quinta-feira, 13 de maio de 2010

O baixo desempenho da geração Y que executa e a criminalidade

Estava lendo um texto da Valéria Maneira em seu blog (o que recomendo também aos amigos, um site com excelente conteúdo) quando comecei a pensar em alguns aspectos expostos sobre a geração Y. As características estudadas normalmente sobre essa geração, eu especificamente tenho estudado dessa forma, sempre nos coloca a analisá-los como gestores, pensadores e criadores no processo de trabalho. Mas o que dizer sobre os componentes dessa geração que se enquadram naquele time de "executores", aquele grupo de profissionais que realizam atividade de rotina ou repetitiva?

Algumas características de um Y, como individualidade, pouca empatia com a disciplina, desapego ao processo continuista e maior interesse por coisas novas, têm sido pontos negativos no desempenho das tarefas dos executores. Como o mercado de trabalho divide-se grosseiramente entre os que mandam e os que executam, esse segundo grupo tende a proporcionar maior giro de capital humano nas empresas, trocando de trabalho facilmente e tornando ineficaz as tentativas de treinamento e qualificação. Faltam ao trabalho para ir ao show, ao jogo ou para se curarem de uma ressaca. Não dão muita satisfação sobre o que fazem, e o desemprego não lhes assusta como antigamente.

Tenho vivenciado essa experiência com profissionais de supermercados, e noto um desinteresse até irritante pela qualificação própria. Muitos jovens que trabalham nesse setor estão alí sem muitas ambições, não pensam em promoção mas querem ganhar mais. Assim, trocam de trabalho sem cerimônia para ganhar 50 reais a mais ou algum benefício adicional no novo emprego. Também não se importam com as férias, vendem 15 ou até 30 dias para receber um "plus" no final mês. Eles têm celular de última geração, relógio de marca, tênis importado e roupas de grife. Trocam de moto e compram carro sem antes ter a segurança de uma casa própria. A importância que dão para o status social supera a ambição de um status profissional. A maioria tem internet com banda larga, simplesmente para passar a madrugada no orkut e no msn, mas não pretendem cursar faculdade.

É claro que há exceções, e bastante. Mas de um modo geral tenho encontrado esse trabalhador da geração Y nas empresas, e eles nos dão uma boa dor de cabeça para torná-los produtivos e pró-ativos.

A geração Y o crime


Uma preocupação que tenho é o aumento da criminalidade. Pessoas jovens desapegadas à rotina do trabalho mas sedentas por dinheiro, são presas fáceis do narcotráfico, com uma vida de emoção e ostentação do início ao fim. Já repararam que nesse ramo a maioria dos que são presos por tráfico pertencem à geração Y? É verdade que a expectativa de vida desses "profissionais" é relativamente curta, com alto índice de renovação por motivo de morte ou prisão. Mas o ramo de atividade é altamente convidativo para os membros da geração Y que não possuem perspectiva profissional à altura de suas necessidades de posicionamento social.

Na busca por solução a esse problema não vejo outra solução a não ser a do coaching, um conselheiro de RH que acompanhe de perto esses profissionais na tenra idade produtiva e que os ajude a compreender os valores do trabalho e da profissão, a fim de que se desprendam da busca pela auto estima através da exposição de bens pessoais e busquem uma valorização própria através da qualificação e do respeito profissional.

A geração Y está no meio de nós mandando ou executando tarefas, e quem não conseguir se adaptar à evolução social e cultural das gerações, esses sim serão excluídos.