sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Crise no mercado internacional: isso não passa de uma nova era mercantil

Muito tem sido falado da crise no mercado internacional como se isso fosse algo a superar. Mas vou dar aqui minha modesta opinião com uma explanação que muitos podem até dizer "Adriano, deixe de escrever tolices e vá brincar com seu caiaque". Mas como até Sócrates já escreveu muita tolice e mesmo assim era chamado de Filósofo, vou dar aqui também a minha filosofada...

No contexto da história, o mundo sempre foi dividido em blocos. Um dia foi dividido entre os países Conquistadores e detentores de tecnologia formados por membros da Europa e Mongólia, e os países Comerciantes formados pela Índia e Oriente Médio.

Em seguida surgiu uma nova configuração, onde somados a esses blocos surgiram as Colônias, formadas por novas terras indígenas conquistadas. Note que dos principais países da Europa, destacaram-se na navegação de conquista e comercial os ingleses, franceses, holandeses, nórdicos, espanhóis e portugueses. Os gregos, que apesar de seu imenso conhecimento científico e marítimo, contentaram-se em brigar entre si, e esse fato será lembrado logo mais a frente em outro ponto da história.

Esses blocos perduraram por vários séculos, onde algumas colônias desenvolveram-se grandemente e outras um pouco mais lentamente, servindo apenas como fonte de extração mineral, agrícola e uso de mão de obra escrava.

Assim, após a segunda guerra mundial já pôde-se verificar que a história mudara de perfil com o surgimento de um novo formato: os países Capitalistas, os Socialistas e os de Terceiro Mundo. Via de regra, os dois primeiros blocos eram detentores de tecnologia e fortemente respeitados pela força armamentista, enquanto o grupo de Terceiro Mundo permanecia fonte de abastecimento dos dois outros blocos e tinha sua segurança garantida segundo a sua política governamental.

Entrado o século XXI, notou-se uma mudança nítida nesse formato, onde o fim da guerra fria e a falência dos países de regime socialista decretaram uma nova estrutura: surgiram então os países de Primeiro Mundo, formados pelos capitalistas consolidados (América do Norte, Mercado Comum Europeu e Tigres Asiáticos), Países do Petróleo Estratégico (Oriente Médio), Países em Desenvolvimento (Brasil, Índia e China) e Países que Ninguém Lembra que Existem (Continente Africano, Uruguai, Bolívia, Nicarágua, Bósnia, Eslováquia, Nova Zelândia, Rússia, etc).

Essa configuração, graças ao capitalismo selvagem e à busca de sobrevivência dos novos capitalistas foi o que teve menor duração em toda a história, e já no fim da primeira década de existência (por volta de 2010) apresentou sua nova estrutura: o de Novos Países Desenvolvidos (Brasil e China), o de Países à Beira da Falência (Mercado Comum Europeu e Tigres Asiáticos), Países que "Vamos Ver no Que Vai Dar" (América do Norte, Austrália e Oriente Médio) e Países que Ninguém Lembra que Existem (os mesmos de sempre).

O que quero aqui destacar é o que o bloco de Países à Beira da Falência é o mais preocupante, pois chegou a esse estágio pelo simples fato de que, quando não tinham mais as colônias para usurpar riquezas passou a viver do desenvolvimento tecnológico. Com o fim da Guerra Fria e a abertura do mercado de importação e exportação agressiva para os Países em Desenvolvimento, o fator tecnológico deixou de ser um diferencial, pois suas indústrias foram instalar-se justamente onde a mão de obra estava qualificada e muito mais barata do que na Europa, proporcionando um crescimento desenfreado e rápido nas economias do Brasil e China, que ainda por cima, tinham população e cash para absorver produto fabricado com tecnologia dentro de casa.

Com isso, o bloco europeu e asiático deixou de exportar produto com tecnologia própria e passou a concorrer com produto de tecnologia dos países em desenvolvimento (que agora são desenvolvidos). E ainda por cima, por serem pequenos em área geográfica, ainda têm a dificuldade de comprar matéria prima e alimentos de quem continua sendo um grande celeiro extrativista e agropecuário: novamente Brasil e China. Essa é a nova realidade mundial, a nova era mercantil a qual me referi no título do post.

Em outras palavras, o futuro próximo dos países europeus é preocupante, onde alguém como a Grécia, instalada sobre um monte de pedras, de pouca agricultura e praticamente nenhuma tradição tecnológica (cite algum produto grego industrializado conhecido, além de azeite e vinho) não tem a menor condição de recuperar-se financeiramente no concorrido mercado internacional, que será cada dia mais monopolizado por Brasil, China e EUA.

Resumo: em breve a Europa deixará de ser uma potência econômica e transformar-se-á em um imenso museu para visitação, pois se tiver a sagacidade dos países que compõe o arquipélago do Caribe, seus países ainda terão a grande chance de sobreviver do turismo dos novos emergentes e detentores de capital. Isso se tivermos a sorte de não ver nascer ali um novo líder conquistador como Adolf Hitler que venha a provocar a terceira e última guerra mundial...

E assim o Brasil sentirá na pele (já está acontecendo isso) o que é a imigração de jovens estrangeiros em busca de emprego e de oportunidades. Com olhos bem abertos, cabe ao Itamaraty preparar suas políticas de contenção antes que as entradas de estrangeiros (sempre muito bem vindas como turistas) não venham a provocar um caos desnecessário a esse povo que batalhou, batalhou, batalhou e que agora merece gozar de um país finalmente estável e de oportunidades.

Olhando meio por cima, é isso o que vejo para o futuro do planeta Terra antes mesmo que possamos dizer Pindamonhangaba...