terça-feira, 4 de outubro de 2011

CQC ajuda a TV brasileira a chegar mais rápido ao fundo do poço

Por essa eu não esperava mas o CQC, que surgiu como opção de humor inteligente frente aos ultrapassados humorísticos da Rede Globo e ao trash Pânico na TV, acaba de dar uma demonstração de que zoar com a cara dos outros pode até ser visto como uma forma de humor, mas que jamais deve dar abertura à falta de respeito.

No último dia 19 foi citado no programa o fato de que Wanessa Camargo estava grávida, ao que Rafinha Bastos soltou essa pérola: "eu comeria ela e o bebê" (veja o vídeo aqui). Todos riram, e eu fico aqui me perguntando: onde está a piada?! 

Não assisti esse programa no dia (aliás, não suporto o Marcelo Tas e raramente assisto alguns trechos do CQC no intervalo de outra coisa melhor), mas li a crítica sobre o assunto e, pasmem, os comentários do povo sobre o assunto é contra a ditadura e à liberdade de expressão! A rapaziada apóia Rafinha e acha legal esse tipo de abordagem. Queria ver se Rafinha tivesse falado isso sobre a esposa ou a mãe deles em rede nacional. "Eu comeria ela e o bebê"... poucas vezes vi algo tão chucro ser aplaudido pela platéia.

É claro que o fato trouxe um tremendo mal estar, inclusive na Band e entre os demais participantes do programa, que agindo de forma politicamente correta desaprovou as palavras do companheiro de palco. Com exceção de Danilo Gentili, que em seu twitter escreveu:Sempre enxerguei algo mais significativo sendo construído por um comediante linchado por falar merda do que por um queridinho por puxar sacos.

Triste mesmo é estar na pele de Marcelo Buiaz, o marido da moça e o pai da criança, vendo seu respeitado nome cair na mídia de forma tão infame.

Essa é a televisão aberta brasileira, é a qualidade de nossas programações, é o que os adolescentes por aí assistem e aplaudem de pé. Se liberdade de expressão serve como álibi para se abolir o respeito, então estamos mesmo no fundo do poço...