segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As crianças do Brasil ainda precisam de nós

Você achava que as novas gerações estavam mais conscientes quanto ao que devem fazer para terem um futuro melhor? Enganou-se...

Segundo pesquisa Geração 5.0 – Os Novos Pilares da Infância, realizada pela emissora Nickelodeon em 7 países da América Latina,  as futuras gerações brasileiras podem ser bastante sedentárias, despreocupadas com o meio ambiente e com a preservação dos recursos naturais e intolerantes em relação às diferenças e diversidades sociais, culturais e de opinião.

O objetivo do panorama é traçar um perfil dos pensamentos e idéias das crianças desses países, bem como da criação e dos conceitos que seus pais vêm lhes transmitindo.

Entre os principais dados, segundo matéria publicada no site m&m online, "o que chama bastante atenção é a adoção do comportamento sedentário em detrimento das atividades físicas. Se antes as escolas e as ruas eram palco das brincadeiras infantis, agora é a telinha do videogame e do computador que ganham a atenção dos pequenos.

Segundo o estudo, as crianças estão cada vez mais dentro de casa. Enquanto 75% delas afirmavam andar de bicicleta no ano de 2003, somente 41% dizem praticar a atividade hoje. Os meninos também estão abandonando os campinhos de futebol. Enquanto 50% afirma jogar bola de “verdade”, 87% preferem fazer o esporte pelo controle do videogame. Esses índices de sedentarismo são os mais altos da América Latina.

Além da queda na atividade física, as crianças do Brasil também são as que menos se preocupam com o meio ambiente, apesar de afirmarem que tem um interesse pelo tema. Enquanto no México, por exemplo, 84% afirmam ter hábitos que ajudem ao meio ambiente, no Brasil esse percentual é somente de 56%, ficando atrás de todos os demais países avaliados – a Venezuela tem 73%, a Colômbia e o Chile têm 70% cada e a Argentina tem 68%.

A maioria dos pais (84%) acha importante que as crianças desenvolvam sua criatividade por diferentes meios. Embora as mães ainda prefiram os métodos tradicionais de estímulo, como desenhos animados e programas infantis, 50% delas já acha que os jogos e ferramentas da internet servem como importantes canais nessa evolução.

Em relação a diversidade, os discurso dos pais e das crianças é o de que todos estão abertos para aceitar o diferente. Segundo a pesquisa, 96% das mães dizem que ensinam os filhos a respeitar, por exemplo, as deficiências físicas e mentais de outras pessoas. Apesar disso, são poucos os pequenos que tem contato direto com algum tipo de deficiência – somente 10%.

De acordo com os analistas dos dados, tal índice é preocupante, pois quando uma criança não tem contato próximo com algo diferente, ele pode desenvolver um comportamento de preconceito e violência, sobretudo na internet e nas redes sociais, onde os casos de cyberbulling vem se mostrando bastante frequentes."

Isso me fez lembrar de quando ainda estava no primário, e fiz minha primeira série na Escola Cirandinha, de Paranavaí. Num dado momento, parece-me que na véspera de Natal, fizemos uma excursão na APAE, conhecemos a escola para alunos especiais e as crianças que ali estudavam.

E eu aqui pergunto: se as crianças de hoje estão com falta de bons costumes e opiniões a culpa é de quem? Criança é igual a uma esponja, que absorve toda a água que lhe é depositada. O conhecimento, os valores e os hábitos são copiados e aprendidos segundo o que lhes é apresentado.

Portanto, quem tem a chance de fazer um futuro melhor não são os nossos pequeninos de hoje. Ainda somos nós...