quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Carreira x casamento: a família perdeu o seu valor?

Recentemente participei de um bate papo com amigos empreendedores que abriram uma discussão demonstrando que os divórcios estão cada dia mais frequentes na vida dos executivos.

O colega headhunter Aristides Girardi disse em um dos trechos de seu texto: "esta semana conversei com mais ou menos 90 executivos e executivas, quase 100, e fiquei impressionado com a quantidade de divorciados ou divorciandos que tive o prazer de conhecer e conversar durante os processos, buscas e abordagens, normais no dia a dia de um headhunter".

Um dos que comentaram, o amigo Danilo Silva Pinto, complementou com muita sabedoria: "trata-se, na minha opnião, de uma grande crise de valores. Primeiro porque as empresas estão cada vez mais exigentes e as metas obrigam os executivos a se entregarem cada vez mais. Segundo, porque o casamento hoje deixou de ser uma escolha emocional, cercada de romantismo e religiosidade, para ser um negócio, no qual a satisfação de ambas as partes é crucial para a manutenção da relação".

E complementou: "
Agora imaginemos que um executivo, que trabalha 12, 18 horas por dia e levou uma vida inteira para desenvolver a carreira se veja em face de decidir entre esta e o casamento. O que eu defendo é o jogo limpo com o parceiro(a), no qual se deve deixar claro o estilo de vida possível na carreira que escolheu e as renúncias que se tem de fazer na vida pessoal".

E o último trecho que quero reproduzir é :
"Não se pode pedir à organização que compreenda seus problemas pessoais, nem tampouco esperar que os pares e chefes estejam disponíveis para ajustar as condutas da empresa ao casamento do executivo. Já da esposa ou do esposo, espera-se compreenção e participação, de modo que é mais fácil ajustar a vida pessoal à profissional que o contrário. Isso me leva a crer, que se colocado na condição de decidir entre o casamento e a carreira, a maioria vai escolher a segunda, até mesmo porque, se a esposa ou o esposo não está comprometida(o) com você a ponto de lhe colocar no canto da parede, nada garante que não vá pular do barco lá na frente".

E
u tenho opiniões muito próprias a respeito do casamento, onde a bênção de Deus para que o casamento só termine pela morte não deveria se tornar um juramento hipócrita (com o perdão da palavra...) na vida do casal como vem se tornando na sociedade moderna.

Contudo, não julgo e nem recrimino os divorciados, esse é um princípio meu, pois compreendo que a sociedade caminha para a individualidade, mesmo com todas as tentativas de uma vida a dois (além dos filhos), normalmente frustradas por motivos diversos.

Se pudesse convencê-los de meu ponto de vista conservador e antiquado, diria que nada deve superar a importância da vida em família, pois o trabalho faz parte da vida, e não o inverso... quem sentirá falta da harmonia do casal legítimo serão os filhos, pois a separação configura uma quebra no papel antropológico de cada membro de uma família com suas atribuições e funções no amadurecimento social e intelectual de nossas crianças.