terça-feira, 21 de setembro de 2010

O efeito social de Teena, Vesgo e Silvio e "O professor aloprado"

Assim de cara pode parecer mais uma tolice desse insinuante blogueiro. Mas vejam bem os amigos o que é a influência da cultura pop trash da televisão brasileira:

A Rede TV lança um programa chamado Pânico na TV, inspirado num programa de rádio não menos trash apresentado pelos mesmos artistas. Nesse programa lançam alguns personagens completamente hilários, como Sabrina Sato (em pessoa), Vesgo e Sílvio (personagens) e Bola (em pessoa) como principais atributos cômicos.

Simultaneamente a MTV explorava nada mais nada menos do que João Gordo em algo chamado Rebosteio, além de Hermes e Renato em um programa do mesmo nome, com artistas que fariam Dercy Gonçalves (enquanto estava viva) ficar vermelha de vergonha...

Depois, num tom um pouco mais leve mas não menos constrangedor, vieram os simpáticos artistas de família do programa CQC, que fazem piada com a realidade alheia usando a saia justa como argumento artístico.

Agora vemos o simpático, e não menos apelativo do que a turma do Pânico na TV, apresentador Marcos Mion na Record lançando pérolas como Teena, que de um quadro comum vai tornando-se o carro chefe do programa Legendários.

Mas o que isso tudo tem em comum, e o que têm a ver com "O professor aloprado"?!

Simples: tudo isso tem em comum algo que o ser humano vem sentindo cada vez mais falta na sociedade das aparências reservadas, na sociedade onde se pisa em ovos em quase todo o tempo em que permanecemos acordados. O ser humano sente falta da sua própria IRREVERÊNCIA.

O filme "O professor aloprado" mostrou que o rejeitado cientista obeso só encontrou a felicidade quando transformou-se naquela figura irreverente, divertida e espontânea. E o filme foi sucesso de bilheteria, pois retrata aquilo que muitos de nós gostaríamos de ser, falar e fazer em nosso dia a dia. O filme mostra um homem não apenas seguro de si, mas irreverente, como os personagens da programação pop trash da TV brasileira.

Quero dizer com isso que algumas programações toscas da TV são de fato um mal necessário, pois ajudam as pessoas a pelo menos imaginar como seria bom poder agir com tamanha indiscrição diante de situações em que na verdade precisam permanecer apenas com aquele sorriso amarelo na face. O homem sente falta de poder desabafar e dizer o que pensa, mesmo que isso coloque alguém em situação constrangedora, o que de fato deve ser reprimido para o bom convívio social.

E essa repressão precisa ser transformada em diversão, cujo papel é desempenhado pelos artistas que nos levam a ter nossos minutos de êxtase vendo verdadeiros medalhões passarem por situações muitas vezes vexatórias, o que de fato abastece satisfatoriamente o ego dos aflitos e reprimidos.

E com isso vamos vivendo, usando os canais de comunicação como válvula de escape para aquilo que nos reprime, e convivendo satisfatoriamente na sociedade moderna, onde o juízo e o respeito ainda devem prevalecer sobre a irreverência...