sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Copa do Mundo é nossa!

Por Alexandre Sewald

Corria o ano de 1997. Eu, começava a conhecer uma ferramenta muito difundida hoje: a internet. Descobri um software chamado mIRC que pode ser chamado de bisavô dos chats. Em um primeiro momento, tive dificuldades em conectar-me com brasileiros, então, escolhi uma sala de bate papos de Sidney, Austrália. Lá eles estavam eufóricos porque estavam prestes a receber os jogos olímpicos de 2000.

Uma bela manhã, resolvi atualizar as fofocas. Entrei na sala e não havia muita atividade. Chamei para conversa em pvt (private) uma pessoa e perguntei o que estava acontecendo... Ela me explicou que todos estavam tensos porque havia ocorrido um homicídio na cidade. Quase perguntei "e o Kiko?" mas me contive e optei por continuar a conversa de maneira cortês. Perguntei se era alguém importante... não era. Perguntei se era alguém que frequentava a sala... não era. Então, não me contive e perguntei porque estavam todos tão preocupados. Foi então que eu recebi o que pra mim foi uma grande surpresa. Há meses não acontecia um homicídio na cidade e todos estavam preocupados com a repercussão que esse ocorrido teria sobre receber visitantes nos jogos olímpicos.

Para tentar tranquilizá-lo, corri e contei quantos crimes da mesma espécie havia ocorrido no último fim-de-semana em Curitiba. Contei, rapidamente folheando a Tribuna, 5 homicídios. Ao contar para a pessoa esse número, houve um "lag" até que ela me respondesse... "Você mora no velho oeste?". Respondi com um hehehehehee bem amarelo... e contei que morava em Curitiba, uma cidade que até é bem cotada como civilizada.

Por que lembrei desse ocorrido? Com a confirmação das cidades sede para a Copa do Mundo de 2014 me veio a cabeça a pergunta: estamos preparados? E eu mesmo me respondi. Não. Nem só de estádio o homem viverá durante os jogos do maior evento futebolístico do planeta. A violência certamente será uma das preocupações dos possíveis visitantes, e medidas urgentes são necessárias.

O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008, divulgado em janeiro de 2009, mostra que, embora o índice de assassinatos no Brasil ainda seja alto, houve queda nos números de 2004 a 2006. Segundo a pesquisa, foram mortas 50.980 pessoas em 2003. Em 2004, o número caiu para 48.374, indo para 47.578 em 2005 e 46.660 em 2006. O mapa foi lançado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla).

O diretor-executivo da Ritla, Jorge Werthein, afirmou que a queda no número de homicídios reflete a campanha do desarmamento e políticas focadas na juventude. Apesar da comemoração, ele ressaltou, no entanto, que o número total de homicídios ainda permanece muito alto.

- (A taxa atual) ainda é totalmente inaceitável por qualquer padrão internacional - acrescentou.
Entre 1996 e 2006, o número de assassinatos no Brasil, entretanto, cresceu mais que a população. Os homicídios tiveram aumento de 20%, enquanto o crescimento populacional foi de 16,3%, revela o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008, divulgado ontem pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e pelo governo. O estudo registra, no entanto, que entre 2003 e 2006 houve queda de 8% no número de assassinatos. Ainda assim, foram mortas 46.660 pessoas em 2006, o equivalente a 127 por dia - 74,4% delas por arma de fogo. Desde 1996, foram assassinados 500.762 brasileiros.

No Paraná, além de Curitiba há uma clara intenção de que os visitantes vão à Foz do Iguaçu no intervalo dos jogos. E Foz figura entre as cidades onde o problema é mais acentuado.

Não será absurdo se as vésperas do campeonato, se esses números não mudarem, alguma importante seleção se recuse a participar do evento com o intuito de preservar seus torcedores.
Há tempo para modificarmos esse quadro, mas ele não pode ser desperdiçado.