segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Currículo de professor visto com um outro olhar

Quando pensamos em como montar um bom currículo profissional sempre temos um modelo padrão mais ou menos universal para apresentar. Alguns recrutadores têm dicas para melhorá-lo, e eu mesmo sempre estou lendo algo a respeito para melhorar o meu e ajudar meus leitores com o deles.

Mas como tenho recebido várias buscas a respeito de modelos de currículo para professores passei a pesquisar algo a respeito. Por sorte meu irmão mais novo, Pedro Berger*, é mestre e professor em escolas particulares, e deu-me algumas dicas que me pareceram muito pertinentes.

Em primeiro lugar, o modelo de currículo não difere do convencional, e vou sugerir aos amigos que deem uma espiadinha em um texto sobre currículo que postei aqui mesmo nesse blog (clique aqui).

Em segundo lugar, o que conta muito nesse mercado profissional de professores é a recomendação. Aqui é uma questão de marketing pessoal correndo lado a lado com a qualidade do serviço prestado, ou seja, da aula.

Mas se a recomendação de bons professores é um diferencial, o que devemos considerar então para medir o quanto um professor é bom a ponto de merecê-la? Vamos pensar  nesse tema agora.

Quem é o seu cliente?

Como em qualquer prestação de serviços devemos conhecer perfeitamente bem quem é o seu cliente, ou seja, para quem você trabalha. E essa análise é complexa, pois temos que considerar aqui o seu cliente, o cliente do seu cliente e o pai do cliente do seu cliente. Descomplicando, quem paga o salário do professor é a escola, mas quem paga a escola são os alunos (ou o pai de alunos). E nessa escala o bom professor deve satisfazer a diversas necessidades:

1 - O pai do aluno: a expectativa do pai do aluno é que ele aprenda o suficiente para passar de ano e, futuramente, no vestibular. Também espera que o professor seja capaz de envolver o aluno em sala de aula, para que ele goste de frequentar essa escola e absorva o conteúdo. O pai pode tirar o aluno de uma boa escola por causa de um professor, um aluno violento ou sádico, ou por suspeitar que alguma coisa esteja provocando o medo ou desinteresse de seu filho por essa escola. Por isso cabe a um bom professor identificar também essas questões nos seus alunos.

2 - O aluno: a expectativa do aluno é que o professor seja divertido, amigo, tenha respostas às suas perguntas e que sua aula seja legal. O aluno é uma criança, um adolescente ou um jovem que não tem ainda um senso crítico tão apurado, e tampouco uma noção das dificuldades que o esperam no futuro próximo. Por isso suas expectativas são relacionais, sensitivas e pouco racionais. Ele sabe que enfrentará um vestibular, mas sua mente trabalha ainda com uma outra preocupação mais simplista, que é passar de ano. Então, para satisfazer as expectativas do aluno sem frustrar as expectativas dos pais, o professor deve convergir as duas variáveis: dar uma aula divertida, relacionar-se amigavelmente com os alunos, tolerar e compreender certas criancices sem perder o controle da sala de aula, e ao mesmo tempo fazer com que seu conteúdo seja dado por completo, seja absorvido e que os alunos passem de ano aprendendo de fato aquilo que foi ensinado através de sua aula agradável. Não basta fazer o aluno ser aprovado com trabalhinhos extras ou com provas fáceis. O bom professor é aquele capaz de ensinar verdadeiramente, avaliar com justiça e agradar ao seu cliente-aluno.

3 - A escola: a expectativa da escola é que os pais de alunos sintam segurança quanto ao conteúdo que está sendo desenvolvido em sala de aula, que os alunos aprovados estejam verdadeiramente qualificados para a próxima etapa que os espera, e que os alunos gostem de estudar ali devido o clima de camaradagem e amizade entre eles e os professores.

Uma vez visto isso devemos saber exatamente como conduzir nossa carreira, nossa conduta profissional e nosso marketing pessoal. O marketing pessoal é o ponto chave dessa questão, pois o professor deve fazer uma auto avaliação de sua conduta, sua forma de comunicar-se e de movimentar-se diante dos alunos. Aqui deixo nova dica de leitura que o ajudará a fazer essa análise. Clique nesse link e veja como encontrar seus próprios adjetivos para moldar-se em sua profissão.

Identificando com perfeição os seus clientes e sabendo como satisfazê-los, um bom professor saberá como desenvolver o seu trabalho a ponto de conquistar a aceitação de todos, a sua valorização profissional e sempre boas recomendações, se é que isso será necessário. Pois o professor qualificado tecnicamente e que atenda às expectativas dos 3 clientes, certamente será disputado pelas escolas e não necessitará de recomendações para conquistar o seu espaço no meio educacional.

Nota extra: convido os amigos a lerem algo sobre o professor Salman Khan, que especializou-se em aulas via internet (já possui mais de 2.700 vídeos de aproximadamente 20 minutos no Youtube), e que agora tem seu conteúdo sendo traduzido para o português e disponibilizado pela Fundação Lemman (conheça o material nesse link). É bom conhecer o que há de novo em nosso ramo de atuação, e esse profissional e seus métodos deve ser acompanhado de perto.

Leia também outros artigos relacionados a currículo clicando aqui, e artigos relacionados a empregabilidade clicando aqui. Vale a pena conferir!!

*Crédito: Pedro Berger é professor do ensino médio no Colégio Nobel e Colégio Adventista de Maringá, iniciando-se na profissão em 2007.