terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Criança, o Bem e o Mal

Hoje, ao chegar na escola para buscar minha filha de 3 anos e meio, senti falta já de longe da sua expressão de alegria ao me ver.

Quando chegou, seus olhinhos já foram avermelhando. Me abraçou e caiu em choro... difícil foi conseguir que ela parasse de soluçar para me contar o que houve, pois o choro era legítimo, alguma coisa estava errada.

Foi quando ela me disse com muita dificuldade: “o Leandro disse que ia me matar...”

Duro para um pai ouvir isso, mas imaginei que era um mal entendido, e procurei a professora, que logo esclareceu que todos os amiguinhos estavam com uma estrela pintada no rosto, e que os meninos logo se identificaram com os Power Ranger, e que na brincadeira de faz de conta, sem maldade, o coleguinha disse isso para ela.

Sei que não podia fazer nada, e até cheguei a pensar na dificuldade dela de imaginar que uma pessoa pudesse fazer isso com outra, pois no conhecimento dela, mata-se porcos, boi, galinha... mas nunca uma pessoa, e o que dirá um amigo de escola!!

Refletindo sobre isso percebi que na seleção dos filmes ou programas que ela assiste na TV a cabo, não existe essa disputa do bem contra o mal como nos programas infantis da TV aberta. Ela assiste Cocoricó, Barney, Elmo, Pocoyo, Caillou, Backyardigans, tudo gravado em DVD. Minha filha nem sabe que a Xuxa existe, bem como aqueles programas infantis matutinos cuja essência é a luta do bem contra o mal.

Minha pergunta é: se podemos ensinar sobre o bem e sobre o mal, por que não ensinamos só o bem?!

A uma criança de 3 anos, é sábio permitir que conheça e pratique o mal, mesmo que seja no faz de conta?

Minha filha até hoje só conheceu o bem. É uma criança pacífica, companheira, criativa, compartilhadora e conciliadora, mas com apenas 3 aninhos será obrigada a tomar lições sobre o mal para não ser uma vítima da sociedade criada pelos “pais sem tempo”, cuja educação dos filhos se dá através da TV Globinho, do Bom Dia & Cia e outros programas infantis que eu nem conheço.

O mal que assola e cresce na humanidade é fruto dessa educação que prepara os filhos para uma batalha pela vida, pois o posicionamento social e não mais a sobrevivência, tornou-se uma necessidade e uma obsessão na vida dos adultos, a ser copiada pelos mais jovens. E quem paga por isso são as crianças, que serão autodidatas na formação de seus valores e caráter, agindo e pensando segundo o que aprenderam e assimilaram sozinhas na TV, esse câncer maligno que destrói e manipula a sociedade.
Aos pais ausentes, nunca é tarde o bastante para mudar a postura diante dos filhos...