segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não troque um conto de fadas por um conto de bruxas

Como eu gosto de fazer boas recomendações de histórias com apelo educativo e com temas que aflorem o desenvolvimento positivo das crianças eu certamente não te recomendarei assistir A princesa e o sapo, de Walt Disney.

Apesar da beleza, da plástica das imagens, das coreografias e belas músicas inseridas, o filme tem uma trama baseada em personagens pouco inspiradores, com exceção da princesa Tiana, uma jovem atraente, independente, esforçada e obstinada, mas também uma amiga leal e afetuosa. Seu príncipe, o sapo a ser desencantado, é o príncipe Naveen, de um reino chamado Maldonia. Apesar de ser mimado e irresponsável, Naveen tem um charme irresistível, uma alegria de viver que cativa a todos ao seu redor e uma paixão pelo Dixieland, jazz popularizado por Paul Whiteman, Jimmie Noone, Earl Hines, King Oliver, Jelly Roll Morton e Louis Armstrong. Se você é amante do jazz, o filme é temático e vale a pena. E só isso.

O outro personagem chave dessa trama é o Dr. Facilier, um sujeito ardiloso, misterioso e ameaçador que cria inúmeras situações desagradáveis e arriscadas para o príncipe Naveen e Tiana. Ele é um canalha que usa magia, feitiços e suas ligações com “amigos do outro lado” para conseguir o que quer através de encantamentos misteriosos, arriscados e perigosos. “Ele é musical, é ameaçador, é bonito, elegante, alto, magro e esbelto, e sabe ser um doce de pessoa. E eu acho que tudo isso, pelo menos na animação contemporânea, é raro de se ver num vilão”, comenta Bruce Smith, o supervisor de animação do Dr. Facilier. Em outras palavras, estarás levando para a TV de seus filhos uma descrição perfeita do anjo que caiu do céu e comanda o inferno... As músicas coreografadas por esse personagem são assustadoras e demoníacas.

Já a Mama Odie é a contrapartida luminosa de Facilier: uma feiticeira excêntrica, escrachada e esperta de 197 anos, a rainha dos pântanos, que guia Tiana e Naveen em seu périplo para desfazer o feitiço do Dr. Facilier. Mama Odie e a sua cobra, Juju, ministram feitiços e amuletos aos necessitados. Ou seja, não é um conto de fadas mas de feiticeiros e bruxos que trabalham com as forças ocultas.

Enfim, A PRINCESA E O SAPO, foi inspirado na fábula O Sapo Príncipe, dos irmãos Grimm, mas os cineastas criaram a sua própria versão da história. Os Grimm iriam se revirar no túmulo se pudessem conhecer o estrago que foi feito em sua obra...

Se você estava pensando em comprar esse filme para seus filhos, esse é o meu resumo sobre a obra: é um conto enjoativo, assustador e tendencioso ao mal, tal qual as produções noveleiras da Rede Globo. Não traz nada de positivo e nenhuma mensagem que valha a pena para crianças.