terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sob o ponto de vista profissional, parece que chegamos ao Primeiro Mundo!

Calma, não se empolgue e nem leve em bons termos o título desse post... o que parece uma boa notícia pode na verdade ser um problema. Porque veja bem uma coisa: lembra do tempo em que a faculdade era uma possibilidade para poucos, devido a escassez de opções, alto custo das poucas particulares disponíveis e difícil acesso às públicas gratuítas? Pois bem, isso é coisa do passado.

E no tempo dessa realidade não muito distante os cursos profissionalizantes eram uma boa alternativa para a conquista de bons empregos e até o fomento para abertura do próprio negócio, como padaria, açougue, carpintaria, serralheria, oficinas mecânicas, etc. Daí que o SENAC e o SENAI eram também foco de cobiça para muitos jovens iniciarem-se no mercado de trabalho.

Mas os tempos mudaram e hoje o que se vê é uma explosão de acessos a faculdades (não vamos debater a qualidade delas...) e uma busca por empregos menos relacionados a atividades operacionais, como as de um supermercado, por exemplo.

Assim, conforme relatado na edição de agosto da revista Supermercado Moderno, a falta de mão de obra qualificada principalmente para áreas de açougue e padaria é um problema em franco crescimento de norte a sul do país, onde há uma dificuldade gritante por suprir essas duas áreas de atuação com profissionais que saibam trabalhar e, principalmente, que queiram trabalhar...

Agora virá a pergunta fatídica: por que eu disse lá em cima que "profissionalmente parece que chegamos ao primeiro mundo"? Muito simples. Se observarmos o curso da história veremos que da década de 80 em diante houve um processo migratório agressivo de brasileiros para os EUA e Europa em busca de empregos tipicamente operacionais. Ou seja, estávamos dispostos em fazer aquilo que os trabalhadores de primeiro mundo não queriam para si e aproveitar para fugir do desemprego brasileiro. Óbvio, pois norte-americanos e espanhóis sentiam-se demasiadamente desenvolvidos para trabalhar em uma padaria ou restaurante.

Daí vem meu pensamento paralelo: se hoje o brasileiro encontra-se em grande quantidade estudado, informatizado e muitas vezes até pós-graduado, quem é que sobra para fazer o trabalho operacional? Ninguém... ou melhor, há uma parcela populacional que ficou na parte de baixo do abismo educacional, mas bem lá em baixo, e sem condições nenhuma de fazer sequer um curso técnico. Porque até para isso é preciso ter uma educação mínima para prestar vestibulinho (coisa que a escola pública pouco contribui) ou pagar uma mensalidade, mesmo que pequena, mas que tem grande peso no orçamento doméstico.

Com isso, meu povo brasileiro, é com grande orgulho de lhes informo que, graças à espetacular estabilidade econômica de nosso país, hoje estamos com um grande número de profissionais graduados que não se sujeitam mais aos antigos empregos técnicos, não se contentam mais com os salários medianos, mas que também não se empregam fácil onde gostariam para ganhar o quanto desejariam por falta de experiência adquirida.

Assim, agora temos 3 blocos: um grande grupo de desempregados graduados e inexperientes, outro grande grupo de desempregados sem estudo e sem experiência profissional nenhuma, e um terceiro grupo de empregadores desesperados atrás de bons profissionais técnicos, levando até 180 dias para repor uma vaga que antes demandava 30 dias de procura...

É mole? Com essa realidade, para podermos nos sentir primeiro mundo só falta intensificar a invasão de imigrantes dos países vizinhos em busca de emprego nessas áreas nas quais não queremos mais sujar as nossas mãos. E sob o meu ponto vista, se solucionar o problema no segmento supermercadista serão muito bem vindos, pois enquanto isso o desenvolvimento industrial brasileiro não parece capaz de crescer na mesma proporção que a irreversível ambição de nossa graduada juventude...

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