terça-feira, 28 de julho de 2009

Sustentabilidade social e cultural. Uma receita para o Brasil dar certo

Muito se fala sobre a economia sustentável, modelos de gestão "verde", reaproveitamento e economia dos recursos naturais, reengenharia da alimentação com foco nos primeiros rudimentos agrícolas, livre de agrotóxicos, etc.

O que pouco tem se falado é sobre o início de um processo de sustentabilidade social e cultural. O mundo capitalista só se preocupa com o dinheiro e fontes de renda sob o ponto de vista organizacional, pouco pensando no real bem estar social. Digo isso, como já escrevi em outro texto, sobre a falta de investimentos da rede pública em informações práticas e preventivas para a população a fim de se evitar contágio de doenças com a nova gripe da moda. Por que tanto investimento em divulgar os sintomas das doenças e como evitar sua transmissão, e tão pouco investimento em divulgar métodos caseiros de se alimentar melhor aumentando a resistência física e o impacto das viroses?

Pouco se faz para promover o bem estar social, o convívio humanitário de qualidade, a qualidade de vida real e presente no dia a dia. É uma cadeia que se inicia na falta de avaliação de alguns fatores em sua essência: se é comprovado que o alimento orgânico oferece cerca de 60% mais nutrientes que o alimento convencional, por que é que não se fomenta sua produção com incentivos fiscais desde a agricultura, industrialização e revenda? Numa avaliação em escala a saúde das pessoas tende a melhorar, a utilização do SUS tende a ser menor, os planos de saúde tendem a baratear (bem como a linha de medicamentos, cuja demanda manipula o preço), onde no final das contas quem ganha é o cidadão.

Se o preço do alimento orgânico baixar toda a cadeia produtiva terá que se mobilizar. Mas isso requer um programa de sustentabilidade social, onde os interesses à qualidade de vida dos cidadãos superem aqueles dos lobistas dos grandes produtores de implementos agrícolas e alimentos “longa vida”, cheios de componentes artificiais.

E a sustentabilidade cultural? É aquela onde se prima pelo amadurecimento cultural, e por que não dizer o "nascimento" cultural, num país onde se faz campanha pela leitura mas não se incentiva o menor custo das obras literárias e científicas desde o início do processo produtivo... A redução da circulação de jornais impressos pode significar déficit cultural. Portanto, seu acesso ao grande público deveria tornar-se objetivo de um plano de sustentabilidade cultural.

Dizem que um jornal televisivo utiliza no máximo 350 termos do vocabulário português, o que significa admitir que o consumidor desse veículo é leigo e aculturado. Se isso é fato assumido, quando é que vamos agir para reverter esse quadro?

O Brasil, enquanto admitir que sua população é despreparada e nada fazer para reverter esse quadro, será um país governado por oportunistas, será um país dominado por minoria, será um país de terceiro mundo tão orgulhoso e assumido quanto o SBT quando era o segundo colocado "disparado" em audiência e hoje briga para não cair para o quarto lugar.

Se no plano da sustentabilidade cultural e social primassem pela educação e pela qualidade de vida da população, milhões que são gastos para a manutenção de presídios seriam investidos na educação fundamental, com escolas públicas que ensinassem de fato, tal e qual as particulares, para que a juventude buscasse meios de vida alternativos à marginalidade. Antigamente, meninas sonhavam com o magistério, professora era uma referência e uma profissão de respeito. Hoje professor da rede pública é mote de piadas de mau gosto, principalmente no quesito “remuneração”. E todo ano milhares de adolescentes são jogados à marginalidade, por total falta de um programa decente de sustentabilidade social e cultural.

Meu desfecho para isso é: um grande passo pode ser dado pela sociedade calejada e abandonada quando passarem a privilegiar administradores públicos que tenham princípios na educação de base, na reconstrução de uma sociedade educada e preparada para vida.