segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Facebook para a promoção de ideologias

Sabe que estou perdendo o gosto por navegar pelo Facebook. Um dia desses entrei em uma discussão (mais uma, aliás) que me trouxe muito aborrecimento, e reparei que lá o que impera mesmo é a política da boa vizinhança. Mais do que isso: O Facebook sequer te dá uma ferramenta rápida para "Não curtir" algo do qual você discorde ou abomina.

Com isso, se você discorda de algum ponto de vista, uma frase feita ou de uma imagem qualquer postada ali ideologicamente por alguém, você é obrigado a simplesmente ignorá-la, sem poder manifestar-se a respeito. Porque se manifestar provoca um mal estar com alguém que certamente é seu amigo, parente ou conhecido.

A sensação que fica é de total impotência para manifestar-se contra algo que te incomodou com aquela mensagem, pois ela vem de encontro com algo que você acredita e que gostaria de dar o seu  ponto de vista diferente a respeito.

O Facebook está transformando-nos em bonecos puxa-sacos, daqueles que sorriem para tudo e para todos para parecerem simpáticos e serem aceitos em todo tipo de sociedade, religião, meio de vida ou cultura.

Acho que, se o Face é uma ferramenta de expressão onde as pessoas podem expor tudo o que pensam, deveria haver maturidade por parte dos usuários para aceitar as diferenças e críticas de quem pensa diferente. Mas infelizmente não é assim...

Acontece que na sociedade moderna as novas culturas e hábitos que vão surgindo transformam os que têm alguma opinião conservadora em ogros irracionais. Com isso você é obrigado a apoiar ou simpatizar-se com as causas da moda sob o risco de, não o fazendo, ser enquadrado na categoria dos seres humanos que não evoluíram.

E sem perceber, o Facebook está dividindo a sociedade em novos grupos e fomentando um perigoso processo segregacionista onde os simpatizantes de cada causa estão ajuntando-se entre si e distanciando-se dos que pensam diferente (e vice-versa), ao invés de promover uma saudável troca de ideias.

Começo a pensar aqui com meus botões que o Facebook ao invés de ser um multiplicador de notícias, cultura, diversão, opiniões para reflexão ou simplesmente um agrupador de parentes e amigos, está na verdade tornando-se um veículo para ideologistas, um causador de discórdia, provocações, distanciamento e de autoafirmação para muitos. Além do que tem se tornado em uma tremenda perda de tempo, uma vaidade sem limites...

Nesse caso, ponto positivo para o Linkedin como promovedor de debates saudáveis a quem deseja  discutir temas específicos, e ponto negativo ao Facebook que está cada vez mais longe de seu objetivo inicial de promover o encurtamento das distâncias de quem está espalhado pelo mundo.

A conclusão desse post para o que penso sobre o uso do Facebook é que respeitar é diferente de discordar. Você tem o dever de respeitar e o direito de discordar. E quem deseja se pronunciar publicamente precisar ter maturidade para receber críticas e respeitá-las. Caso contrário deixe para manifestar-se em seu espaço particular, no seu blog, onde será lido e terá a aceitação principalmente de quem já concorda com suas ideias e opiniões.

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