sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Caso Havaianas: a imoralidade é consequência da modernidade?

Achei interessante o impacto da propaganda das Havaianas, e me propus a realizar uma pesquisa baseada nas pessoas que comentaram o comercial através do post de Cristiane Correa no Portal Exame (http://portalexame.abril.com.br/blogs/cristianecorrea/listar1.shtml):

Homens que não gostaram: 19
Homem que gostaram: 15

Mulheres que não gostaram: 4
Mulheres que gostaram: 32

Agora me chamou a atenção o fato de que, dentre os que não gostaram da propaganda, em suas justificativas usaram termos brandos relacionados à ética e à moral que teriam sido ignoradas pelos publicitários idealizadores. Esses comentaram a propaganda em si.

Mas dentre os que gostaram, foi predominante o ataque aos descontentes, com poucos comentários sobre os idealizadores da propaganda em si, e muitos dirigidos aos que não gostaram, chamando-os de hipócritas, falsos moralistas, gente ignorante, acéfalos, assexuados, beatas, bando de idiotas, gente com falta do que fazer, caras de pau, pessoas com falso pudor, pessoas retrógradas, pessoas com problemas de relacionamento, pessoas frustradas, gente atrasada, demagogos, pessoas desatualizadas e atrasadas, menos privilegiados da realidade mundial, bando de pessoas reprimidas e cheias de pudores, gente que não tem bom humor, preconceituosos contra a terceira idade (palavras retiradas na íntegra dos comentários sobre a postagem).

Em resumo, concluí que as pessoas que consideram os moralistas intolerantes para com a liberdade de expressão, demonstraram sua intolerância para com os moralistas.

A sociedade está antagônica e perdida em seus conceitos, e a tolerância passou a justificar a perda da ética, da moral e até da educação. Se a falta de moral (ou modernidade) justifica a falta de pudor, por que não pode justificar também a falta de honestidade? Ser desonesto é moderno, e assim como o sexo, é praticado desde que o mundo é mundo. Por que coibir? Vamos ser modernos e apoiar nossos políticos desonestos e oportunistas, assim como Caim, que matou o próprio irmão para benefício próprio ainda no livro de Gênesis, nos primórdios da humanidade!!

Vamos mostrar sexo abertamente na TV e também a corrupção dos nossos políticos e ainda vibrar com isso!! A imoralidade em toda a sua essência, do sexo à má gestão do dinheiro alheio, justifica os atos que convém à individualidade. Vamos libertar nossos presos por estupro, que estavam apenas aflorando seus instintos naturais corrompendo a mulher alheia, a qual deveria ser mais tolerante ao invés de reclamar... Será que a vovó moderna da propaganda apóia o estupro? Deve apoiar, pois é apenas um sexo fora do casamento. Às vezes o estuprador é até um cara legal, bem dotado... que mal tem?! Vamos abrir nossas mentes, já estamos em 2009, precisamos evoluir!!

Não apregôo a imoralidade e nem a criminalidade. É óbvio que estou demonstrando de forma satírica a falta de padrão de quem minimiza o peso da imoralidade para uma coisa mais do que para outra. A imoralidade é como o amor: é atemporal, sempre foi e sempre será o que é para qualquer situação. A decadência da sociedade moderna está na sua falta de limites. Por desconsiderarem os seus limites, cometem o erro do desrespeito ao próximo, e não admitem ser questionados. Matam ex-mulher e ex-namorada por amor com a mesma falta de limites com que promovem o sexo gratuíto em rede nacional, sem se preocupar se a moral ainda é um adjetivo presente na vida de alguém.

A falta de respeito corrompe qualquer tentativa de harmonia no relacionamento coletivo...