quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Um ecossistema chamado Mercado de Trabalho

Hoje me peguei contendendo comigo mesmo em devaneios a respeito dos diversos profissionais inexpressivos, improdutivos, incorrigíveis e desvalorizados com quem já trabalhei durante minha carreira.

Isso porque há dezenas de processos operacionais que não conseguimos realizar com perfeição ou precisão pela simples falta de alguns profissionais poder oferecer algo mais de de si. "Vamos trocar, demite!", dizem alguns. Mas eu sei o quanto já troquei 6 por meia dúzia nessa busca de encontrar alguém melhorzinho. "Melhora o salário que eles melhoram o trabalho", dizem outros. Mas não se trata de ganhar mais ou ganhar menos, trata-se de querer ou poder fazer bem feito. Até porque quem é capaz de produzir melhor, invariavelmente cresce para funções mais relevantes, e o problema da tarefa banal a ser bem executada volta à tona nas mãos do inexpressivo operário. E até essa tarefa precisa ser bem executada para dar andamento ao ciclo da evolução pessoal.

E nesse mono-debate, respondi para mim mesmo com um exemplo: o mercado de trabalho é igual a um ecossistema. Um vive do outro, um alimenta-se do outro, um é mais poderoso que o outro, e quem nasceu antílope não pode tornar-se leão.

Em parte é verdade. Precisamos de gente com força nos braços, gente com força nas pernas, gente com alta resistência física, gente monótona, gente persistente e gente com habilidade manual para dar andamento aos produtos de gente que pensa, gente que cria, gente que planeja, gente que empreende, gente que arrisca... e assim por diante.

Com isso, o ecossistema funcional precisa de pessoas com todo tipo de característica para que todos sirvam a todos, seja na parte intelectual, seja na parte braçal, e até na parte racional e emocional.

Daí meu outro Eu colocou uma vírgula nessa comparação: mas nem todo mundo que nasce plâncton permanece plâncton para o resto da vida funcional. Há pessoas sem escolaridade, que nasceram sem uma família estruturada e que tornaram-se vencedoras, enquanto outras permaneceram na margem do emprego. É verdade. E nisso podemos dizer que o sucesso não está relacionado ao berço onde se foi gerado, mas ao potencial de desenvolvimento de cada um.

E é nesse aspecto que valorizo a função de cada um no ecossistema funcional, e espero que até aquele responsável por fazer o básico, faça o seu melhor para o bem geral de todos. Já pensou se os insetos voadores se escondessem, do que viveriam as aranhas? E se os roedores se escondesses preguiçosamente, do que viveriam os animais de rapina? E se os antílopes mudassem seus hábitos, do que viveriam os felinos? E se os pássaros não fertilizassem a relva, do que viveriam os herbívoros?

Se no ecossistema da natureza não houvesse harmonia e compromisso de todos naquilo que foram projetados para fazer, o mundo não se manteria. Do mesmo modo, no mundo dos negócios e no mercado de trabalho, é necessário que cada um execute seu papel com mais apreço, a fim de que todo o processo produtivo se desenvolva e as corporações de todos os tamanhos cresçam harmonicamente, valendo-se de cada um com sua competência, potencialidade e perfil.

Esse desabafo não tem por fim acomodar-me e aceitar a morosidade de muitos, mas aperfeiçoar nossos processos internos para reverter um quadro de improdutividade e desinteresse em um quadro de empenho e vontade de vencer. Nem que para isso nosso único e maior investimento seja simplesmente em reter os bons e desistir de promover a evolução dos ruins, simplesmente eliminando-os do mercado de trabalho e convocando Darwin para explicar por que é que muitos humanos não evoluem, nem para o próprio bem...