtos sem risco de punição, através da garantia constitucional da livre expressão.

O consumidor, em um mercado concorrencial, necessita sim dos órgãos de proteção para apoiá-lo, sem custo, na solução de conflitos na esfera de consumo, e nada mais do que isso, ressarcindo-o de eventual prejuízo material através de uma conciliação entre as partes. O que a lei chama de “danos morais” está se transformando em uma indústria de indenizações totalmente infundada e tendenciosa, onde a mera reparação do dano propriamente dito não parece ser suficiente, devendo também o comerciante ressarcir a vítima por algo imensurável. O dano moral, que deveria considerar o constrangimento público, prejuízo profissional ou qualquer outro dano de fato considerado relevante, passou a ganhar força e oferecer indenizações à parte hipossuficiente pela mera justificativa de ser essa chamada simplesmente de “hipossuficiente”.

O mesmo ocorre na esfera trabalhista, onde a parte hipossuficiente já foi subjugada pelos empregadores em situação de grande crise e desemprego. Hoje, perante o desenvolvimento da legislação trabalhista e o aquecimento econômico, o que se percebe não é o desemprego, mas o desinteresse do trabalhador em qualificar-se para ocupar as vagas de emprego disponíveis. Quem precisa do trabalhador, do seu empenho, qualificação e comprometimento com o negócio é o empregador. Pois através do trabalhador qualificado é que se mantém a excelência nas relações comerciais a fim de não lesar o consumidor lá na frente. No momento atual, na área trabalhista observa-se uma inversão de valores, onde o aparato legal para proteger o trabalhador sob a égide filosofal da hipossuficiência, ultrapassa sua necessidade de proteção e transforma o trabalhador em um usurpador dos direitos alheios, promovendo abusos, ameaças indiretas ao negócio do empregador e um certo conforto no ambiente profissional, como aquele de alguém apadrinhado por uma entidade mais forte e influente.

Tudo isso serve como reflexão para aqueles operadores do direito que não têm nenhuma noção do que se passa no ambiente de trabalho da maioria das empresas, salvo enquadrar a CLT ou o Código de Defesa do Consumidor ao depoimento destes que se dizem vítimas, mas que no seu dia a dia movimentam a indústria das indenizações resguardados pela frase mais estúpida criada por algum filósofo do direito: quem almeja o lucro, deve arcar com os prejuízos. Nesse contexto, é o mesmo que dizer: se você for um empreendedor, esteja pronto para aceitar que, perante o Direito, você já nasceu condenado.

Vamos focar esforços para falar de hipossuficiência quando tratarmos de abusos ou negligência em serviços essenciais e muitas vezes exclusivos, tais como hospital público, energia elétrica, serviço de água e esgoto, estradas de rodagem e pedágio, transporte coletivo, etc. Daí sim a hipossuficiência fará todo o sentido, pois o consumidor não tem opção de escolha e é obrigado a contratar o que tem. E na área trabalhista, sejamos mais críticos e menos protecionistas, pois princípios do direito como a primazia da realidade, por exemplo, simplesmente colocam por terra qualquer possibilidade de se promover a administração de recursos humanos de uma empresa séria...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O homem, seu instinto, sua razão e sua performance

O filme/animação “Megamente”, para quem não observou com atenção, é uma demonstração de que possuir, e pura e simplesmente alcançar a posse de muitos bens, não simboliza a conquista da felicidade.

Simboliza sim uma felicidade momentânea, aquela de uma conquista de conforto, segurança e um certo poder. Mas após alguns dias de usufruto dessa conquista, a falta de novas ambições ou realizações volta a assombrar o ego de qualquer ser humano, cujo instinto de conquistas ainda pulsa em sua mente e coração desde o mais antigo exemplar de homem que se tem notícia na história.

Isso acontece porque somos seres cuja subsistência depende de conquistar segurança, água e alimento todos os dias. Nossa estrutura corporal assim o exige, o nos obriga a lutar não apenas pelo alimento de hoje, mas pelo de amanhã e o de todos os dias de nossa existência, pensando inclusive na aposentadoria e subsistência na velhice.

Somado a essa característica, ainda temos a necessidade de nos socializarmos e de estabelecer vínculos, de tal maneira que, diferentemente de outros animais, não temos apenas a necessidade de gerar descendência, mas de amar e sermos amados.

Porém, essas percepções não se apresentam na mesma medida para todas as pessoas. Há um grupo que busca a realização de feitos relevantes, de atos significativos para si mesmo, o qual pode variar de pessoa para pessoa. Alguns chamam de conquista e realização a obtenção de poder e influência; para outros é a conquista de um alto salário através de algum trabalho; outros consideram conquista o alcance de conhecimento para seu próprio usufruto; e há também aqueles que prestam serviços sociais ou religiosos para o bem de outros, cujo ato freqüente simboliza grandes conquistas e realizações.

Outro grupo não vive para alcançar realizações, mas apenas sobreviver na luta diária pelo mínimo necessário. Esse grupo representa grande parte da população, a qual nunca foi estimulada a realizar mais, mas conformar-se com sua condição e lutar dia após dia pelo que a sorte lhe reservou desde o nascimento. Esse grupo representa uma mão de obra mecânica, de baixa performance, cujo esforço a mais não lhe parece representar o benefício de possibilidades futuras para uma ascensão social. O termo “Pró atividade” não tem nenhum valor prático ou significância nesse grupo. Trabalham por trabalhar, para cumprir com suas necessidades orgânicas. Esse imenso grupo, se receber alguma ajuda do governo ou o suficiente para sobreviver, já se deu por satisfeito, não lutará por algo mais, a não ser amar e ser amado. Eles querem ficar ricos, admiram o dinheiro, mas para alcançá-lo se utilizam dos meios menos dispendiosos, como jogar na loteria.

Meditar sobre essas pequenas considerações nos leva a otimizar nosso tempo quando estamos na liderança de pessoas, pois saber identificar em qual grupo se enquadra cada um dos nossos colaboradores nos permitirá saber dosar nossos esforços, reduzir nossas insatisfações baseadas em expectativas sobre certas pessoas, e direcionar os apelos motivacionais mais adequados para alcançar os resultados que esperamos para cada operação.

Mas precisamos tomar o cuidado de não cair no erro de achar que todos os que trabalham com atividade braçal estão inseridos nesse último grupo. Ao contrário, há muita gente começando de baixo que está cheio de ambição e energia para subir.

Daí vem a importância da conversa cotidiana com funcionários sob a nossa gestão, pois é na informalidade e na troca de confiança que obtemos as melhores demonstrações sobre o quê constitui seus valores individuais para assim buscar meios de melhorar, mesmo que seja apenas consolidar, um relacionamento responsável para o trabalho de rotina.

Lembrando ainda que, mesmo faltando os atributos necessários para um trabalho dinâmico ou em busca de realizações, todo e qualquer ser humano tem uma característica em comum que vale como ferramenta de gestão para todos os líderes: todos ambicionam sentir-se amados e respeitados. O líder que souber explorar e valorizar essa demanda, certamente terá todos os membros de sua equipe em suas mãos.

Portanto, liderar é interagir com o grupo e com o indivíduo. O líder que não conhece a fundo cada um de seus colaboradores não passa de um chefe...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Procon e a antítese de órgão de utilidade pública

Tenho observado com frequência as visitas do PROCON nos estabelecimentos comerciais, onde nesses muitos anos de varejo tenho tido uma impressão cada dia pior a respeito do propósito da existência dessa entidade. Não quero falar de caso isolado para não dar conotação de desabafo nesse artigo, mas vou fazer aqui minhas mais sinceras observações a respeito desse órgão em sua forma de atuação.

Em primeiro lugar, meu entendimento a respeito do PROCON era de que tratava-se de um organismo dotado de poderes para interceder pelo consumidor na ocorrência de abusos na relação comercial, onde o descumprimento de contratos, falta de assistência ou de atendimento às reclamações, e até prática comercial abusiva, deveriam ser o escopo de seus agentes e fiscais. Cuidar da validade e da qualidade dos produtos é tarefa da Vigilância Sanitária, e cuidar da veracidade do peso das embalagens de acordo com o que está dentro é tarefa do IPEM. Assim, o Procon deveria ater-se em regular possíveis insatisfações dos consumidores buscando uma conciliação/reparação, advertindo e até multando o estabelecimento infrator conforme a gravidade.

Eu esperava, por exemplo, que o Procon devesse fiscalizar a formação de cartéis nos postos de gasolina de cada cidade; deveria fiscalizar os preços abusivos de estacionamentos de shopping centers e aeroportos, onde você não tem outra opção para estacionar e é obrigado a pagar o quanto pedem; deveria fiscalizar inclusive o preço dos alimentos e bebidas vendidos nos restaurantes dos aeroportos, onde você fica esperando uma conexão e é obrigado a se alimentar com o que vendem no saguão, pagando até R$ 5,00 por um pão de queijo; deveria fiscalizar os preços dos produtos sazonais, como material escolar, que sofrem aumento desproporcional na véspera de volta às aulas... Enfim, deveria fiscalizar coisas que pudessem lesar não apenas o consumidor mais mal esclarecido, mas o consumidor em regra geral que fica na mão de determinados prestadores de serviços ou comerciantes de produtos essenciais.

Mas ao contrário, vejo um Procon muitas vezes procurando o quê fazer em fiscalizações sem objetividade, apreendendo produtos erroneamente chamados de avariados, autuando estabelecimentos mediante alegações desproporcionais de consumidor estressado e agindo até com certa satisfação cada vez que seus fiscais executam alguma apreensão de produtos que julgam estar fora do padrão estabelecido em lei. Uma verdadeira falta de respeito ao empresário trabalhador e sua equipe de funcionários humanos, imperfeitos como qualquer outro, provocando inclusive um forte constrangimento ao estabelecimento comercial quando andam e se divertem fazendo apreensões e atirando displicentemente os produtos em um carrinho de compras em pleno horário comercial. Ao basear-se no velho jargão “o cliente sempre tem razão” o Procon deixa de ser uma entidade reguladora de abusos comerciais para se tornar uma ferramenta de opressão e penalização do comerciário de forma arbitrária, onde a intolerância do consumidor muitas vezes é levada ao pé da letra onde caberia apenas reparação de pequenos prejuízos ou desconfortos no atendimento.

E quando falo em lei, entro em uma esfera mais delicada ainda, que trata da interpretação da lei. O fiscal do Procon opera pela letra morta, sem uma análise contundente sobre os tipos de situação em que a letra deve ser tratada com mais, menos ou nenhum rigor.

Exemplo disso é o que chamam de “propaganda enganosa”. Se um estabelecimento comercial, como um supermercado, libera os funcionários do caixa em escala programada para cumprirem seu horário de almoço, o Procon entende que cada caixa fechado configura propaganda enganosa, pois onde há uma placa numerada identificando cada caixa, entende-se que deve haver um caixa aberto. Logo, um supermercado que tem 15 caixas registradoras precisa permanecer das 7 às 23 horas com todos eles abertos e com um funcionário operante para o público, se não quiser configurar propaganda enganosa. Já pensou se esse ponto de vista servisse também para os correios, prefeituras, Detran e demais órgãos públicos?!

Outro disparate é o que chamam de “caixa preferencial”, onde você deve ter caixas preferenciais identificados em número suficiente para atender às pessoas com necessidades especiais. Ora, se você oferece atendimento prioritário a essas pessoas, colocando-as para serem atendidas em qualquer caixa prioritariamente, isso não é suficiente. Você precisa ter caixa preferencial identificado e exclusivo parado para atender apenas essas pessoas. Nem que forme fila, e nem que fique sem fazer nada enquanto outros caixas estão com fila...

Quer mais um conceito? Chama-se “avaria”. Esse é o mais absurdo de todos, pois os fiscais do Procon andam fiscalizando produto com embalagem amassada e produto comestível quebrado, como chocolate em barra e ovos de páscoa, por exemplo. Agora se o chocolate em barra partiu ao meio, mesmo sem ter sua embalagem violada, o Procon recolhe alegando avaria. Como assim: avaria?! O produto é comestível, mastigável, e sua quebra em dois pedaços não configura prejuízo nenhum ao consumidor. Ora, já imaginaram se pela mesma linha de raciocínio eles começarem a recolher rosquinhas, espaguete, torradas e biscoito? Quem sobreviverá àquilo que o Procon chama de “defender o consumidor”? Até porque, salvo se o consumidor for cego, não há porque recolher produtos avariados de um supermercado, pois na opção de levar um inteiro ou um quebrado, o consumidor é soberano para escolher. Diferentemente de um computador, sapato ou relógio avariado, cujo funcionamento e aspecto exterior têm igual relevância ao consumidor e só serão verificados de fato ao abrir a caixa em casa.

Esse outro exemplo eu vou dar, mas por favor, não vão pensar que é piada, pois é muito sério: trata-se do "produto embalado". A loja tem uma seção de hortifruti e o lojista envole o coco seco em filme plástico transparente para que o produto não fique soltando sujeira da casca na banca. Ou então, um maço de alho poró, que o lojista envolve com filme plástico para preservar sua integridade. E por que não citar a melancia, que o lojista gentilmente parte em dois pedaços para que o cliente veja o seu interior e compre meia porção se lhe agradar, envolvida higienicamente em filme plástico. Pois o fiscal do Procon olha e autua um por um alegando tratar-se de produto embalado, e que segundo a lei deve conter peso, origem e informações nutricionais no rótulo... Vejam bem os amigos em que ponto chegamos no grau de intolerância e análise superficial dos amigos do Procon!

Isso sem falar no comércio da reparação por "danos marais", onde o Procon incita o consumidor a brigar na justiça contra o estabelecimento pedindo indenização por danos morais para qualquer tipo de situação onde ele foi lesado, em uma perfeita demonstração de abuso dos direitos através da "lei do mais fraco". Ou seja, a hipótese de o Procon promover uma justa conciliação entre as partes, reduzindo até o volume de tramitações de ações no poder judiciário, parece estar totalmente descartada pela entidade.

Às vezes fico aqui buscando compreender o que leva um organismo sério como esse envolver-se em tamanha perda de tempo com fiscalizações e apreensões que nada trazem de proveitoso para o consumidor, lesando o estabelecimento. Antes, deveriam buscar a solução de conflitos, reparação de prejuízos ou troca de produtos onde o empresário muitas vezes não cumpre o seu papel. Em pesquisa no site do Procon do Distrito Federal encontrei os seguintes dizeres:

Missão
- Promover o equilíbrio das relações de consumo por meio da aplicação das normas de defesa do consumidor em benefício da sociedade.

Visão
- Ser nacionalmente reconhecido como referência na solução dos conflitos decorrentes das relações de consumo.

Objetivos
- Suprir a vulnerabilidade do consumidor;
- Conscientizar consumidores e fornecedores quanto aos seus direitos e deveres nas relações de consumo;
- Dar celeridade à solução dos conflitos decorrentes das relações de consumo;
- Harmonizar as relações de consumo.

Vejo que alguns pontos são poucas vezes levados em conta nesses conceitos, onde ignora-se que o comércio, representado e operado por pessoas, brasileiros assalariados, também faz parte da sociedade citada na Missão; não se promove a harmonia nas relações de consumo conforme um dos Objetivos, mas ao contrário, protege-se incondicionalmente o consumidor e fere-se a propriedade do empresário empregador, cujo estabelecimento é uma das fontes de desenvolvimento econômico e social da nação; e não supre a vulnerabilidade do consumidor, vítima de abusos como no preço da gasolina com a nítida formação de cartéis em quase todas as cidades pequenas e médias do Brasil.

Enfim meus caros leitores, o que temos visto no Brasil é um verdadeiro abuso de poder, mau uso pelos órgãos dos fins para que se destinam, e mais uma forma de agravo à dura realidade do empreendedor desse famigerado país, que ao invés de promover o desenvolvimento com justiça, incentivos e oportunidades aos investidores, promove sim é uma dura opressão, cobranças de multas e impostos crescentes em uma verdadeira inversão de valores sobre quem é que move a economia de um país.

Abrir empresa aqui no Brasil é coisa para quem não tem juízo. Enquadrar-se nas normas do Procon, Anvisa (Vigilância Sanitária) e Ministério do Trabalho simultaneamente, tendo ainda que honrar com toda a tributação, taxas de funcionamento, alvarás e licenças de um estabelecimento comercial é missão quase impossível. Essa é a triste realidade de quem se aventura a empreender nesse Brasil subdesenvolvido. Quem dera voltássemos ao passado, onde a economia de subsistência evitaria todo o conflito entre vendedor e comprador. Quer um bom carro, um bom vinho ou uma boa camisa? Produza você mesmo, sem depender de um industrial fraudador ou um comerciante displicente...

quinta-feira, 13 de março de 2014

O Whatsapp e o retorno à escravatura

Pare o que está fazendo agora e veja que horas são. Agora volta uma hora no tempo e veja quantos minutos ficou utilizando o Wathsapp. Agora faça para si mesmo a seguinte pergunta: "o que fiz na última hora tem alguma relação com a atividade que eu deveria estar fazendo de fato?"

Se você passou pelo menos 30 minutos no Whatsapp e não estava tratando de assuntos pertinentes às suas atividades de fato dessa última hora, cuidado: você pode já ter se tornado um escravo do Whatsapp, da tecnologia digital.

Isso porque o benefício tornou-se um problema para você. E para o seu patrão também!

Ora veja bem, aquilo que deveria se tornar uma forma de comunicação de baixo custo, sempre à mão em qualquer lugar, tornou-se na verdade um vício, escravizou-o em debates fúteis, tirou seu foco daquilo que realmente importa fazer e, principalmente, roubou o seu tempo.

Percebe que você já não tem tempo para fazer as coisas regulares do seu dia a dia? E o que é pior, percebe que você já não consegue mais conversar pessoalmente com uma pessoa sem interrupções?

Meu amigo e minha amiga, o Whatsapp não te deixa nem jantar! Assistir aula então, virou uma dificuldade... Isso porque você já não é mais capaz de desligar seu smatfone e dar atenção ao que realmente importa em cada momento. Está escravizado.

Eu tenho observado em minha volta e noto uma regressão física no novo homem: tínhamos postura de macaco e nos tornamos eretos. Agora, graças ao Whatsapp, estamos novamente adquirindo a forma do macaco, sempre de cabeça baixa, com as duas mãos juntas, sempre digitando. Essa tem sido a postura mais frequente do ser humano, uma vez que não consegue mais desligar-se do mundo sócio-virtual, olhar as pessoas de frente. É o fenômeno da involução morfológica, voltado à nossa orígem graças ao avanço da tecnologia!

Conversar pessoalmente com alguém conectado ao Whatsapp tornou-se uma dificuldade. O jeito é utilizar também essa poderosa ferramenta de afastar fisicamente as pessoas e discutir os assuntos digitando pelo smartfone. Assim, além da involução física vamos conquistar também a involução linguística, deixando de nos comunicar com a boca e passando a nos comunicar por símbolos. Não é por acaso que a plataforma operadora dessas novas tecnologias chama-se ANDROID, que simboliza um robô quase humano.

Estamos ficando como um androide, mais máquina do que gente... Já imaginaram nossos filhos, no que se tornarão quando chegarem aos 20 anos?

Pessoal, vamos revisar nossos relacionamentos sociais, nossos objetivos no ambiente de trabalho, nossos objetivos na sala de aula, e até nossas necessidades orgânicas e desligar o recurso Whatsapp de nossos aparelhos para ver se retomamos o controle de nossas vidas. Nosso cérebro precisa descansar e dar foco a uma atividade de cada vez. Além disso, o tempo que levamos para debater um assunto e tomar uma decisão por telefone é infinitamente mais curto do que fazer o mesmo pelo Whatsapp.

Sem o Whatsapp, até o happy hour  fica mais gostoso. E quem sabe te sobre tempo até para namorar! Pense nisso e considere retornar aos velhos hábitos sendo o dono do seu tempo, libertando-se dessa escravidão digital e dando atenção pessoal e exclusiva a quem espera por isso. Reserve os avanços tecnológicos para utilizá-los onde eles são realmente necessários e sinta que o calor humano é muito mais prazeroso que o calor da bateria desse seu sofisticado equipamento digital...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Eu sou ou não sou um grande Líder?

Quando você faz uma abordagem sobre Liderança, fica no ar uma questão difícil de mensurar sobre o que é uma boa liderança. O próprio Líder, quando você palestra a ele sobre a arte de liderar ouve tudo com atenção mas sente falta de alguma ferramenta mais ágil até para se auto avaliar.

Visando oferecer uma abordagem útil e funcional para debater esse assunto com os diversos líderes de sua organização vou demonstrar aqui passo a passo uma proposta que desenvolvi recentemente:

1 - Contextualização

Explique ao líder que ele encontra-se em um sistema onde cada membro faz parte de uma etapa produtiva. Se cada etapa for realizada com sucesso, a outra etapa terá condições de desenvolver bem o seu papel, e assim sucessivamente. O Líder , em seu estágio dentro dessa escala, exercerá influência tanto aos demais líderes e liderados sob o seu comando, quanto ao seu superior imediato.

2 - O Líder em seu papel Operacional

Para exercer com qualidade suas atividades o líder deve conhecer todas as demais etapas e operações a serem realizadas sob o seu comando. Logo, um líder sem um profundo conhecimento sobre os objetivos e a missão da empresa, além do contexto onde a mesma está inserida no mercado concorrencial, bem como o conteúdo daquilo que ele propõe-se a alcançar (rotinas a serem executadas por seus liderados), terá imensa dificuldade em exercer seu papel com perfeição.

3 - O Líder em seu papel Social

Uma vez dominando o seu papel operacional o líder deve exercer seu trabalho no âmbito social, ou seja, permitir que haja harmonia na execução das tarefas de rotina de seus liderados. Para isso, cabe a ele compreender que sua função no ambiente interno é de Fornecedor, enquanto seus liderados são Clientes. O Líder será pleno em suas funções se, no papel de Fornecedor, abastecer seus liderados com o conhecimento, o treinamento, o acompanhamento e o pós-venda, ou seja, fiscalizar com o objetivo de instruir e melhorar as ferramentas operacionais sob seu comando. A perfeição da engrenagem no ambiente corporativo depende muito do papel social exercido pelo líder como mediador de conflitos, fomentador de soluções, recrutador e apoio decisório imergido no dia a dia de seus liderados. Quando o líder compreender que ele é quem presta serviço ao seu liderado para que o liderado opere corretamente suas atribuições, aí sim estaremos diante de um Líder eficaz.

4 - O Líder em seu papel Pessoal

A pessoa do líder tem grande impacto no seu modelo de gestão. Saber ser disciplinador, motivador e influenciador é o grande segredo pessoal para o líder ser seguido, respeitado e admirado por seus liderados. É muito mais rápido alcançar resultados quando o papel pessoal do líder é bem executado do que quando o líder exerce comando pelo poder hierárquico. O líder presente no trabalho diário oferece segurança à sua equipe e torna-se um fornecedor ativo aos seus clientes internos, favorecendo um trabalho mais dinâmico, correções pontuais frente aos problemas e interesse da equipe em compartilhar dificuldades e buscar soluções.

Em resumo, um grande líder deve ser uma pessoa agradável e de respeito, que domine as ações sob a sua batuta e que saiba articular o trabalho de sua equipe no ambiente de trabalho. Um Líder que admite que Ele é quem trabalha para seus liderados poderá extrair maior produtividade operacional para a empresa e orgulhar-se de ser de fato um Grande Líder.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O surgimento do rolezinho e sua origem

Está na pauta da mídia agora um novo movimento juvenil denominado "rolezinho", que na prática é um ajuntamento de jovens (de bastante jovens), predominantemente oriundos de bairros afastados do centro, que resolvem frequentar um shopping para se divertir passeando em uma aglomeração perturbadora para quem não está acostumado a ver tal presença nesse tipo de ambiente. Estão ali, centenas ao mesmo tempo dando um rolezinho.

Na minha concepção não há nada de errado em passear no shopping. Mas tal fenômeno, que alguns apoiadores chamam de "forma livre de expressão e de posicionamento social", eu chamo de "ociosidade".

Essa ociosidade é fruto maldito nascido de uma árvore chamada Estatuto da Criança e do Adolescente, que apesar de seus propósitos legítimos de proteger o ser inocente e fragilizado em sua tenra idade, ultrapassa os limites de uma análise atualizada acerca do mercado de trabalho.

Mais uma vez, distorções acerca da função objetiva do Ministério de Trabalho e Emprego.

Atualmente a legislação limita, burocratiza e dificulta o acesso da juventude brasileira na sociedade através do trabalho espontâneo, ou seja, pelo interesse do próprio jovem e de sua família em iniciar uma profissão em uma empresa e até em ajudar no orçamento doméstico. Isso porque a entidade acredita que meia dúzia de ocorrências abusivas representam o empresariado total de nosso Brasil, como se todo empregador abusasse indevidamente da mão de obra juvenil, como se estivéssemos recém saídos do regime escravocrata.

É revoltante ver o quanto está difícil operar uma empresa em nosso país onde você já nasce com o pressuposto de ser irresponsável e usurpador dos direitos alheios. E agora, com esse novo movimento vindo à tona, coloco aqui minhas considerações acreditando que, se a juventude, ao menos os que querem trabalhar, tivessem o apoio do governo na flexibilização das leis perante o empregador, permitindo-lhe dar mais espaço para ingresso do menor no mercado de trabalho, certamente eventos como esse rolezinho não seriam pauta de nossos jornais.

O que falta ao Brasil é promover o desenvolvimento real da economia através da sociedade, ou seja, estimular, dar incentivos e permitir que as únicas entidades capazes de promover o desenvolvimento real e o emprego, que são as Pessoas Jurídicas, contratem cada vez mais. É preciso que as empresas recebam voto de confiança do governo quanto a sua idoneidade, para que se estimule a criação de mais vagas de emprego e de oportunidades ao jovem de iniciar uma carreira ou profissão.

A legislação dirigida ao trabalhador é tão ultrapassada e desigual (agora sim em total desequilíbrio de forças entre patrão e empregado) que retira toda a autonomia, capacidade e interesse de uma empresa em empregar e investir em quadro de funcionários, tamanho o risco econômico e dor de cabeça que o trabalhador lhe traz com a legislação debaixo dos braços.

Ao contrário do que parece eu não faço bravata contra o trabalhador, mas a favor do empregador, para que os direitos de um não tirem a autonomia e a capacidade de gestão, crescimento e geração de emprego do outro.

As empresas querem contratar, inclusive aprendizes e menores de idade, dando-lhes oportunidade independente das cotas obrigatórias. Mas diante de uma reversão de valores e do desequilíbrio que se construiu entre os direitos e deveres de cada parte criado com o passar dos anos, ninguém mais se arrisca. E o resultado disso é a criação do vagabundo precoce, o jovem ocioso de todas as classes sociais que quando não está na escola está por aí dando rolezinho, fumando um baseadinho, fazendo uns arrastõezinhos na praia e realizando outras proezas que só um país subdesenvolvido não é capaz de diagnosticar e corrigir com mudanças doutrinárias em sua legislação. Tudo isso na ausência do pai e mãe que estão aí trabalhando em dois empregos e passando horas trafegando no ineficiente transporte coletivo em busca de um ou dois salários mínimos.

Não temos escolas públicas de qualidade, não coibimos a violência, não temos reformatórios adequados para a ressocialização de delinquentes, não oferecemos um sistema de saúde capaz de atender à demanda e não oferecemos condições à iniciativa privada de promover o desenvolvimento econômico e social através da geração de empregos. Disfarçamos nossa incompetência dando bolsas e alimentando as vítimas da nossa ganância por poder e negligência política.

Lamente esse fato: não temos previsão de melhorias. Perdi a esperança no eleitor. Esse é o Brasil que chamam de emergente, um pais em desenvolvimento...