segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Ateísmo e suas prerrogativas. Quais prerrogativas?!

Novamente um assunto mais do que polêmico para debater: o crescimento do número de ateus manifestando sua forma de ver a fé. Aqui vou apenas opinar sobre um fato que tenho verificado muito corriqueiramente em redes sociais como o Facebook e revistas de notícias.

Em primeiro lugar vamos dividir a população em apenas 2 grupos: o de pessoas que creem e seguem a um Deus e o de pessoas que não creem em nenhum Deus.

Seguir a um Deus é algo relativamente fácil de explicar: lê-se um livro sagrado, com sua história, preceitos, recomendações para a vida e promessas para um pós vida e acredita-se nele, buscando seguir suas recomendações na esperança do que foi prometido.

Não seguir algum Deus é ainda mais fácil de se explicar: caso tenha lido os mesmos livros de quem segue a Deus, ignora que aquilo tenha algum fundamento e, principalmente, não acredita que haja alguma verdade na teoria da criação do universo e em uma vida após a morte.

Uma vez visto isso (de uma forma relativamente simplificada), é perfeitamente compreensível que quem crê em Deus (vamos chamá-lo simplesmente de crente), tente convencer o ateu a crer também, para que siga o mesmo caminho e alcance o mesmo fim prometido após a morte.

Por outro lado, e aqui está o ponto que pretendo debater, muitos ateus têm dispendido esforços para desmerecer e até hostilizar o Deus dos crentes e convencer o crente a deixar de ser crente. E a pergunta é: com qual objetivo eles realizam esse esforço? É mera liberdade de expressão ou há algum outro motivo?

Tornando-se ateu

Vamos supor que o ateu creu em Deus e tornou-se crente. Ele dirá "e agora, o que devo fazer?". E o crente saberá o que responder através do seu livro sagrado.

Agora vamos supor que o crente se convenceu de que Deus não existe e nunca existiu e resolva ser ateu. Ele dirá "e agora, o que devo fazer?". E o ateu responderá "Nada! Apenas siga sua vida...". Sim, mas o crente já seguia a sua vida! E procurava segui-la evitando cometer o que era chamado de "pecado", e toda uma série de atitudes recomendadas em seu livro sagrado. Portanto, sendo ateu, subintende-se que o grande "benefício" conquistado é poder fazer agora o que antes era visto como pecado.

Mesmo que o ateu siga a vida focada para o bem, não há razão ou motivação alguma que o leve a realizar campanhas para tornar ateu um crente, apenas almejando a possibilidade de "pecar" à vontade e fugir do poder de manipulação de seus sacerdotes sem submeter-se ao temido juízo final.

Compreendem onde eu quero chegar? Digo que não há motivação na vida do ateu que o leve conduzi-la para um plano espiritual pós-morte, a não ser estudar, enriquecer e viver feliz até o momento do seu fim, com o mesmo status da morte de qualquer outro ser vivo. Mas estudar, enriquecer e viver feliz também é meta de um crente, dentre outras de ordem espiritual...

Sem mais delongas, não quero aqui tentar dizer quem está certo e quem está errado. Quero apenas fazer um apelo aos crentes e aos ateus: vamos respeitar-nos uns aos outros, compreender o ponto de vista alheio e nos contentar em expor nossa verdade sem querer desmerecer a crença do outro. Ser crente não é sinônimo de ignorância e nem de mentalidade ultrapassada. Ser ateu não é sinônimo de maturidade e nem de conhecimento científico avançado. O Deus dos cristãos, assim como o de todas as crenças merece respeito. E dedicar seu tempo, sendo ateu, ofendendo, desmerecendo ou discordando das atitudes de Deus descritas na Bíblia não é uma postura digna de uma pessoa de Q.I. desenvolvido (segundo pesquisadores, os ateus são notadamente compostos por pessoas de Q.I. elevado). Criticar a Deus demasiadamente parece mais o gesto de alguém promovendo-se como um membro do "seleto clube" dos ateus, homens de mente privilegiada...

Para evitar-se um mal entendido, nem todas as pessoas de Q.I. elevado são adeptos do ateísmo. Há apenas uma pré-disposição e constatação estatística que leva a essa afirmação.

A promoção do ateísmo X anti-cristianismo

Ainda no tema dos novos ateus que promovem uma cruzada contra Deus, sigo com uma questão sem resposta: compreendo que se faça campanha para um político, campanha por um clube de futebol, campanha para promover sua filha como miss na escola e até campanha para seguir a Deus e almejar ir para o céu. Mas o que leva alguém a fazer campanha pró-ateísmo ou contra Deus? Conquistando-se novos adeptos, qual é o próximo passo? Seria o mesmo que fazer campanha para dizer que extraterrestre não existe: após concordarmos que eles não existem, o que faremos agora? Absolutamente nada, a não ser adicionar mais um membro ao clube dos rebeldes sem causa.

Promover o ateísmo valeria a pena se os novos membros entrassem em grupos científicos de pesquisa para ajudar a desvendar os mistérios do universo, aquilo que ainda é desconhecido sobre a origem da vida e sobre fenômenos clínicos que muitos chamam de milagre. Se milagre não existe, qual é a força que move a cura cuja ciência não é capaz de explicar? Nessas pesquisas vale a pena investir seu tempo, pois as respostas podem trazer benefícios reais à humanidade.

O respeito à fé alheia

Por isso acredito que é melhor usar de prudência e cada um cuidar de sua fé com respeito e responsabilidade. Mesmo declarando-se ateu, seria mais bonito permanecer e viver na sua incredulidade podendo defender suas convicções quando solicitado, mas sem ofender o Deus dos crentes.

Da mesma maneira o crente não deve tratar o ateu como um teimoso ou como alguém ruim, fazendo um pré-julgamento de que ser ateu é não levar uma vida decente ou justa. Uma coisa não tem nada a ver com outra. Evangelizar é algo bom desde haja abertura da parte do evangelizado. Se alguém não quer ouvir sobre Deus, respeite o seu desejo e o seu tempo sem ser impertinente. O ateu pode ser apenas alguém que ainda não conheceu a Deus, mas pode vir a conhecer a qualquer momento, assim como as respostas que o mundo científico ainda não tem para tantos fenômenos. Isso demanda tolerância, paciência e respeito ao seu momento ou interesse no assunto.

Religião é um ótimo assunto para se conversar, mas um péssimo tema para se debater. Sem o devido cuidado corre o sério risco de acabar em briga...