quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Marketing pessoal x conhecimento

Vejam só esse diálogo ocorrido a certa altura de uma entrevista de emprego:

Entrevistador - Não pude deixar de notar que o Senhor, apesar do status elevado adquirido como profissional, não usa um carro de luxo. Não seria mais adequado, devido a sua posição social?

Entrevistado - Meu status atual é pai, esposo e servo de Deus. Minha condição profissional e financeira de momento podem significar algo para a sociedade, mas segundo meu status, preocupo-me apenas em utilizar o carro mais conveniente para minhas expectativas pessoais, independente da expectativa das pessoas a meu respeito.

Entrevistador - Por essa resposta posso compreender o por quê de o senhor não estar utilizando roupas que evidenciam uma grife...

Entrevistado - Brilhante observação! Trago comigo a objetividade, o conforto e a conveniência na forma de me vestir, pois o que tenho a oferecer profissionalmente não sofre a influência dos acessórios. Meu histórico confirma que não foi a marca da camisa, do relógio ou o corte de cabelo que me ajudaram a trazer os resultados que meus contratadores esperavam.

Entrevistador - Então o senhor não se preocupa em andar fora da moda?

Entrevistado - Sim... me preocupo em não parecer ridículo no contexto. Mas não me preocupo se minha camisa custa 79,90 ao invés de 300,00, e nem me obrigo a usar um relógio de 5.000,00 só para ver as horas.

Entrevistador - Mas esse ponto de vista pode desvalorizar a sua pessoa perante outros executivos.

Entrevistado - Executivos com essa superficialidade eu não faço muita questão de ter ao meu lado. Prefiro trabalhar com quem seja capaz de valorar a minha capacidade produtiva após um diálogo.

Entrevistador - Mas muitos executivos do mesmo porte do senhor gastam com artigos de luxo e esse dinheiro não lhes falta falta no final do mês.

Entrevistado - Concordo com você e respeito o meio de vida deles. Porém, eu tenho valores sociais próprios e sinto-me perfeitamente bem adaptado a isso, sem me preocupar com o que pensam a meu respeito. Não é o status social que me proporciona satisfação.

Entrevistador - O quê lhe proporciona satisfação?

Entrevistado - Realizar. Para mim é indiferente que alguém me diga um "parabéns", ou "muito obrigado por tudo isso", pois o simples fato de ver a minha obra realizada no trabalho e minha família com qualidade de vida me envaidece.

Entrevistador - Então o montante de pagamento que a empresa lhe oferecer não tem muita importância para o senhor?

Entrevistado - Tem sim, pois trata-se de valorizar o resultado que eu me proponho a oferecer com as ferramentas que posso disponibilizar através do conhecimento agregado. O meu custo de vida é adaptável e não tem relação com o valor do meu trabalho.

...

Bem, os amigos devem estar pensando que aqui jogamos por terra todos os estudos de marketing pessoal para a projeção de carreira.

Mas engana-se quem define marketing pessoal apenas como uma forma de se apresentar. Está implícito nesse contexto a forma de se promover através da boa fala, velocidade de raciocínio para a defesa de argumentos e consolidação da personalidade.

Ás vezes pode ser muito mais prejudicial para a sua imagem a cópia de um esteriótipo visual sem conteúdo para garantir o sucesso na hora H do que o preparo através de um vasto aparato de conhecimentos gerais, personalização do caráter e segurança em expor quem você realmente é.

Estamos diante de uma sociedade fútil e relativamente superficial, onde o "parecer ser" ganha dimensões superiores ao "ser de fato" na valorização pessoal. O tempo que se dedica a construir valores pessoais através daquilo que a sociedade convencionou como certo tem desviado o foco das pessoas para o que realmente importa, que é a visão e percepção do que não se enxerga com os olhos.

Essa síndrome da auto afirmação e de sensação de aceitação social tem tirado o sono e consumido o capital de muita gente, ao passo que quem está dedicado ao próprio desenvolvimento e bem estar está em paz consigo e em harmonia com o mundo.

Assim, não é o deixar de vestir-se com grife que estou defendendo. Mas convido-o a pensar que ao desenvolver seu marketing pessoal lembre-se sempre do pós-venda (pós-primeira impressão). Ou seja, o que as pessoas vão pensar sobre você após conhecê-lo verdadeiramente.