sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Propaganda enganosa ou figura de linguagem?!

Faz dias já que venho lutando comigo mesmo para não falar sobre isso, para não parecer turrão demais. Mas não me contive.

A origem desse post vem da época em que eu trabalhava com uma marca de adoçantes naturais e era regularmente tolhido de utilizar termos que expressassem uma opinião subjetiva a respeito dele em materiais impressos. Por exemplo: "Mais saúde em sua mesa". A pergunta que vinha era: baseado em quê eu afirmo que ele é sinônimo de mais saúde? Comparado com quais, e com que base científica eu faço essa afirmação? A justificativa dessa resposta era mais complexa do que bolar uma nova frase e matar o principal apelo do produto. Qualquer dia eu dissertarei sobre isso tudo, é longa a minha indignação frente os órgãos reguladores.

Apesar de tudo eu convivia com isso até com certa tranquilidade.

Mas de uns tempos para cá, assistindo a uma propaganda que logo no início mostra a ação das "Cápsulas Mágicas" de um certo amaciante de roupas, essa eu não aguentei.

Segundo o dicionário Aurélio, mágica significa "s.f. O mesmo que magia. / Peça teatral com transformações fantásticas. / Mulher que pratica a magia. / Fig. Encanto, deslumbramento.".

E magia significa "s.f. Arte tida como capaz de produzir, por meio de certas práticas ocultas, efeitos que contrariam as leis naturais. / Fig. Efeito surpreendente, comparável aos da magia: a magia das palavras. // Magia negra, a que tinha por objeto a evocação dos demônios. (Sin.: encantamento, fascinação, prestígio.)".

Portanto, argumentar como o diferencial de um produto a existência de cápsulas mágicas que agem de fato em suas roupas (com animação e tudo demonstrando as cápsulas mágicas!!), parece-me mais do que uma simples figura de linguagem. Pode parecer inofensivo, mas se há regras para a linguagem explorada na publicidade, eu realmente gostaria de saber no que consiste essa exceção, pois o meu adoçante, único 100% natural produzido no Brasil, não podia ser chamado de "mais saudável" diante dos demais, todos artificiais. E eu que pensei que já tinha visto de tudo nessa vida...