sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O dia de Ação de Graças de Charlie Brown e suas lições organizacionais

É impressionante como encontramos pérolas corporativas em lugares completamente inesperados... No dia das crianças encontrei por acaso um box com 3 DVDs do Snoopy em promoção nas Lojas Americanas, e um deles era esse aí da ilustração ao lado, com uma história extra chamada The Mayflower Voyagers.

O filme conta a história dos viajantes do Mayflower, o navio que levou o grupo de ingleses e demais povos que instalou-se definitivamente nos EUA para fazer um país livre das perseguições católicas aos protestantes na Europa, onde finalmente, após grande período de superação das dificuldades, reuniram-se para celebrar o Dia de Ação de Graças.

O mais incrível é como eu ia assistindo o filme e visualizando lições corporativas para apresentar ao nosso grupo de funcionários. Acredito muito nessa técnica de aprendizado, onde vemos na história o reflexo de nossa realidade, e é por isso que apreciei tanto esse filme. 

Vou listar aqui um pouco do que pude absorver de útil, além da diversão oferecida pela animação:

1 - Em nossas decisões é preciso haver um propósito, como daqueles que embarcaram em uma viagem arriscada rumo ao desconhecido. Ao aceitar um emprego e iniciar em uma empresa também precisamos ter um propósito pessoal para que aquilo possa valer a pena não somente através do recebimento do salário mensal.

2 - Há períodos de bonança, mas também de tempestades no decorrer dos dias. É preciso estar consciente disso para poder lidar com as dificuldades sempre calmo e equilibrado, enfrentando-as sem alarde e de forma bem racional.

3 - Nem todos os recursos são plenamente favoráveis ou adequados para executar nossas tarefas. Contudo é necessário utilizar o que está disponível para se chegar ao objetivo, e aí sim viabilizar melhorias.

4 - As pessoas são diferentes entre si, e devido a suas personalidades distintas é preciso saber tolerar e ceder na medida certa para que haja harmonia no trabalho em grupo. O respeito à opinião e à forma de pensar dos outros é importante para que se avalie com inteligência o que está certo e o que está errado no processo.

5 - Todos têm sentimentos, e alguns sentem apreensão e ansiedade em obter rapidamente melhorias em suas condições pessoais e profissionais dentro da organização. Contudo é preciso administrar esse sentimento e conversar sempre a respeito dele com seus líderes ou liderados para que haja uma linguagem muito franca e aberta a respeito do presente e do futuro da empresa e do papel de cada um segundo as suas possibilidades de crescimento.

6 - Algumas pessoas chegam a cair ou tropeçar no decorrer do seu trabalho, e caso não haja a cooperação de todos em apoiá-lo, será muito difícil recuperá-lo. Na maioria das vezes é mais viável recuperar um profissional que cometeu falhas ou que desanimou do trabalho do que contratar um novo e integrá-lo ao grupo.

7 - A mudança de rumo ou a tomada de novas decisões ocorre de maneira muito mais favorável quando um grupo de pessoas se reúne e debate o assunto. A decisão tomada a partir da construção da solução em grupo é mais eficaz, e sua aplicação é mais rapidamente aceita do que quando é idealizada por uma só mente superior na hierarquia de comando.

8 - A desmotivação é um processo que deve ser combatido a partir da mudança de visão dos colaboradores pessimistas. Esses só enxergam os problemas, nunca as conquistas. É importante que se tenha sempre em mãos bons resultados e novidades que venham a contribuir para manter alta a moral do grupo, mesmo em um ambiente pouco favorável e de muitas dificuldades.

9 - O estabelecimento de regras, normas e rotinas a serem seguidas é a espinha dorsal de qualquer organização formal. Com essas ferramentas toda atividade tem começo, meio e fim. As pessoas terão um código de conduta a seguir para tomar decisões corretas e resultados poderão ser mensurados em mesas de reuniões, assim como o desempenho de cada membro na execução de suas tarefas.

10 - Há males que vêm para o bem. Essa frase conhecida ocorre também nas corporações, onde é melhor visualizada se lida de outra forma: vale a pena suportar alguns sacrifícios para prover um bem maior amanhã. Mais uma vez chamamos a atenção para exercer a paciência e a tolerância diante das dificuldades.

11 - Decisões erradas não são humilhação e nem demérito para ninguém. Com humildade reconhece-se que uma ação não foi bem sucedida e parte-se para uma outra alternativa sem perder o foco no objetivo proposto.

12 - O alcance dos objetivos muitas vezes esbarra em algumas dificuldades que só são superadas com a doação de algo mais de si mesmo. Assim, se cada um doar seu trabalho com algo além de suas aptidões originais, certamente o esforço será recompensado por um bem coletivo, onde todos ganham.

13 - O medo é uma dificuldade tão grande quanto a insegurança. Superar essa dificuldade uma ou duas vezes certamente vai ajudar alguém a aumentar sua autoconfiança e sua capacidade de enfrentar desafios que antes considerava incapaz de alcançar. No ambiente de trabalho, aprender uma nova atividade ou adotar um novo procedimento é um grande desafio para muitos, e sua superação deve ser estimulada.

14 - Reconhecer as qualidades de um líder é uma excelente forma de aceitar o comando. Assim, deve-se destacar as qualidades do líder perante o grupo e o mesmo deve reafirmar através de seus atos sua capacidade de apoiá-los em seus trabalhos diários. O líder tímido ou omisso não consegue liderar, e seus comandos serão frequentemente questionados ou colocados em dúvida pelos liderados.

15 -  Muitos não conseguem permanecer no grupo, e uma eventual saída de um colaborador deve ser sempre lamentada internamente como algo ruim tanto para ele quanto para a empresa, que investiu em sua capacitação.

16 - Novos colaboradores podem chegar, inclusive na área de liderança, e sua chegada deve ser sempre comemorada e bem aceita pelo grupo como algo positivo, capaz de trazer novidades operacionais ou administrativas para o bem coletivo.

17 - É preciso reunir-se com o grupo em uma frequência no mínimo semanal para citar os resultados positivos, as qualidades percebidas durante o trabalho passado. Nesse momento deve haver uma reflexão interior e ser estimulado que cada membro do grupo dê graças por algo positivo que tenha lhe acontecido na semana dentro ou fora da empresa, a fim de que todos dêm valor ao seu emprego, sua família, sua saúde e outras coisas boas que o rodeiam quase desapercebidas por falta de um momento de meditação.

Pois bem pessoal, tudo isso pôde ser visto no filme!

Assim termino esse texto entrando em mais um final de semana disposto a recomeçar tudo de novo e ainda melhor na semana que vem. Sugiro que também assistam e recebam sua mensagem, aplicando suas lições em seu dia a dia e em seu ambiente de trabalho.