segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O modelo de gestão mal escolhido

Um relacionamento empresarial de co-participação, ou seja, gerido simultaneamente entre duas pessoas jurídicas diferentes já não é fácil.

Imagine então você gerenciar uma entidade sem fins lucrativos, sem ser o dono dela de fato, nomeando dirigentes para diversos departamentos, e mesmo estando fortemente endividado realiza investimentos de alto risco e de alto valor para o mercado nacional, e ainda abrindo espaço para o torcedor sentir-se parte do negócio. E mais um detalhe: o torcedor auto-denomina-se "um bando de loucos"... essa receita tem tudo para não dar certo.

Estou falando do Corinthians. E mesmo sem querer ser repetitivo quero reafirmar aquilo que tenho dito em outros posts nesse mesmo blog, analisando friamente a situação como um empreendimento.

Veja só o resumo de como foi esse último fim de semana do clube, após derrota para o Atlético-GO, segundo Leandro Canônico, da Folha de São Paulo no dia 10/10/2010:

"Adilson Batista não teve um dia fácil neste domingo. Na verdade, a pressão começou no sábado, quando sete integrantes da maior organizada do clube se reuniram no Parque Ecológico com diretoria e líderes do elenco, como Alessandro, Paulo André, Roberto Carlos e William. Neste domingo, do vestiário, o treinador já sentiu a insatisfação da torcida com a escalação que mandaria a campo. Seria um dia para o Corinthians reviver tempos do velho Corinthians.

Demissão, vaias, bombas... Timão revive dia do 'velho' Corinthians

A torcida, então, parou de apoiar depois do apito final. Gritou “não é mole não, o Brasileiro virou obrigação”, “se não ganhar, o bicho vai pegar”, “queremos jogador”, entre outros gritos de pressão tradicionalmente usados. Acabada a partida, membros da maior organizadas do Timão foram tentar entrar no vestiário. Foram barrados e ficaram sem o mesmo privilégio que tiveram no sábado.

Já no vestiário do Pacaembu, tensão no ar. Antes do anúncio da demissão de Adilson Batista, 30 minutos de reunião lá dentro. Enquanto isso, a torcida se reunia, cada vez em maior número na porta do ônibus da delegação. Os jogadores, com medo, ficaram dentro do vestiário e só partiram para o veículo na hora de ir embora. Ouviram xingamentos dos mais variados tipos.

Dentro do estacionamento do estádio havia mais de 30 pessoas e do lado de fora do portão 23 mais uns 70 fanáticos. Antes disso, na Praça Charles Miller, principal acesso ao Pacaembu, a Polícia Militar teve de usar bombas de efeito moral, mas nenhuma ocorrência mais grave ocorreu.

Para quem estava acostumando com um Corinthians sem crise, de clima leve, o cenário de hoje faz o torcedor relembrar de tempos nada agradáveis, em que o clima de pressão era rotineiro e agressivo."


Vejam que o clube errou em muitos aspectos, e o maior deles foi prometer um ano cheio de títulos para comemorar os 100 anos de fundação sem considerar que para conquistar títulos deveria contar com itens como: o porte atlético de sua maior estrela; não poderia ter desfalques por contusão; os campeonatos são formados, inclusive, por adversários...

Esse foi o modelo de gestão escolhido por Andres Sanches: gastar o que não tem, promoter o que não pode prever e aumentar o status de uma torcida que não sabe perder... como qualquer outra torcida.

Resta esperar que isso não promova consequências mais graves, pois futebol é esporte, saúde e entretenimento, não há espaço para violência, e nem para rivalidade truculenta.