sábado, 29 de maio de 2010

Eu me sinto um estrangeiro

Pode parecer contraditório, mas de uns tempos para cá tenho me sentido meio triste, sem saber exatamente o por quê... o trabalho está bem, a cidade é linda, mulher e filha comigo... Custei a encontrar uma razão para minha aparente desilusão por alguma coisa.

A resposta veio através de uma música dos Engenheiros do Havaii, principalmente no refrão:

"Entre um rosto e um retrato,
o real e o abstrato

Entre a loucura e a lucidez,

Entre o uniforme e a nudez

Entre o fim do mundo e o fim do mês

Entre a verdade e o rock inglês

Entre os outros e vocês


Eu me sinto um estrangeiro

Passageiro de algum trem

Que não passa por aqui

Que não passa de ilusão (...)
"

Parece que minha estadia na nova cidade ainda não me trouxe referências para desenvolver um relacionamento de amigo com alguém. Todas as pessoas de nosso convívio são do trabalho, onde a relação deve ser mais sutil, por tratar-se de comandante e comandados, e vice-versa.

Notei ontem qua a falta que sinto é de pessoas com quem amadureci o contato, com quem podemos falar até de trabalho não estando in loco. Pessoas com quem a gente possa agir com naturalidade, expor nosso lado humano e tosco, que sempre tem sido muito controlado na relação profissional do dia a dia. Sinto falta da conversa fiada no almoço na casa da sogra e no jantar na casa dos pais... do domingo a tarde com nossos amigos da família Andretta, dos amigos que encontrávamos casualmente nos shoppings ou nas pizzarias, além dos incontáveis irmãos da igreja em nossos mais de 15 anos de convivência, sempre com aquele abraço caloroso e carinhoso.

Em síntese... eu me sinto aqui de passagem. Sem vínculos pessoais, apenas profissionais. E confesso que isso está me incomodando. Mas vou virar essa mesa, tudo tem seu tempo e novas amizades irão se formar. Enquanto isso, não há como negar: nesses 4 meses por essas bandas ainda me sinto um estrangeiro, passageiro de algum trem.