terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A inteligência medida sob um outro olhar

A análise das capacidades, das possibilidades, do interesse e da inteligência das pessoas que encontramos no mercado de trabalho sempre foi um assunto que procuro aprimorar e desenvolver métodos para medir a fim de se contratar melhor e buscar melhores desempenhos nas empresas.

Com isso, muitas leituras e observações práticas no dia a dia têm me ajudado a fundamentar algumas opiniões particulares a respeito desse contexto e de uma busca onde nem sempre há concordância entre os estudiosos: a medição da inteligência individual.

Eu não gosto de pensar que a inteligência seja herança genética. Prefiro acreditar que ela pode ser mais ou menos desenvolvida desde o primeiro fôlego de vida de cada pessoa. Para isso precisamos descaracterizar algumas "formas" de inteligência que a sociedade estabeleceu. Por exemplo:

1 - Há duas pessoas lado a lado, onde uma delas conhece de cor a letra de dezenas de músicas do Roberto Carlos enquanto a outra conhece de cor a capital de todos os estados do Brasil e de todos os países da América e Europa. Certamente muitos dirão que a segunda pessoa é mais inteligente que a primeira. ERRADO!! Acontece que a primeira memorizou o que lhe interessa, pois é fã do cantor, enquanto a segunda memorizou o nome das capitais, pois gosta de geografia. O que a inteligência tem a ver com isso? NADA, pois memorizar isso ou aquilo é apenas um exercício que qualquer um pode desenvolver segundo seu próprio interesse.

2 - Uma criança aprende a jogar xadrez enquanto a outra gosta de brincar de "faz de conta" baseado nas histórias que assiste e escuta. Qual é mais inteligente? Impossível medir, pois a primeira desenvolveu o raciocínio enquanto a segunda desenvolveu a criatividade e o relacionamento. Cada uma desenvolveu capacidades diferentes conforme o estímulo e o interesse individual para atividades distintas.

Nesses modelos acredito muito que o cérebro humano desenvolve diferentes capacidades em diferentes pessoas segundo diferentes situações de vida e estímulo. É aqui que a inteligência de alguém pode ser mais desenvolvida do que a de outro: quanto mais estímulo para múltiplas capacidades for oferecido a uma criança, maior será o seu desenvolvimento cognitivo, sua capacidade de análise e suas possibilidades de agir de forma planejada considerando a ação e as consequências de seus atos para diferentes circunstâncias, seja em um jogo de xadrez, seja em uma vida em sociedade.

Portanto, concluo minha análise dizendo que a inteligência está diretamente relacionada à capacidade de análise e projeção de consequências. Logo, quanto maior for a sua capacidade de planejar e agir visando algo a médio ou longo prazo, maior é a sua inteligência, pois isso demanda múltiplas capacidades, como conhecimento, relacionamento, raciocínio lógico, comunicação e perspicácia.

Essa é a grande diferença entre o ser humano, dito inteligente, e os animais irracionais que agem por instinto, aprendem por imitação e cumprem ordens condicionados a prêmios relacionados ao seu interesse imediato. Animais não planejam nada, eles apenas executam, pois não têm inteligência.

Medindo a inteligência

Assim, um dos melhores meios que encontrei para medir a inteligência é analisando o tamanho da ambição das pessoas e a capacidade de planejar algo para o alcance de seus objetivos e metas pessoais a curto, médio e longo prazo. Pessoas sem metas, sem sonhos e sem objetivos consistentes podem ser pessoas com menos inteligência, pois sua cabeça é incapaz de vislumbrar o futuro, ordenar ideias e até de prover recursos para gozar de segurança, saúde e conforto para si mesmo e sua descendência. Essas pessoas vivem com expectativas de curto prazo, sobrevivem no seu dia a dia e chamam o futuro de destino como se fossem incapazes de construir a própria sorte.

Por isso cogita-se que pessoas com menor inteligência sentem-se mais seguras consultando a sorte e o futuro, pois sua capacidade de vislumbrar, buscar e alcançar é limitada, e por isso acomodam-se e confiam que algo acontecerá involuntariamente, por ordem do destino.

Observando o dia a dia das pessoas e o passado de cada uma delas podemos facilmente estabelecer notas de zero a dez para medir suas inteligências. Conhecendo sua vida estudantil, familiar, conjugal e profissional, bastam poucas perguntas acerca de suas expectativas, metas e meios para se construir um futuro para concluir se seu padrão de desenvolvimento é alto, mediano ou baixo, consequência direta de sua inteligência.

A inteligência e o recrutamento profissional

Transferindo essa análise para o mercado de trabalho a teoria pode ser de grande valia para selecionar pessoas mais pró-ativas, com melhor capacidade de decisão, com maiores condições de agir preventivamente e de criar soluções e propostas para ganhos de produtividade. Basta avaliar se a pessoa vive para o presente e apenas sonha com um futuro melhor ou se a pessoa desfruta do presente e planeja de forma estruturada um futuro melhor.

Quem não planeja melhorias para si, não avalia as consequências de seus atos e não tem comprometimento com o futuro da própria vida certamente não será uma pessoa comprometida com a empresa. Pois a inteligência não está relacionada diretamente à riqueza adquirida ou ao poder conquistado, mas à segurança, à felicidade e à responsabilidade para a vida e para a sociedade.

Assim termino essa análise na certeza de que o assunto é polêmico e discutível. Fica aqui a minha contribuição para meditação, contra-argumentação e exposição de diferentes pontos de vista, sempre com foco para o próprio desenvolvimento, o desenvolvimento de nossos filhos e de trabalhadores.