quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A sociedade tem cura!

O trabalho nos proporciona a cada dia novas experiências. Em minha recente imersão no RH de nossa rede de supermercados a fim de promover uma mudança de choque em todos os processos relacionados à gestão dos recursos humanos, passei a realizar pessoalmente as entrevistas de recrutamento com a presença de nosso psicólogo, com o objetivo de readequá-lo para um processo mais complexo de análise do perfil do candidato x perfil da vaga oferecida.

Nessa empreitada, para a qual tenho dedicado meio período do meu tempo todos os dias, já tive a oportunidade de entrevistar uma média de 30 pessoas nos últimos 10 dias, e confesso que, apesar de não ter preenchido todas as vagas que precisava, já pude me impressionar com um aspecto que me chamou muito a atenção.

A surpresa positiva é o fato de que muitos dos entrevistados, e diria até que trata-se da maioria deles, não fuma cigarro e não bebe bebida alcoólica. A estatística é muito boa, pois a diversão dessa gente, pessoas de classe social humilde e com formação escolar máxima de segundo grau, é fazer programas familiares e caseiros, além de um futebolzinho com amigos e visitas regulares à igreja.

O mais curioso é que muitos deles foram criados apenas pela mãe, de vida difícil e suada, mas que conseguiram criar e fixar valores importantes para suas vidas. Alguns disseram até que suas mães controlavam quem eram seus amigos e com quem poderiam andar por aí.

Digo isso com grande satisfação, pois costumava ver um rumo triste para a nossa sociedade devido a falta de uma criação adequada dos filhos, os quais entram facilmente no mundo das drogas por influência dos amigos da vizinhança e da escola, tendo sido pouco preparados para o mundo pelos próprios pais. Após tornar-se dependentes químicos entram numa faca de dois gumes, pois, mesmo querendo, não conseguem se livrar do vício facilmente. E enquanto isso precisam continuar a comprar para consumir... com dinheiro que não têm. E aí iniciam os pequenos furtos, que terminam em crimes cada vez mais maiores.

O que vi de positivo nos entrevistados não foi o fato de não beberem ou não fumarem, mas que receberam influência positiva sobre isso, pois esses hábitos podem ser uma iniciação ao alcoolismo e ao consumo de drogas. Portanto, abster-se de vícios sempre será uma ótima recomendação aos filhos.

As pessoas que entrevistei e que admirei são em sua maioria de pouca escolaridade e de classe social D e E.

Por isso repito aqui uma afirmação que fiz a uma candidata que debateu comigo o tema "sociedade": o problema da criminalidade não está relacionado à pobreza. Refere-se muito mais à educação familiar.