segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aborto de anencéfalos é a nova vergonha nacional

O significado de vida mudou, segundo o Supremo Tribunal Federal. Diante dessa assertiva, resta pouco a se dizer: “Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo, não existe vida possível. O feto anencéfalo é biologicamente vivo, por ser formado por células vivas, e juridicamente morto, não gozando de proteção estatal. [...] O anencéfalo jamais se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida de vida em potencial, mas de morte segura. Anencefalia é incompatível com a vida”, afirmou o relator da ação, ministro Marco Aurélio Mello.

Além dessa aberração filosófica ainda somos obrigados a ouvir os manifestantes favoráveis e essa decisão que alegam o prejuízo emocional de uma mãe ao ser "obrigada" a conceber um filho diagnosticado anencéfalo.

Diante da ideia do que o futuro nos espera, todo o nosso código penal perdeu o seu valor após essa tolerância criminosa de aborto de um feto anencéfalo. Logo, julgam algumas feministas de plantão, que a dor de uma mãe de conceber um filho anencéfalo é maior do que a dor de assassiná-lo ainda no ventre, já com a estrutura morfológica visível e com o coraçãozinho batendo presumindo que morrerá e trará sofrimento a quem o gerou. QUALQUER FILHO QUE MORRA, ANENCÉFALO OU NÃO, TRARÁ SOFRIMENTO A UM PAI E A UMA MÃE!!

Se o Estado permite à mãe julgar pelo assassinato do próprio filho ainda no útero para valer-se do direito de não sofrer mais tarde com um ser que, segundo o Estado, é juridicamente morto porque jamais se tornará uma pessoa, o que impede da outra mãe julgar um assassino à pena de morte por ter-lhe proporcionado sofrimento idêntico após matar seu filho em um crime qualquer?! Permitir esse tipo de aborto é tolerar a morte do próximo julgando o que ele é ou será no futuro. É o futuro presumido, como no filme de ficção Minority Report. Quem assassinou uma vez o fará novamente, e portanto deve morrer antes que mate outro inocente. Não é o que penso, mas é o que Estado nos faz crer, é onde podemos chegar a qualquer momento na escala de juízo dos legistas.

Esse é o cúmulo do egoísmo: nos livrarmos de algo que pareça um problema antes que seja tarde demais...

Com isso abrem-se também as portas para se legalizar a eutanásia em escala industrial. Para que ficar sofrendo com alguém que vegeta ou que sofre de uma doença terminal se podemos abreviar a vida do moribundo e sermos felizes, seguindo em nossa vida egoísta? E olha que alguns dos anencéfalos sobreviventes nem dependem de aparelhos para realizar suas funções vitais. Se há funções vitais em funcionamento, então há vida sim senhor, e isso só será possível saber após o nascimento.

Cada dia mais estou desacreditando da capacidade de amar do ser humano. E nem estamos falando sobre religião.

Mas também há sensatez no STF

O presidente do Supremo, Ministro Cezar Peluso, "comparou o aborto de fetos sem cérebro ao racismo e também falou em "extermínio" de anencéfalos. Para o presidente do STF, permitir o aborto de anencéfalo é dar autorização judicial para se cometer um crime."Ao feto, reduzido no fim das contas à condição de lixo ou de outra coisa imprestável e incômoda, não é dispensada de nenhum ângulo a menor consideração ética ou jurídica nem reconhecido grau algum da dignidade jurídica que lhe vem da incontestável ascendência e natureza humana. Essa forma de discriminação em nada difere, a meu ver, do racismo e do sexismo e do chamado especismo", disse Peluso."

Para Lewandowski (Ministro Ricardo Lewandowski), o Supremo não pode interpretar a lei com a intenção de “inserir conteúdos”, sob pena de “usurpar” o poder do Legislativo, que atua na representação direta do povo. Ele afirmou que o assunto e suas conseqüências ainda precisam ser debatidos pelos parlamantares.

"Uma decisão judicial isentando de sanção o aborto de fetos anencéfalos, ao arrepio da legislação existente, além de discutível do ponto de vista científico, abriria as portas para a interrupção de gestações de inúmeros embriões que sofrem ou viriam sofrer outras doenças genéticas ou adquiridas que de algum modo levariam ao encurtamento de sua vida intra ou extra-uterina", disse.
(publicado no G1)

Foram os dois únicos votos contra a aprovação da lei.

Protegem mais bicho do que gente!

Onde estão as mobilizações contra a permissão de aborto do bebê anencéfalo? Se fosse alguma lei contra os cães e gatos que se multiplicam aos milhares e ficam soltos pelas ruas transmitindo doenças, tenho certeza que a sociedade já estaria gritando por aí e no Facebook com cartazes de protesto, pois trata-se do princípio de agressão a alguém mais indefeso na cadeia animal. Mas como é apenas um ser humano que ninguém enxerga dentro do ventre, pouca gente se indignou com essa nova lei, pois o que está sendo gerado trata-se da "algo", e não de alguém.

Com isso resta pouco a se dizer, mas muito a se indignar com o que realmente tem valor hoje na vida das pessoas...