quarta-feira, 19 de maio de 2010

Aprendiz Universitário e a dança do quadrado

Ontem assisti ao programa Aprendiz por pura teimosia, pois acho que a qualidade técnica do reality caiu demais com a saída do Justus (que foi apresentar um programinha pra lá de chinfrim para o status dele no SBT...).

Não quero simplesmente comentar o programa, mas fazer uma analogia para um assunto que defendo sempre: não adianta você ser espetacularmente bom em diversas atividades e acreditar que poderá fazer qualquer outra coisa, que tudo sairá perfeito.

E refiro-me a João Doria Jr e seus dois "assessores de palco", também conhecidos como conselheiros. A qualidade do trabalho dos conselheiros Baroni e de Cristiana Arcangeli é indiscutível, seus currículos e história de vida são invejáveis e admiráveis. Mas no programa, juntos com o apresentador, estão dando uma aula de insegurança, superficialidade e julgamento parcial, e até provocando constrangimento aos participantes na sala de reunião, mesmo tratando-se de um programa gravado, passível de edição!

Daí admira-me demais que não se perceba, por exemplo nessa última prova, que um conselheiro insista no julgamento de um candidato baseado exclusivamente numa frase dita por ele durante a realização da tarefa. Não se dialogou suficientemente sobre as falhas de planejamento e falhas de estruturação de um plano de ação. Os apresentadores não conseguem agregar valor ao seu conteúdo profissional oferecendo alternativas que façam do erro dos participantes um aprendizado, para que eles possam sair de lá pelo menos com um pouco mais de conhecimento.

O outro conselheiro, nessa tarefa onde o candidato teria 28 horas para vender trezentos jogos da Estrela, critica o insucesso da equipe por não ter ousado mais, tipo, fazendo venda pela internet. Como é que se estrutura uma venda por internet, de compra passiva, sem verba, de um produto ainda não lançado no mercado, onde normalmente paga-se com cartão de crédito ou boleto e necessita-se de uma estrutura logística (por menor que seja), para uma competição de 28 horas de duração?! Mas você pensa que o conselheiro ensinou como fazer? Não, apenas criticou, e não demonstrou como teria feito se estivesse lá. Talvez ela até tenha uma resposta a essa pergunta, mas teria que ter sido dita no programa. Eu fiquei curioso para saber.

É por isso que eu faço uma analogia àquela música tosca "Cada um no seu quadrado", demonstrando que por mais bem sucedidos que sejam em seus empreendimentos, alguns homens de negócios não obterão sucesso atuando em outras áreas, nesse caso, como apresentadores ou participantes de um programa de TV. E acho que isso cabe para muitas outras coisas. O espetacular aqui pode ser um fracasso alí.

Se continuar assim, a Rede Record terá que mudar o nome do programa para Mico Universitário, pois é esse o papel que os participantes estão fazendo durante os processos de demissão: pouco aprendizado e muito mico... uma vergonha.